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A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a televisão portuguesa

Ficha Técnica com Marisa Martinho.: "Lidar com os sonhos das pessoas é algo que me seduz"

   

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   Marisa Martinho é uma das reponsáveis pelos mentores do "The Voice Portugal", da RTP1, há quatro anos. Quase o mesmo tempo em que trabalha como Produtora de Conteúdos para a Shine Ibéria.

 

   Em entrevista, a natural de Cascais, confessa que após terminar o curso bateu à porta de todas as produtoras e televisões portuguesas da região de Lisboa e foi essa persistência que a ajudou a trabalhar na área.

 

   A jornalista de formação não esquece o trabalho como Repórter no canal Globo Portugal e admite que voltaria a fazê-lo se a convidassem. Ainda assim, isso não invalida que se sinta feliz na sua atual profissão.

 

   Marisa confessa ainda que adorava trabalhar na área do jornalismo desportivo.

 

Foto de perfil retirada da rede social "Linkedin"

 

 

 

   A Caixa que já foi Mágica.: Começou a carreira na Endemol Portugal. Trabalhar na televisão foi sempre uma vontade sua ou aconteceu por acaso?

 

   Marisa Martinho.: Desde pequena que o meu sonho era ser Jornalista. A área não era importante. Queria conversar com pessoas, saber tudo sobre a atualidade em Portugal e no Mundo. 

 

      Ao longo do curso, a vontade de conhecer o mundo televisivo aumentou, também por culpa de alguns professores da minha faculdade e, com o aproximar do final do último ano, tinha quase decidido que teria de fazer alguma coisa para trabalhar em televisão. 

 

    Assim que o terminei, enviei currículos para todas as produtoras de programas de televisão, para todos os canais nacionais, esperei e nada aconteceu.

 

    Fui às estações, bati à porta das produtoras e fui até ao estúdio da Valentim de Carvalho, onde a Endemol estava a gravar a “Roda da Sorte”, com o Herman José. Por acaso, entreguei o currículo “em mãos” a uma pessoa que achou graça à minha atitude. No dia seguinte ligaram-me e comecei o estágio.

 

 

   ACQJFM.: Passou depois pelo jornalismo, mas rapidamente voltou aos "conteúdos". O jornalismo, por si só, não é tão aliciante ou a produção de conteúdos é aquilo que realmente a completa?

 

   M.M.: Adorei fazer reportagem para o “Cá Estamos”, na TV Globo. Foi sem dúvida uma experiência única na minha vida. O ritmo é outro, o tempo é outro e o próprio método é diferente. Gostei muito de ser repórter do programa e cresci muito com ele. 

Voltaria a fazer amanhã se me convidassem, mas a verdade é que na produção de conteúdos a dinâmica é diferente. O ritmo alucinante dos programas de entretenimento de hoje deixa-me com o coração nas mãos, no bom sentido. Sou por natureza uma pessoa que gosta de desafios e sem dúvida que no entretenimento o desafio é maior e mais aliciante.

 

 

   ACQJFM.: Qual é o trabalho de uma produtora de conteúdos?

 

   M.M.: A nossa vida não é fácil! Posso dizer que depende muito de como as equipas de conteúdos são organizadas e do tipo de programas que fazemos mas, em geral e falando quase cronologicamente por projeto, começamos por procurar ideias para criar e reinventar no nosso programa; estruturamos tudo o que precisamos gravar para que o programa tenha as várias vertentes que pretendemos; acompanhamos as gravações e coordenamos as equipas de gravação tendo em conta as nossas necessidades.

 

   Também são da nossa responsabilidade a gravação de entrevistas e de planos. Depois de gravar somos também nós que, através de programas de edição (avid, finalcut, …), cortamos, estruturamos as ações gravadas e acompanhamos os editores. São estas as principais funções de uma produtora de conteúdos. 

 

   Não é possível resumir mais uma função tão importante.

 

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades num dia de trabalho?

