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A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a televisão portuguesa

Recordar o quê?

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   Vou escrever-vos um texto curtinho do alto da minha "ponte". Sim, esta sexta-feira estou de folga. E estou, mais uma vez, muito mal impressionado com a SIC. É que se a burrice pagasse imposto havia alguém por lá muito pobre.

 

    "Tudo Incluído" é um novo programa emitido aos sábados à noite. No ano em que o canal comemora os 25 anos de existência, revivem-se ali os formatos de sucesso da estação. Na estreia, a nostalgia envolveu-me ao recordar o mítico "Big Show SIC". Nos anos 90 era tudo mais genuíno. Vivia-se sem "medo do ridículo" e talvez fosse um Portugal menos de fachada. Sim, porque o Portugal de hoje não é assim tão diferente daquele que ali se viu.

 

   Mas estou a escrever para vos informar que o próximo programa não vai trazer imagens de um "Ponto De Encontro", de um "Ai Os Homens", de um "Chuva de Estrelas", de um "Não Se Esqueça Da Escova De Dentes" ou, quem sabe, de um "Perdoa-me". O próximo "Tudo Incluído" vai centra-se no antiquíssimo "Vale Tudo". Um formato que foi originalmente exibido em 2013/14 e que foi reposto em 2016.

 

   Preciso escrever mais alguma coisa? Acho que não!

 

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Desilusão

 

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   Estive uns dias fora do país (peneirento) e, por isso, não tive tempo suficiente para escrever. Antes de ir, vi que a SIC preparava o regresso do "Gosto Disto!" e um novo programa chamado "Tudo Incluído". Estou completamente desiludido, talvez por culpa minha. Culpa minha porque achei que a SIC se tinha mexido e ia trazer novidades.

 

   Em primeiro lugar, pensei que o "Gosto Disto!" ia ter novos episódios, um novo cenário virtual, novos vídeos e que marcaria o regresso de César Mourão à televisão. Mesmo assim era pouco para uns dos horários mais competitivos da televisão portuguesa. Às 19h00, o canal de Carnaxide obtinha péssimos resultados com a novela brasileira "Novo Mundo".

 

   Em segundo lugar, pensei que o "Tudo Incluído" fosse a grande aposta para os domingos a partir de setembro. Um programa, sempre com o mesmo cenário, mas que a cada semana revivesse os icónicos programas da estação a propósito da comemoração dos seus 25 anos. 

 

   E o que é que a SIC preparou?

 

   Para as 19H00 retirou uma novela inédita, com maus resultados, e colocou no ar a repetição do "Gosto Disto!". Resultado? Não só não subiu nas audiências como nesta quarta-feira (07/06), por exemplo, teve a CMTV e a TV Globo, dois canais pagos, bem perto. Inpensável!

 

   Já o "Tudo Incluído", que estreia já este sábado (10/06), não é mais do que uma junção de vídeos dos grandes êxitos da SIC apresentados por Andreia Rodrigues.

 

   É tudo muito "poucochinho" para um canal que pretende ser líder de audiências.

 

   Repito. A SIC não é culpada pela minha desilusão. Eu é que ainda penso que o canal é aquele a que me habituei quando ainda era um criança.

 

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SIC altera programação a 5 de junho

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Os péssimos resultados de "Novo Mundo", às 19H00, terão sido a causa das mudanças na programação da SIC já a partir de segunda-feira.

 

 

   Com quatro portugueses no elenco, a novela brasileira "Novo Mundo", estreou em maio no horário de acesso ao prime-time. A trama não se conseguiu impor e colocou o canal de Carnaxide numa má posição. A audiência média dos cerca de 23 episódios exibidos não foi além dos 3,1% de rating e 10.1% de share. Bem longe do líder "Apanha Se Puderes", da TVI, e do "Preço Certo", da RTP1, vice-líder às 19H00.

 

   A SIC foi obrigada a mexer-se e o "Gosto Disto!" regressa já no dia 5 de junho. Apresentado por Andreia Rodrigues e César Mourão, o formato conta com a exibição de vídeos caseiros e alguns momentos de humor, protagonizados pelo ator e apresentador. O programa vai ocupar o horário deixado vago por "Novo Mundo" que é atirada para a madrugada.

