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A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a televisão portuguesa

Público-Privado

 

 

Não quero ser mais papista que o Papa mas as diferenças entre a RTP e os canais privados são cada vez menores. De manhã há um talk-show, de tarde há uma novela, um talk-show e um concurso e de noite, desde esta segunda-feira, há duas séries que mais parecem novelas.

 

 

 

Bem sei que o canal do Estado precisa de se atualizar, de chegar a outros públicos e de tornar a grelha de programação mais coerente e horizontal. Contudo, não me parece que para isso a RTP precise de se colar tanto àquilo que os canais privados fazem.

 

Se Bem-Vindos a Beirais até podia fazer sentido ao início da noite o mesmo não posso afirmar com a entrada de Água de Mar em cena. Como já referi, são duas novelas "mascaradas" de séries que dão trabalho a muita gente mas que também não trazem nada de novo ou diferente do resto da oferta àquela hora.

 

A juntar a isso temos ainda a aposta no The Voice Portugal aos domingos que, apesar de achar que também faz sentido e de que é um dos melhores programas de televisão dos últimos tempos, também não deixa de ser mais do mesmo.

 

Quem dirige a RTP está a entrar num caminho perigoso que pode voltar a trazer à baila a antiga questão do que é ou não serviço público. É certo que tudo o que de diferente o canal público apresenta é, na maioria das vezes, rejeitado pelos portugueses.

 

As audiências comprovam-no. Bem-Vindos a Beirais e The Voice Portugal, por exemplo, conseguem captar um número bem agradável de público, algo que não acontecia há vários anos.

 

Mesmo assim, a RTP não pode ser "escrava" das audiências e não se deve deixar levar por caminhos fáceis e tentadores.

 

A entrevista a Dolores Aveiro, mãe de Cristiano Ronaldo, em pleno horário nobre é um bom exemplo do que não deve acontecer.