 

   M.M.: Para qualquer “conteúdo” o dia é pequeno. Precisamos sempre de mais tempo. Os prazos são muito apertados.

   O tempo é mesmo o nosso maior inimigo. De resto, quando se gosta do que se faz nada é difícil!

 

 

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   ACQJFM.: A Shine Iberia Portugal faz trabalhos para vários canais. Existe um cuidado diferente tendo em conta a estação ou a produtora faz o seu trabalho independentemente de quem a contratou?

 

   M.M.: Não tenho dúvidas de que a Shine Iberia Portugal trabalha sempre da mesma forma, independentemente da estação que a contrata para fazer um programa.

Aqui fazemos o nosso trabalho, todos os dias, com o maior empenho. Já fiz programas para a SIC, para a TVI e para a RTP e nunca notei diferenças. Para nós o importante é fazer bem.

 

 

   ACQJFM.: Sente diferenças no investimento das televisões de 2008 para 2017? Há mais ou menos investimento? De que forma é que esse investimento condiciona o seu trabalho?

 

   M.M.: Esta pergunta dá-me vontade de chorar! É de conhecimento geral que com a crise o investimento em programas de televisão os “orçamentos” tendem a ser menores. Ainda assim, o trabalho é o mesmo, o empenho é o mesmo, a vontade de fazer bem é a mesma desde o primeiro dia. Não posso dizer que o facto de se investir menos condiciona o meu trabalho porque, acima de tudo, tenho um grande orgulho no que faço.

    Apesar da redução no investimento a dedicação, empenho e profissionalismo são os mesmos.

 

 

   ACQJFM.: Algum público queixa-se de que as televisões em Portugal não inovam e poucas vezes se destacam umas das outras. Acredita que há uma crise de ideias ou a crise económica é a grande causa?

 

   M.M.: Nem uma coisa, nem outra. Na minha “carreira” em programas de televisão fiz muitas coisas parecidas, mas a verdade é que sempre que fiz algum programa menos “comercial” ou menos imediato para o público, as audiências não foram as melhores do mundo.

 

   Em Portugal existem vários programas de talentos porque a verdade é uma: as pessoas gostam, as pessoas vêem. O "boom" mais recente dos programas de cozinha é outro fenómeno. As audiências não enganam e, por isso, acho que as produtoras e os canais investem naquilo que as pessoas querem ver.

 

   Acredito que a pressão das audiências possa, de alguma forma, condicionar o que cada estação compra e emite. Não acredito que as produtoras não tenham em carteira mil programas para fazer, mas que o medo de arriscar acabe por vencer em algumas situações.

 

 

   ACQJFM.: É difícil agradar ao público português? 

 

   M.M.: Acho que não! Nós gostamos de sorrir, de chorar logo a seguir e, se possível, sorrir novamente. O público português gosta de, no mesmo programa, sentir várias sensações. Se conseguirmos isso, já os conquistámos.

 

 

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   ACQJFM.: Qual foi a situação mais complicada pela qual passou? 

 

   M.M.: Não posso dizer que passei por situações muito complicadas. Tento sempre gerir as situações que enfrento.  

   Há uns anos estava a gravar um programa de entretenimento e, como repórter do programa, quando comecei a fazer uma entrevista a uma concorrente ela recusou-se a falar comigo. A candidata não aceitou a decisão dos jurados e quando questionada sobre isso quase me batia. Coitada! Percebo bem a desilusão que sentiu e eu ainda queria saber o que raio lhe passava pela cabeça.

 

   ACQJFM.: E a mais caricata?

   

  M.M.: A situação mais caricata aconteceu-me no "The Voice Portugal". Muitas vezes entro e saio com os mentores do décor e a todos os minutos querem tirar fotografias com eles. O problema é que nem sempre é possível porque temos muitas coisas para gravar. Numa dessas pausas oiço gritarem pelo meu nome, mas não olhei porque já sabia que era para tirar fotografias e não tínhamos tempo.

 

   Dias depois uma amiga da minha mãe encontra-me e conta-me que foi assistir às gravações do programa e que chamou por mim e eu nem lhe falei. Como podia adivinhar que era ela?