 

   Ainda antes deste regresso, a reposição de "Laços de Sangue" é alargada em meia hora. Por sua vez, o "Juntos À Tarde" perde 30 minutos de exibição.

 

   Neste dia estreia ainda outra novela da TV Globo, às 23H30. "A Força Do Querer" é uma história de Glória Perez, autora de sucessos como "O Clone", "Explode Coração" e "Caminho das Índias".

 

   Com esta medida, a SIC passa a contar com mais de quatro horas de novelas no horário noturno, pelo menos até ao final de "A Lei Do Amor" que já entrou nos últimos episódios.

 

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Ficha Técnica com Mariana Marques: "Não pretendo regressar à televisão tão cedo"

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Taça de Portugal lidera e Ljubomir bate recorde

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A final da Taça de Portugal liderou as audiências deste domingo e o "Pesadelo na Cozinha" teve a sua emissão mais vista.

 

 

   O jogo entre o SL Benfica e o Vitória de Guimarães, na final da Taça de Portugal de futebol, registou uma audiência de 18,8% e 47,1% de quota média de mercado.

 

   A partida, mesmo emitida durante a tarde, não deu hipótese à concorrência e foi o programa mais visto de domingo ao garantir uma média de 1 milhão e 821 mil espetadores. 

 

   Por sua vez, o "Pesadelo na Cozinha" marcou o seu melhor resultado desde a estreia. Com 17,2% de rating e 35,8% de quota de mercado, o programa da TVI registou uma média de 1 milhão e 670 mil espetadores.

 

   No mesmo horário, a final do "Got Talent Portugal" conseguiu um dos melhores resultados da temporada, mas não foi além dos 945,400 espetadores em média.

 

   Bem longe esteve o "Just Duet" da SIC. O talent-show ainda não se conseguiu impor nas audiências e ficou-se pelos 424,500 espetadores em média.

 

   A RTP1 garantiu a liderança nas audiências de domingo, seguida da TVI e só depois da SIC.

 

 

Dados de audiência Total Dia (Live+VOSDAL) para 28 de maio de 2017. Os números apresentados são da responsabilidade da GfK/CAEM.

 

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Ficha Técnica com Mariana Marques: "Não pretendo regressar à televisão tão cedo"

 

 

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Ficha Técnica com Mariana Marques: "Não pretendo regressar à televisão tão cedo"

   

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   Mariana Marques foi uma mulher numa profissão dominada por homens. Aos 25 anos foi repórter de imagem na TVI e na CMTV. 

 

   A jovem de Marco de Canaveses fez da televisão a sua vida durante mais de três anos. Além dos dois canais de televisão, onde fez apenas trabalhos para a informação, passou ainda pelo Porto 24 e pelo Jornal de Notícias.

 

   Recentemente abandonou a profissão e mudou-se para Barcelona. Ao "Ficha Técnica", conta como vive uma mulher numa profissão na qual os homens estão em maioria. Fala ainda das dificuldades de um Repórter de imagem, da precariedade e revela que não pretende regressar à televisão se as condições se mantiverem como estão.

 

 

Mariana Marques

 

 

   A Caixa que já foi Mágica.: Porque é que deixou a televisão?

 

   Mariana Marques.: Deixei a televisão por causa da precariedade e da instabilidade relativamente ao futuro.

 

   ACQJFM.: Regressar à televisão faz parte dos seus planos?

 

   M.M.: Não, não pretendo regressar tão cedo. As condições teriam de mudar muito, algo que não me parece possível.

 

   ACQJFM.: Qual é o seu percurso profissional?

 

   M.M.: Comecei a estagiar no Jornal de Noticias. Depois fui para o Porto24 fazer reportagens sobre várias temáticas inerentes à cidade. Mudei-me para a CMTV até que recebi uma proposta da TVI, onde estive um ano e quatro meses. Agora estou em Barcelona.

 

   ACQJFM.: Além de, obviamente, captar imagem, o que é que faz um Repórter de imagem? 

 

   M.M.: A principal função do Repórter de imagem é contar a história ao telespetador através daquilo que filma. Para isso, quando está no terreno tem de criar uma sequencia mental da montagem final da reportagem. Ou seja, quando está no terreno tem de saber como vai contar a história. Todos os planos tem de estar relacionados para fazerem sentido a quem está a ver em casa.

