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A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a televisão portuguesa

Até sempre RTP

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A notícia de que iriam existir alterações no serviço já não era animadora mas o governo foi mais longe. O modelo proposto para a RTP é o seguinte: fechar a RTP2 e concessionar o primeiro canal, ou seja, entregar a RTP1 a um operador privado que continue a ter em conta algumas obrigações de serviço público e, para isso, continuará a receber os 140 milhões de euros que os contribuintes pagam através da fatura da luz.

 

De todos os cenários já anunciados na imprensa, este é o pior deles. Acabar de vez com o segundo canal é acabar com a única estação de televisão portuguesa que se dedica à cultura e tudo o que ela envolve. É um canal de minorias mas, nem por isso, deixa de ser importante, até pelo contrário. É o único acesso que muitos atos culturais têm para chegar ao grande público e a única forma de se publicitarem.

 

Quanto à concessão da RTP1, bem, isso é ridículo. O ministro Miguel Relvas, responsável por estes assuntos, quer que os portugueses paguem por um canal privado que terá algumas obrigações de serviço público. Pagar por isso? Para quê? A SIC e a TVI são gratuitas e, de quando em vez, fazem serviço público.

 

Sem rodeios! Agora que a televisão pública deixou de ter prejuízos e, de há dois anos a esta parte, tenha conseguidos lucros de 15 e 19 milhões, respetivamente, quer entregar um bom negócio apenas por interesses económicos de quem gere o país. Nenhuma empresa iria querer pegar numa RTP moribunda e com dívidas.

 

Espero, muito sinceramente, que a "farinha do mesmo saco" que vive na residência oficial de Belém não deixe que esta ideia não passe disso mesmo. Felizmente, a Constituição portuguesa obriga o Estado a ter propriedade e gestão sobre um canal de televisão.

 

Já várias vezes escrevi neste blog que a RTP gere mal alguns dinheiros. Investe em programas sem interesse nenhum, alguns de má qualidade e outros que têm pouco de serviço público. Mesmo assim, não deixa de ser o melhor canal da televisão portuguesa com um bom serviço de informação e alguns bons programas.

 

Quem fez as contas descobriu isto: a grelha do primeiro canal custa 70 milhões de euros e a do segundo canal custa 20 milhões de euros. Os portugueses pagam, através da fatura da EDP, 140 milhões de euros, sobrando 40 milhões. Ou seja, o dinheiro que pagamos chega e sobra para garantir as duas estações.

 

Espero que a corja que lidera este país não nos consiga tirar o pouco que ainda temos!