 

 

   ACQJFM.: Se pudesse escolher um programa ou formato para trabalhar, nacional ou internacional, qual escolheria?

 

   M.M.: É muito difícil falar de projetos que gosto ou que gostava de fazer porque parece sempre muito injusto para os programas que já fiz. Sem dúvida que o "The Voice" está no topo das minhas preferências por tudo e por nada. É um formato de música que adoro e lidar com sonhos de pessoas é algo que me seduz. Por isso acho que estou realizada nesse sentido. 

 

 

   ACQJFM.: Quais são os seus objetivos para o futuro?

 

   M.M.: Para já estou feliz a trabalhar onde estou. Sem dúvida que gostava de poder abraçar outros desafios, mas ainda não tenho bem definido o quê e onde. Uma coisa é certa, adorava fazer alguma coisa ligada ao jornalismo desportivo, gosto muito de futebol e gostava muito de poder fazer algo nessa área. Sou uma adepta fanática pelo Sport Lisboa e Benfica e por isso aceitam-se convites!

 

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Cristina confronta Maya em direto (com vídeo)

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Cristina Ferreira subiu, esta quarta-feira, ao palco do Casino Estoril para receber o prémio “Sexy 20”, da CMTV.

 

   No momento da entrega do prémio, a apresentadora da TVI fez uma piada sobre as afirmações que Maya tem feito sobre si.

 

   O momento ficou marcado por uma amena troca de galhardetes. Ainda assim, até aqui as palavras de ambas têm sido bem mais duras.

 

   Recorde-se que Maya afirmou que Cristina Ferreira foi vista nas suas férias em França com um homem "mistério". A colega de Manuel Luís Goucha desmentiu várias vezes tal afirmação gerando um mau estar entre as duas.

 

   Veja o momento que marcou a gala da CMTV:

 

 

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As novidades da SIC

 

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    A SIC já lançou os dados e está preparada para a nova temporada.

 

    Uma novela, dois regressos, um final e uma estreia absoluta é aquilo que pode esperar já este mês.

 

    Conheça as apostas da SIC:

 

 

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   O programa regressa para uma segunda temporada e traz também de volta Conceição Lino. A jornalista é a autora do formato que "testa a capacidade de intervenção dos portugueses na defesa do outro, a partir de situações ficcionadas". Recorde-se que a primeira temporada foi um sucesso.

 

 

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   Os bons resultados da "Atualidade Criminal", nas manhãs da estação, deram a Hernâni Carvalho um novo programa às 19H00. A atualidade criminal e outras questões vão ter espaço de antena num horário em que a SIC está cada vez mais longe da liderança.

 

 

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   Esta é a nova novela da SIC que vai substituir "Amor Maior". Protagonizada por Margarida Vila-Nova, Albano Jerónimo, Joana Solnado e Marco Delgado, "Paixão" conta a história de um homem determinado a lutar pela justiça e determinado a recuperar dez anos de vida. É uma novela de homens e mulheres que vão ao limite para conseguirem aquilo em que acreditam.

 

 

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    O "Vale Tudo" regressa também à estação de Carnaxide com algumas caras novas e numa versão já gravada.

   Cecília Henriques, Cleia Almeida, Salvador Martinha e Dânia Neto, juntam-se aos veteranos Rui Unas e César Mourão, os capitães de equipa.

   O "Cenário Inclinado" é a "prova rainha" do formato e João Manzarra mantém-se como apresentador.

 

   

   As manhãs da SIC também se vão alterar. "A Vida Nas Cartas" termina já a 8 de setembro. A solução encontrada para substituir o programa de tarot foi esticar o "Queridas Manhãs". O fomarto apresentado por Júlia Pinheiro e João Paulo Rodrigues passa a ter início às 09H00.

 

 

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As novidades da RTP

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   A RTP1 é o canal generalista que mais novidades tem para apresentar ao público. A estação do Estado já colocou as cartas na mesa e é a primeira a estrear um programa na nova temporada. A partir de setembro podemos esperar muita ficção, música e magia.