 

   ACQJFM.: A ideia de que esta é uma profissão mais masculina é errada?

 

   M.M.: Nao é errada. Há poucas mulheres em Portugal a fazer jornalismo televisivo como repórter de imagem. Penso que se podem contar pelos dedos de uma mão. Ouvi sempre muitos comentários relacionados com isso: "muito bem, uma menina a fazer trabalho de homem" ou "isso é muito pesado para uma menina", coisas deste género

 

   ACQJFM.: Como é que uma mulher vive neste meio profissional? Alguma vez foi discriminada, profissionalmente, por ser mulher?

 

   M.M.: Sinto que unca fui discriminada. Sempre consegui fazer o meu trabalho.

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades na sua profissão?

 

   M.M.: Sentia principalmente a nível físico. Uma mulher tem mais dificuldades de agilidade e mobilidade. Mas penso que tem um olhar mais sensível e criterioso, o que compensa.

 

   ACQJFM.: Ao longo dos anos as profissões da área têm sofrido alterações. Um profissional já não faz só uma coisa, exige-se polivalência. No seu caso, de que forma é que essa polivalência está patente?

 

   M.M.: Eu filmava e editava reportagem. Apenas isso. E é bom, gosto de ser eu a montar as minhas peças

 

    ACQJFM.: A crise nos meios de comunicação social afetou a sua profissão? De que forma?

 

   M.M.: Sim, afetou imenso. Recibos verdes, horas a mais por dia, trabalhar noites, madrugadas, por aí...

 

   ACQJFM.: Qual foi o momento mais difícil pelo qual passou no seu percurso profissional?

 

   M.M.: Momentos difíceis são todos os que se relacionem com mortes de pessoas. É sempre difícil para o jornalista.

 

   ACQJFM.: Profissionalmente, qual é o seu maior desejo?

 

   M.M.: Uma carreira internacional

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a caixa mágica?

 

   M.M.: Para trabalhar penso que não, já atrai poucas pessoas. Sobretudo os jovens que procuram melhores condições de vida, algo que o jornalismo não dá.

 

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Ficha Técnica com a "voz" da TVI: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

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Ficha Técnica com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

  

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Salvador e Luísa sobem audiência da RTP

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A entrevista dos irmãos ao canal público, que foi para o ar esta terça-feira, foi seguida por cerca de 890 mil espetadores.

 

 

 

   A primeira entrevista de Salvador Sobral, após a vitória no Festival Eurovisão da Canção, fez com a que a RTP quase duplicasse a sua audiência às 21H00. O valor médio da estação no horário ronda os 4% ou 5% de rating.

 

   O especial conduzido por Vítor Gonçalves, e que contou também a presença de Luísa Sobral, registou uma audiência média de 8,5% de rating e 18,1% de quota de mercado.

 

   A entrevista foi o 6º. programa mais visto de terça-feira e o que melhor resultado registou na estação do Estado.

 

   Recorde-se que Salvador Sobral venceu, no passado dia 13 de maio, o Festival Eurovisão da Canção. A música "Amar Pelos Dois" foi escrita pela irmã, Luísa Sobral, e deu a Portugal a primeira vitória no certame internacional.

 

 

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Dados de audiência Total Dia (Live+VOSDAL) para 23 de maio de 2017. Os números apresentados são da responsabilidade da GfK/CAEM.

 

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Os Globos da SIC

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     A Gala dos "Globos de Ouro" de 2017 foi para o ar este domingo, na SIC.

 

    Cada vez mais, os "Globos de Ouro" são os globos da SIC. As músicas nomeadas passam em novelas do canal. As atrizes e atores nomeados e vencedores trabalham, na sua maioria, para o canal de Carnaxide. Isso é cada vez mais evidente sobretudo no prémio "Revelação" que, aliás, está a gerar polémica. Não é que aqueles que foram nomeados e que tenham recebido um Globo não o mereçam. A questão aqui é que pode existir uma certa descredibilização dos prémios em si.

