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A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a televisão portuguesa

Para onde foi a magia da TV?

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Transportar um drama, um filme, um evento esportivo para uma caixa de madeira na sala de qualquer pessoa. Não se cobra nada por isso: basta que você tenha a caixa em casa. Parcela-se em mil vezes no cartão de crédito, todo mundo tem um aparelho televisor em casa.

É raro encontrar, na década de 2010, uma casa sem televisão. Mas é cada vez mais comum encontrar televisões que estão ligadas. Afinal, a produção das emissoras piorou? Provavelmente também não. O que ocorre é uma derrocada da televisão que começou em 1995.  Hoje em dia você pode fazer praticamente tudo no computador: desde participar de torneios de poker até pagar contas, apostar na loteria, falar com familiares em cidades distantes, conhecer pessoas novas, descobrir via facebook se uma paquera está namorando ou não e assistir a seus programas preferidos.

A world wide web começa a atacar

Até 1995 os computadores não eram tão “pessoais”. Salvo raríssimos casos – como o Macintosh – a maioria precisava de comandos que não eram tão fáceis de aprender (existiam até escolas de computação). Em 1995, o Windows 95 foi lançado -  e com ele tudo ficou mais intuitivo. Aos poucos,  as empresas de mídia começaram a abrir suas páginas na internet.

Aos poucos, também, a internet começou a absorver relações que ocorrem no mundo “real”. A primeira foram as conversas – as salas de bate-papo são criadas. Nelas, as pessoas conheciam outros com interesse comum (religião, esportes e etc). Essa primeira fase da internet dura até o final da década de 1990 – sem sequer ameaçar o poderio da televisão. Afinal de contas, o que era visto na televisão era visto apenas na televisão (e a grande maioria das interações humanas continuavam a serem feitas no mundo real).

 

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O primitivo Windows Media Player em 1995.

 

O ataque se consolida

A grande virada é quando a tecnologia começa a convergir para outras mídias. A partir do momento que se começa a produzir conteúdo exclusivo para a internet, abriu-se uma Caixa de Pandora que jamais seria fechada.

Vídeos exclusivos para a internet foram o primeiro passo. Depois, portais dedicados a assuntos de nicho – que não teriam espaço na televisão. O público se viu ante uma nova situação: não sou mais obrigado a ver o que me dão, porque a internet me dá de tudo. Por conseguinte, o paradigma muda em meados da década de 2000, então. O cenário anterior era o da Oferta. O cenário começa a ser o da Demanda.

YouChoose

O YouTube é o principal vilão da televisão. Teoricamente, pelas leis de direitos autoriais vigentes na maioria do mundo, um particular não poderia gravar um programa da TV e colocá-lo na internet sem a autorização expressa do produtor de conteúdo. Mas é óbvio que não é isso que acontece;

Existe um delay entre a postagem do vídeo e a derrubada dele por parte do YouTube. Nesse hiato, o público pode assistir o conteúdo sem pagar nada – e dando lucros a quem não produziu nada e só gravou.

Ante esse cenário, as grandes produtoras de entretenimento no mundo não tiveram outra opção nesse cenário ˜se não pode com o inimigo, junta-se a ele”. O primeiro passo foi a criação do canal Vevo – nele, metade do lucro de anúncios seria para o pool de gravadoras e metade para o Google (que à época já tinha comprado o YouTube).  Ao ver que o modelo deu certo, diversas emissoras começaram a licenciar seus programas para o YouTube – principalmente talk shows americanos. As grandes ligas esportivas americanas (NFL, NBA, NHL e MLB) fornecem atualmente pacotes pay per view com todos os jogos disponíveis ao telespectador por cerca de 200 dólares. O on demand entrou na moda.

 

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Em fevereiro de 2006 a rede americana NBC posta seu primeiro vídeo oficial no YouTube. Essa é considerada a primeira vez que conteúdo original da TV vai para o site hoje pertencente ao Google.

 

No final da década, diversas emissoras americanas já tinham seu conteúdo on demand disponíveis nos seus sites – séries, principalmente. Concomitantemente, os downloads piratas continuavam a existir (e o público não precisava mais assistir quando a emissora queria – mas, sim, quando ele queria).

O mundo real vira virtual

A partir do momento que as interações sociais são transportadas para o computador, a televisão começa a perder sua importância como veículo todo-poderoso. As cartas agora viraram e-mails – as pessoas não precisam se importar com a caligrafia (afinal, a letra será em Arial ou Times New Roman). Para pedir à esposa fazer um jantar diferente para si, não se liga mais: entra-se no whatsapp e manda-se uma mensagem.

Abre-se o Poker Stars e podes jogar poker com qualquer pessoa ao redor do mundo. Está perdido na rua? Agora você não para e pede informações a um estranho na rua. Abre o Waze e procura por meio do GPS. Está entediado e nenhum amigo está disponível? Skype.

Em suma: a televisão ficou de lado com as mil e uma possibilidades que as outras tecnologias (smartphones, tablets e computadores). Ainda é relevante? Sim. É porque as coisas acontecem primeiro na televisão – e porque, queira ou não, sua tela é maior.

 

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A guerra continua na segunda metade da década. Quem levará a melhor?

 

Em outras palavras, ainda há espaço para a televisão. Muito embora as mais pessimistas previsões digam que a internet – em suma YouTube e Netflix – irão engolir a televisão, os anunciantes continuam a olhar a tal caixa com bons olhos. Afinal de contas, o grande trunfo do Netflix é a ausência de anúncios – e no Youtube todo mundo pula os anúncios. E, afinal, você não vai assistir aos jogos da seleção portuguesa na Copa do Mundo sozinho em seu quarto olhando para a tela de um computador. Provavelmente irá assistir com uma televisão de 50 polegadas em sua sala com seus amigos. Por mais irônico que pareça, a televisão tornou-se um método eficaz de reunir os amigos e a família no mesmo ambiente – em meio a tantos NetFlixes e Whatappes.