 

   Conheça então os novos programas da RTP1 e a datas de estreia das novas temporadas de outros formatos

 

 

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 Em “O Impossível”, com Luís de Matos, vai poder conhecer as mais recentes criações do ilusionista português. Todos os programas vão contar com a participação de alguns dos melhores mágicos do mundo e também com figuras públicas.

 

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Os protagonistas desta série documental são a portuguesa Isadora Alves e o galego Rubén Riós. A dupla vai percorrer o caminho português de Lisboa a Santiago Compostela, utilizando a bicicleta como meio de transporte.

 

 

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  "The Voice Portugal" regressa para a 5ª. temporada. Como em equipa que ganha não se mexe, além do prémio final, nada se altera no talent-show. Ainda assim, as surpresas, as histórias e as vozes prometem colar os portugueses ao ecrã.

 

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   O enredo da série centra-se num escândalo que estará em vias de ser revelado e o Governo nacional encontra-se receoso com essa possibilidade. Assim, com o objetivo de solucionar o problema, a Ministra da Cultura tem a ideia de produzir a melhor telenovela de sempre com o intuito de distrair o país.

   Maria João Bastos, Nuno Lopes, José Raposo e Margarida Marinho fazem parte do elenco da série cómica.

 

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   O "5 Para A Meia-Noite" está de regresso para a 15ª. temporada, com muitas novidades, mas nos mesmos moldes da edição anterior. Filomena Cautela continua a ser o rosto do

late-night show de quinta-feira.

 

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"A Criação" é uma sitcom sobre agências de publicidade, protagonizada por atores vestidos de animais de peluche.

 

 

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   "1986" é uma comédia romântica, de época, escrita por Nuno Markl. A ideia central é a de revisitar o ano de 1986 em Portugal à volta de 5 personagens principais. Nesta altura, Diogo Freitas do Amaral e Mário Soares disputavam as eleições presidenciais.

 

 

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Ficha Técnica com Isabel Roma.: "É mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências"

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   Isabel Roma é produtora de televisão na RTP. Está na estação pública há mais de 17 anos, quase metade da sua vida. 

   

   Natural do Porto, tem a seu cargo o programa "Janela Indiscreta". Mário Augusto é a cara principal do formato que conta todas as novidades do cinema mundial.

 

   Em entrevista ao "Ficha Técnica", relata as exigências do trabalho e revela que as audiências não a preocupam. A produtora conta que a qualidade dos formatos que tem a cargo são a sua maior preocupação e que aprendeu na RTP a interessar-se apenas pelo Presente.

 

Isabel Roma de Oliveira

 

 

   

   A Caixa que já foi Mágica.: Está na RTP há 17 anos. Trabalhou sempre como produtora na televisão pública ou ocupou outros cargos?

 

   Isabel Roma.: Antes de ser produtora fui relações públicas e assistente de produção. Antes de trabalhar em audiovisuais trabalhei em turismo.

 

 

    ACQJFM.: Qual é o trabalho de um produtor de televisão?

 

    I.R.: Um produtor é aquele que tem que fazer tudo para que uma ideia se concretize, se possível, sem se fazer notar.

 

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores exigências no seu trabalho?

 

   I.R.: Saber tudo sobre cada projeto que se tem em mãos, mas saber igualmente delegar e confiar tarefas. Ser o primeiro a entrar e o último a sair.

 

Depois, dependendo do tipo de produção em causa: assegurar os melhores, mais credíveis e criativos conteúdos; assegurar as melhores condições de trabalho aos colegas (e isso pode incluir alojamento, alimentação, mas também um guarda-sol ou um comprimido para a dor de cabeça) ou assegurar que cada projeto fica dentro do orçamentado.

 

 

   ACQJFM.: De todos os programas que produziu, há algum que lhe deixe mais saudades? Qual foi o formato mas desafiante ao longo destes anos e porquê?