 

   A verdade também é que vencer um "Globo de Ouro" não é assim tão importante. Por exemplo, a SIC devia mencionar, na promoção das suas novelas, que determinada atriz ou determinado ator são detentores daquele prémio, tal como se faz com os "Óscares". 

 

   Claro que isto não retira importância a esta entrega de prémios, já que é uma das únicas vezes em que se fala de Teatro em televisão, de Cinema português ou até de outras modalidades do Desporto que não sejam o futebol.

   

   Este ano, a cerimónia foi apresentada por João Manzarra, o que deu um toque mais descontraído e divertido ao evento. Manzarra subiu de forma e esteve bem.

   

   A gala não proporcionou extraordinários momentos de interesse e foi menos interessante ainda quando Fernando Santos, Selecionador nacional de futebol, recebeu dois prémios na mesma noite, sendo que um deles é o de "Mérito e Excelência". Mais uma vez, não que não o mereça, mas porque existem tantas figuras que o mereciam e nem mencionados foram.

 

   O melhor momento da noite foi aquele em que Rodrigo Guedes de Carvalho falou sobre violência doméstica. Bárbara Guimarães, que está envolvida num processo judicial do género com o ex-marido Manuel Maria Carrilho, estava ao seu lado e emocionou-se.

 

   Os "Globos de Ouro" passaram a ser, sobretudo, o momento em que as figuras públicas exibem os seus fatos e vestidos emprestados. Prova disso é que, já há vários anos, o especial sobre a "passadeira vermelha", exibido anteriormente, tem mais audiência do que a própria gala.

 

   Este ano, a cerimónia subiu nas audiências em relação a 2016. Foi o quarto programa mais visto de domingo, com cerca de 954 mil espetadores em média.

 

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Ficha Técnica com Pedro David: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

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Ficha Técnica com Pedro David: "Não escondo que vejo as novelas da TVI"

 

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   Na segunda parte do "Ficha Técnica", Pedro David conta como são os seus dias na TVI. O locutor revela de que forma consegue conciliar a sua profissão com a de DJ e esclarece a importância da locução para um canal de televisão.

 

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 Lê a primeira parte da entrevista clicando no logótipo do "Ficha Técnica":

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   ACQJFM.: Normalmente as intervenções de um "voice over" têm de ser curtas e concisas. No trabalho, o tempo é o seu maior inimigo?

 

   PD.: Sim, esta é daquelas profissões a que não podes chegar fora de horas e não te podes atrasar. Ou entras naquele minuto, naquele segundo, ou então já passou. Ou dizes o que tens para dizer, em 25 ou 50 segundos, ou então deixas a frase a meio.

 

 

   ACQJFM.: O facto de ser voz-off da TVI obriga-o a ser conhecedor ou, pelo menos, ler muita informação sobre a programação e o seu conteúdo. De que forma é que se prepara?

 

   PD.: Tenho o cuidado de tentar ver os episódios das novelas que a TVI transmite na véspera de estar de serviço. Assim, quando no dia seguinte entro ao serviço, é mais fácil localizar aquilo que o episódio do dia vai passar. Não escondo que “consumo” as novelas da TVI, já que elas fazem parte do meu material de trabalho.



   ACQJFM.: Que importância tem a locução para uma estação de televisão? Sente que é uma função que, ao longo dos anos, ganhou, perdeu ou manteve a sua relevância?

 

   PD.: Na minha opinião, sem querer “puxar a brasa à minha sardinha”, parece-me que este é um “pormenor” na emissão dos canais de televisão que está a ganhar cada vez mais espaço e importância. Se fizermos um “rewind”, a RTP há um tempo atrás não tinha locutores e hoje, não só tem, como intervêm em muitos momentos da emissão.

A SIC já há muito que tinha locutores no período de “prime-time” e agora já tem aos fins-de-semana, no período diurno.

A TVI há muitos anos que tem locutores, embora só no período do final da tarde até há uma da manhã. Penso que é uma mais valia para fazer a ligação entre a Estação e o espetador.

Apesar da imagem dos apresentadores, muitos deles estimados pela maioria do público, a verdade é que há aquela “voz” que todos os dias diz "boa noite" e está "ali sentado ao lado do espectador" para lhe lembrar o que pode ver a seguir e a convidar para não perder o episódio do dia seguinte. 

 

 

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   ACQJFM.: Além do seu cargo no canal de Queluz é também DJ. De que forma concilia as duas profissões?

 

   PD.: Sempre estive habituado a ter várias profissões ao mesmo tempo. Atualmente, conjugo apenas a TVI com o serviço de DJ. Por vezes troco a escala com os meus colegas Miguel Freitas, Ana Bernardino e Cláudia Macedo. Somos quatro locutores e entendemo-nos muito bem. Somos mais que colegas, somos amigos. Tentamos sempre ajudar-nos uns aos outros, de forma a que possamos estar bem com a empresa e também nas outras atividades que cada um tem.

Por vezes surgem alguns trabalhos mais difíceis de conjugar. Lembro-me de uma passagem de ano em que pedi ajuda aos meus colegas na TVI para estar livre da escala por 11 noites seguidas. Nesse período, estive ao serviço da TSF como jornalista. Depois descansei dois dias e voltei à escala da TVI. Quanto ao trabalho de DJ, marco as noites em discotecas sempre com a salvaguarda de qualquer alteração de última hora, visto que a Televisão e a Rádio são a minha prioridade.

 

 

   ACQJFM.: É a voz principal do canal português com maior audiência. É o ponto mais alto da sua carreira ou espera que o futuro lhe traga outros desafios?

 

   PD.: No dia em que eu achar que atingi o ponto alto da minha carreira, não terei mais vontade de me levantar da cama e ir trabalhar com gosto. Quero mais. Sei que tenho muito ainda para aprender. Adoro televisão e, apesar da idade ir avançando, desde que tomei consciência de que era este o caminho que queria seguir, não desisto de um dia realizar e apresentar um projeto de televisão.

Tenho formação na área, tenho carteira profissional e adorava fazer reportagem de guerra. Não desisto, porque gosto de aprender.

A minha primeira participação em televisão foi no "Big Show SIC", como apresentador de cidade e no júri estava Miguel Simões e Carlos Ribeiro, dois “Dinossauros “ da comunicação em Portugal e com quem tive o prazer de aprender e partilhar o estúdio, uns anos mais tarde. Passei pela Renascença onde também partilhei trabalhos com profissionais com alguns dos meus ídolos, como o António Sala, o Fernando Correia,  o Pedro Tojal, entre outros. Resumindo, espero chegar mais longe e espero cumprir todos os sonhos que tracei para mim.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   PD.: As redes sociais e a facilidade com que hoje se coloca uma imagem ou vídeo a circular na Internet, apagou um pouco o segredo dos bastidores da televisão. Na rádio esse efeito ainda é maior. O segredo e a curiosidade de saber como é a pessoa que está por trás daquela voz desapareceu com a evolução dos meios de comunicação. As rádios e as televisões tiveram de se adaptar à moda das redes sociais para criar uma aproximação com quem deixou de ouvir rádio ou ver TV.

No entanto, costumo dizer que os locutores de televisão são os "ilustres desconhecidos" da TV. Porquê? Porque todos os dias entramos na casa das pessoas, todos os dias lhes dizemos “boa noite” e convidamos para ficarem um pouco mais na nossa companhia, mas ninguém nos conhece a cara. Aliás, em qualquer um dos canais de TV em sinal aberto, nunca ninguém incluiu nas Galas de aniversário ou de Natal a presença dos locutores. Os tais que todos ouvem, mas que ninguém sabe quem são.

Desde que entrei para a TVI, em 2007, criei a minha frase : “Deixe-se ficar, vai ver que vai gostar!”. Por vezes, no dia a dia, acabo por dizer esta frase sem querer. Aconteceu-me há uns meses, numa caixa do supermercado, em que a funcionária olhava para um produto alimentar que eu levava e disse-me que já por várias vezes que esteve para comprar para ela, mas não sabia se ia gostar. Perante isto, disse-lhe de forma natural e sem querer: "tem de experimentar, vai ver que vai gostar !”. Quando acabei de dizer isto, a jovem olhou para mim e disse-me: “ Parecia que estava agora a ver a TVI”. Eu sorri, mas não disse mais nada. Percebi que o timbre de voz, juntamente com a frase que já é tão familiar dos espectadores, levou aquela jovem a reconhecer o tom da frase.