 

   I.R.: O ano do "Euro 2004" é inesquecível para todos os que, de alguma forma, estiveram envolvidos na transmissão dos jogos, programas de apoio, etc..

 

O projeto mais recente é sempre o mais desafiante. Ou, dito de outra forma, todos os projetos têm desafios diferentes. No ano passado, por exemplo, houve um projeto para a RTP2 chamado “Jogos Reais” que foi altamente desafiante!

 

 

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   ACQJFM.: É, atualmente, produtora do programa "Janela Indiscreta". Em que é que este formato é desafiante para si?

 

   I.R.: Este programa acaba por ser bastante simples, porque trabalhamos, maioritariamente, com conteúdos que nos são fornecidos. O meu colega Francisco Silva estabelece todas as pontes necessárias e assegura as gravações com o Mário Augusto.

 

 

   ACQJFM.: Uma vez que trabalha na televisão do Estado, quais são as maiores dificuldades em fazer serviço público?

 

   I.R.: Não chamaria dificuldades, mas antes responsabilidades. Se conhecermos as bases do Contrato de Concessão, se conhecermos as regras, na realidade não é nada difícil. E, em última instância, temos sempre uma estrutura que assegura que nunca perdemos o rumo.

 

Torna-se mais difícil, na verdade, explicar o Serviço Público para fora da empresa, porque quase ninguém fora da RTP lê um documento como o Contrato de Concessão! E isso dá origem a imensos “treinadores de bancada” que não sabem do que falam.

 

 

   ACQJFM.: As audiências preocupam-na?

 

   I.R.: Preocupa-me mais saber se os programas têm qualidade. E interessa-me saber se todas as formas de ver conteúdos são medidas, e não apenas quem vê no momento de emissão em televisão (refiro-me, por exemplo, ao on-demand).

 

 

   ACQJFM.: O que é que, na sua opinião, é mais difícil: garantir audiências ou fazer serviço público?

 

   I.R.: É mais difícil garantir audiências. E é muito mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências.

 

 

   ACQJFM.: Em 17 anos a RTP mudou muito a vários níveis. Hoje a estação é melhor do que era em 2000?

 

   I.R.: Está melhor, claro, e daqui a 17 anos estará melhor ainda. O percurso da RTP, embora nem sempre fácil, é muito sólido.

 

 

   ACQJFM.: O que é que gostava que o futuro profissional lhe reservasse?

 

   I.R.: Gosto mais de apreciar o presente do que ter expectativas. O melhor momento é o agora, porque esse já ninguém me tira – e isto aprendi com uma das pessoas mais especiais com quem me cruzei na RTP.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   I.R.: Para a maioria das pessoas, creio que sim. Mas para muitas outras, a caixa mágica de hoje está online ou na box.

 

 

 

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NOTA.: O "A Caixa Que Já Foi Mágica" vai de férias, mas promete regressar em setembro. Até lá, se for o caso, umas boas férias também para si :)

Pior a emenda

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   A SIC estreou a novela brasileira "Novo Mundo" em abril. No horário das 19H00, a estação de Carnaxide já era apenas a terceira estação preferida nas audiências.

 

   Com a chegada da história de época ficou ainda pior. Protagonizada por Isabelle Drummond e Chay Suede, "Novo Mundo" atirou a SIC para resultados miseráveis, abaixo até da audiência do programa das manhãs.

 

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   A solução encontrada foi colocar a produção da Globo para lá das 00H00 e fazer regressar o "Gosto Disto!", apresentado por Andreia Rodrigues e César Mourão. A repetição foi um desastre ainda maior. Chegou a perder para o último episódio de "A Escrava Isaura", da CMTV, e até mesmo a novela que antes ocupava o horário chegou a ter mais público.

 

 

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   A aposta ainda mais errada deu lugar, a semana passada, à reposição de "A Família Mata", que conta com Rita Blanco e José Pedro Gomes no elenco. Pouco ou nada mudou. A SIC continua em terceiro num horário importantíssimo. Cristina Ferreira e a TVI estão a léguas de distância e "O Preço Certo", da RTP1, também está longe.