Não escondo orgulho, o que alguns preferem chamar vaidade.

Seja como for, tenho consciência de que o caminho que trilhei nunca conheceu o apelido “Cunha”. Estes episódios fazem-me sentir o efeito que tem a tal “caixa mágica”.

Ficha Técnica com Pedro David: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

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   Pedro David é um dos quatro locutores da TVI. Muito provavelmente, a grande maioria de nós conhecerá a sua voz, mas poucos saberão quem é.

 

    Está no canal de Queluz de Baixo desde 2007, embora tenha iniciado a carreira na Rádio. Jornalista de formação, começou na Nacional FM seguindo-se a Rádio Renascença. Já no Grupo Media Capital, juntou ao currículo a Rádio Nostalgia, a Mix Fm, o Rádio Clube Português, a M80, a Cidade Fm, a Romântica Fm e a Best Rock. Antes de se mudar para a televisão, trabalhou para a Rádio Comercial.

 

   Além da sua função no canal que lidera as audiências em Portugal, Pedro é também DJ.

 

   Em entrevista ao "Ficha Técnica", revela o seu percurso profissional, fala das exigências do seu trabalho e confessa um dos seus grandes desejos profissionais.

 

   A entrevista está dividida em duas partes. Podes ler a segunda parte já amanhã.

 

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   A Caixa que já foi Mágica.: Trabalhava na rádio e depois mudou-se para a TVI. Como surgiu o convite? 

 

   Pedro David.: Eu trabalhava na Rádio Comercial quando fiquei a saber da existência de duas vagas para Locutores na TVI. Embora o Grupo fosse o mesmo, as empresas eram diferentes e por isso tive que me candidatar como qualquer outra pessoa.

Em junho de 2007 recebi um telefonema no qual me informaram que tinha sido escolhido para uma das duas vagas. Mantive-me na Rádio como Jornalista e iniciei, em paralelo, a função de Locutor em julho do mesmo ano.

Foi um período alucinante. Em agosto inaugurei uma Croissanteria no Entroncamento. A par de tudo isto, estava ainda a dar formação de “Dicção de Rádio” nas instalações da ARIC (Associação de Rádios de inspiração Cristã), em Fátima. Estava ainda a gravar um projecto piloto de 13 programas para a RTP e tinha a agenda cheia como DJ.

Foi um ritmo alucinante de trabalho que mantive até 2009.  

 

   

   ACQJFM.: Quais são as suas principais tarefas?

 

   PD.: Na TVI, a principal função é a da criação de textos e a respetiva locução nos genéricos dos programas e telenovelas. Tenho de deixar o espetador “colado” à TV enquanto não entra a publicidade. É como quem deixa um convite por voz para que  se continue do outro lado e na nossa companhia. Depois, no decorrer dos programas, criamos as frases (tickers) que passam em rodapé, informando o que vai ser transmitido a seguir.

 

   

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades na sua profissão?

   

   PD.: Para mim, a maior dificuldade é criar um texto sempre mais apelativo e que desperte a curiosidade do espectador em relação ao último que fiz. O tempo é curto e a imaginação tem que funcionar.

Depois é ter segurança no que vamos dizer e da forma como passamos a mensagem. Não pode parecer ruído para quem nos ouve, mas sim uma voz amiga e familiar que todos os dias entra pela casa das pessoas, sem pedir autorização.

 

   

   ACQJFM.: Qual foi a situação mais complicada pela qual passou? E a mais caricata?

 

   PD.: O trabalho que fazemos é em direto. Houve um dia em que preparei o texto poucos minutos antes de ir para o ar e, no momento de mandar imprimir para ir para estúdio, a impressora encravou. Conclusão, fui para estúdio só com o texto em mente, mas o cansaço é uma arma inimiga da perfeição.

Quando a luz “ON AIR” acendeu, a minha memória apagou-se e daí para frente, os 45 segundos que tinha para falar, transformaram-se em 45 minutos. Parecia que nunca mais acabava o "off" e eu esqueci-me dos nomes dos programas que iam dar ao serão e até do programa que estava a terminar.

Então ficou qualquer coisa como isto: “Boa noite, este programa terminou, já a seguir a TVI preparou outro programa no género e mais tarde veja mais programas que a TVI preparou para esta noite da semana ( nem o dia me lembrava). Tenha uma boa noite com a programação da TVI “.

 

 

 

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 "Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

 

 

   ACQJFM.: A sua voz é muito característica. Sente que teve sorte e, por isso, chegou ao lugar onde está ou a sorte trabalha-se?

   

   PD.: Quando comecei na Rádio, a 20 de Fevereiro de 1990, falava pelo nariz e a cantar. Tinha a mania que era locutor e apenas tinha conhecimento daquilo que ouvia na antiga Radio Press, hoje TSF. Ouvia muito essa rádio e imitava o José Coimbra. Os anos e a insistência em ouvir o que fazia mostraram-me o que realmente era inaudível e o que estava errado. Tentei e aprendi a ser mais natural e foi aí que percebi que tinha algum potencial na voz. A partir dessa altura, pesquisei, ouvi, treinei e, acima de tudo, ganhei muito respeito pela minha voz.

 

 

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   ACQJFM.: Sendo a voz a sua principal ferramenta de trabalho, que cuidados tem?

 

   PD.: Confesso que não tenho muitos, mas há algumas coisas que evito fazer. Por exemplo, alterações bruscas de temperatura, beber água muito gelada, apanhar correntes de ar e comer alimentos muito quentes. À margem disto, não fumo e só bebo bebidas alcoólicas ocasionalmente por uma questão social.

 

 

   ACQJFM.: Como é que trabalha e treina as cordas vocais? É um trabalho idêntico ao de um cantor, por exemplo, ou algo mais específico?

 

   PD.: Tenho uma preocupação rotineira. Antes de iniciar um "off" ou um trabalho vocal, aqueço os 13 músculos da boca que interferem com o desempenho da dicção e das cordas vocais. Faço dois exercícios fundamentais durante dois a três minutos antes de falar para o "AR". São exercícios que ensino aos alunos das minhas formações. São truques que eles fazem e o resultado é imediato e notório.  

 

 

 

 

Lê a segunda parte da entrevista clicando no logótipo do "Ficha Técnica":

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Salvador amou primeiro para aprendermos a amar depois

   

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   Muito se vai escrever e muito se vai dizer sobre a vitória de Salvador Sobral no Festival Eurovisão da Canção. Este é um texto de um jovem que segue, há vários anos, o espetáculo europeu. De alguém que percebeu desde o início a beleza de "Amar Pelos Dois", mas que achou que esta canção não era festivaleira o suficiente para nos dar uma boa classificação.

 

   Foi essa a lição que Salvador e Luísa Sobral me deram a mim e a muitos portugueses. Não precisamos de ser iguais ao que vemos, ou seguir padrões. Temos de ser fiéis a nós próprios, temos de dar aquilo que de melhor temos e, sobretudo, temos de gostar daquilo que é nosso.

 

   Depois da vitória na final nacional, aprendi a olhar aquela canção com outros olhos, com outros ouvidos. Aconteceu-me a mim e terá acontecido com tantos outros portugueses. Salvador amou primeiro para aprendermos a amar depois.

 

   Foi também preciso que os "outros" adorassem e dissessem que podíamos vencer para, só depois, nós a adorarmos e acreditarmos também.

 

   Pela primeira vez, quisemos ganhar, pela primeira vez, a RTP quis ganhar. Tivemos orgulho e juntámo-nos em redor desta canção. Isso fez também a diferença.

 

   Curiosamente, vencemos no ano seguinte de termos ganho o Europeu de futebol, na Ucrânica. Em 2005, o mesmo aconteceu com a Grécia. Venceu o Euro 2004 e, no ano seguinte, ganhou o Festival também em Kiev.

 

   A vitória de ontem vai mudar muitas coisas. Haverá outro respeito pelo Festival Eurovisão da Canção. Provavelmente, deixará de haver vergonha dos bons artistas portugueses em participar e haverá uma nova forma de pensar as participações nacionais.

 

   Mais uma vez, estamos nas bocas do Mundo pelas melhores razões. Parabéns Salvador! Parabéns Luísa! Parabéns RTP! Parabéns Portugal!

 

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