 

   Ou na SIC andam a testar produtos para saber no que apostar em setembro ou então estão sem saber o que fazer. Não é com repetições que se sobem os resultados às 19H00. O "Jornal da Noite", por exemplo, já se recente nas audiências com estes péssimos antecedentes. A estação de Carnaxide tem de se mexer bem e depressa ou corre o risco de precisar de anos para recuperar a dignidade neste horário.

 

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Que se faça poucas vezes, mas que se faça as vezes necessárias

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   Este é um breve comentário àquilo que se passou, esta terça-feira, no Meo Arena. Debruço-me, obviamente, sobre as televisões que se juntaram, pela primeira vez, para uma emissão conjunta e solidária. O objetivo era só um: ajudar as vítimas dos incêndios de Pedrogão Grande.

 

   Queria dormir cedo, mas não consegui. O "Juntos Por Todos" foi um momento belíssimo de compaixão, entreajuda e de esperança. Dormi menos, mas dormi melhor.

 

   Foi bonito ver as caras de todas as televisões juntas por uma missão. Sem rivalidade. Tal como foi bonito ver que os três canais abdicaram de espaços de publicidade em pleno horário nobre. 

 

   Apesar da transmissão conjunta, cada canal teve os seus próprios comentadores e entrevistados. É aqui que destaco a TVI. Que me tenha apercebido, foi a única estação a estar em direto de Pedrogão Grande. Isso deu outra perspetiva à emissão e, também por isso, conseguiu liderar as audiências. Algo que pouco interessa porque, nesta noite, todos ganhámos.

 

   Destaco os dois momentos do espetáculo que mais me marcaram: a incrível prestação da fadista Carminho e o coro que se juntou a Salvador Sobral quando se cantou "Amar Pelos Dois".

 

   Que eventos como este se repitam e não só quando existam desgraças. Caso contrário, que se faça poucas vezes, mas que se faça as vezes necessárias.

 

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Mais de 2 milhões estiveram "Juntos Por Todos"

 

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Mais de 2 milhões estiveram "Juntos Por Todos"

 

 

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A emissão conjuta entre RTP1, SIC e TVI rendeu ao "Juntos Por Todos", esta terça-feira, mais de 2 milhões e 700 mil espetadores.

 

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   A TVI foi o canal preferido pelos portugueses para seguir a emissão do evento de ajuda às vítimas dos incêndios em Pedrogão Grande. Embora os três canais generalistas partilhassem a transmissão, cada um escolheu as suas caras para comentar o concerto e o ambiente no MEO Arena.

 

   A estação de Queluz de Baixo registou 13,3% de audiência média e 31,3% de quota de mercado. Estes valores correspondem a 1 milhão e 287 mil espectadores. 

 

   A SIC foi a segunda escolha dos portugueses. "Juntos Por Todos" registou cerca 808 mil espetadores em média. O valor foi de 8,3% de rating e 19,7% de quota média de mercado.

 

   A RTP1 foi a terceira escolha no horário nobre de ontem. O evento registou 7,2 % de rating e 16,8% de share. Este valor  significa que mais de 692 mil espetadores estiveram ligados ao canal público.

 

   A estes números das televisões somam-se ainda aqueles que seguiram a emissão pelas rádios nacionais ou pela Internet.

 

Lê também um breve comentário sobre o espetáculo:

Que se faça poucas vezes, mas que se faça as vezes necessárias

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Dados de audiência Total Dia (Live+VOSDAL) para 27 de junho de 2017. Os números apresentados são da responsabilidade da GfK/CAEM.

 

 

 

 

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"Juntos Por Todos"

   

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   Esta terça-feira (27/06), a RTP1, a SIC e a TVI emitem um concerto de homenagem às vítimas dos fogos florestais de Pedrógão Grande e zonas envolventes. A esta transmissão, em simultâneo pelas três televisões, juntam-se também todas as rádios. O valor dos bilhetes vai inteiramente para aqueles que foram prejudicados pelo incêndio que deflagrou a 24 de junho.

 

   Felizmente, os canais generalistas portugueses juntaram-se para um bem maior. É a primeira vez que o fazem e merecem um aplauso por isso. Vão abdicar da suas programações para emitir um evento em simultâneo. Sabem que vão perder audiências, porque vão dividi-las, mas sabem também que é preciso ajudar.

 

   No outro dia assisiti a uma entrevista a Carminho. A fadista dizia que "somos rivais quando está tudo bem, quando está tudo mal somos parceiros", numa alusão à rivalidade no mundo artístico e focando-se neste evento. Esta é a frase que melhor define este gesto das televisões portuguesas, das rádios e dos artistas.

 

   Tenho ainda  de enaltecer a atitude da SIC na semana que passou. Na segunda e na sexta-feira, dedicou a programação das manhãs e das tardes à tragédia que assolou a zona centro do país.

 

   Durante dois dias, abdicou de ganhar dinheiro com as chamadas de valor acrescentado, para angariar dinheiro que será doado a quem precisa. Obviamente que houve uma exploração da tragédia para conseguir audiências.

 

   Neste caso não condeno. Que tenha tido conhecimento, mais nenhum canal teve a grandeza deste gesto, que correspondeu a uma generosa quantia monetária, mas que nem por isso gerou melhores audiências para a estação de Carnaxide. A SIC merece os parabéns por esta atitude.

 

   O concerto tem início pelas 21h00, no MEO Arena, e a receita obtida será entregue à União Das Misericórdias Portuguesas.

   O "Juntos Por Todos" é uma iniciativa civil, co-produzida pela Sons em Trânsito , Nação Valente, MEO Arena, Blueticket, RTP, SIC, TVI e artistas participantes. São eles: Agir, Amor Electro, Ana Moura, Aurea, Camané - Página oficial, Carlos do Carmo, Carminho, D.A.M.A, David Fonseca, Diogo Piçarra , Gisela João, Helder Moutinho Official , João Gil, Jorge Palma, Luisa Sobral, Luís Represas, Matias Damásio, Miguel Araújo, Paulo Gonzo, Pedro Abrunhosa, Raquel Tavares, Rita Redshoes, Rui Veloso Oficial, Salvador Sobral e Sérgio Godinho. Os bilhetes já estão esgotados, mas o "bilhete solidário" pode ainda ser comprado.

 

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"No comments"

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   Geralmente não me junto aos coros de críticas que se fazem ecoar por essas redes sociais fora. Desta vez, não posso ficar indiferente.

 

   Neste domingo, em Pedrogão Grande, Judite Sousa fez uma reportagem junto de um corpo de uma mulher que morreu a fugir das chamas"Está um corpo aqui ao meu lado, de uma senhora, que ainda não foi recolhido, apesar de os bombeiros se encontrarem muito perto deste local”. Foram estas as palavras utilizadas pela jornalista enquanto apontava para o corpo apenas coberto por um lençol branco.

 

   Judite cometeu o maior erro da sua carreira neste dia. Aquilo que fez não tem desculpa. Desrespeitou a dor daqueles que sofreram e sofrem com a tragédia, desrespeitou aquela mulher e desrespeitou o jornalismo. A situação é delicada ou não fosse o incêndio na zona de Leiria a maior tragédia dos últimos anos em Portugal.

 

   Esta situação é imperdoável para qualquer jornalista e para qualquer canal. Neste caso, existe uma agravante. Judite Sousa perdeu o único filho em 2014. Na altura, a mãe pediu respeito por si e por André Sousa Bessa aos colegas jornalistas. A dor que com certeza ainda sente deviam tê-la feito perceber que estava a ultrapassar todos os limites. Ultrapassaram-se todas as regras de bom senso e do aceitável.

 

   Esta segunda-feira, à N-TV, falou sobre a situação dizendo apenas: "no comments!". Sem comentários mesmo, Judite!

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