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A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a televisão portuguesa

Que se faça poucas vezes, mas que se faça as vezes necessárias

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   Este é um breve comentário àquilo que se passou, esta terça-feira, no Meo Arena. Debruço-me, obviamente, sobre as televisões que se juntaram, pela primeira vez, para uma emissão conjunta e solidária. O objetivo era só um: ajudar as vítimas dos incêndios de Pedrogão Grande.

 

   Queria dormir cedo, mas não consegui. O "Juntos Por Todos" foi um momento belíssimo de compaixão, entreajuda e de esperança. Dormi menos, mas dormi melhor.

 

   Foi bonito ver as caras de todas as televisões juntas por uma missão. Sem rivalidade. Tal como foi bonito ver que os três canais abdicaram de espaços de publicidade em pleno horário nobre. 

 

   Apesar da transmissão conjunta, cada canal teve os seus próprios comentadores e entrevistados. É aqui que destaco a TVI. Que me tenha apercebido, foi a única estação a estar em direto de Pedrogão Grande. Isso deu outra perspetiva à emissão e, também por isso, conseguiu liderar as audiências. Algo que pouco interessa porque, nesta noite, todos ganhámos.

 

   Destaco os dois momentos do espetáculo que mais me marcaram: a incrível prestação da fadista Carminho e o coro que se juntou a Salvador Sobral quando se cantou "Amar Pelos Dois".

 

   Que eventos como este se repitam e não só quando existam desgraças. Caso contrário, que se faça poucas vezes, mas que se faça as vezes necessárias.

 

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Mais de 2 milhões estiveram "Juntos Por Todos"

 

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Programas de futebol? Conteúdo ZERO

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   Abordar este assunto é cuspir no prato que já me deu de comer. Contudo, há alguns anos que não como deste prato, e sei que uma das razões que me afastou foi esta loucura ridícula do futebol.

 

   Existem uma imensidão de modalidades desportivas em que os portugueses são bons: atletismo, automobilismo, motociclismo, judo, canoagem, ciclismo, e tantas outras. Mas o futebol move milhões – de euros – e isso conta muito mais para a imprensa. Não quero com isto culpar os responsáveis pelos meios de comunicação em Portugal, mas sim o público que consome notícias e dá audiência a estes programas de comentários.

 

   Há uns anos ninguém acreditaria que ser comentador de futebol ia ser uma profissão. Hoje, não só é uma profissão, como parece ser uma das formas mais eficazes de chegar ao público português.

 

   Vejamos o caso daquele comentador candidato à Câmara Municipal de Loures, pelo PSD. André Ventura ganhou notoriedade nos últimos tempos na CMTV e agora tenta a sua sorte nas autárquicas. Estes programas são típicos a fazer emergir pessoas do nada…e não me venham dizer que o André Ventura já era uma pessoa muito conhecida, porque eu nem sabia quem ele era, e o meu barómetro é que conta!

 

   O pior destes programas não são as pessoas que lá estão a comentar e que acham digno ganharem dinheiro a analisar…NADA. O pior destes programas é que, através deles, percebemos que o público português gosta de consumir coisas sem conteúdo. Gosta de consumir horas de televisão em que se avaliam lances de jogos até à exaustão e nunca se chega a uma conclusão.

 

   Porquê? Porque os critérios de arbitragem, apesar de estarem definidos, podem sempre ser interpretados de várias formas. Os lances podem ser vistos de ângulos diferentes, tanto pelo árbitro como pelo espectador, e até pelos atletas que estão em campo. Lógico que existem coisas óbvias, mas para isso não são precisos comentadores, só precisamos de olhos para ver que é falta.

 

   Juro que não entendo o fenómeno! Eu própria, às vezes, dou por mim a ver estes programas. A maior parte das vezes porque algum antigo colega os está a conduzir e o factor proximidade acaba por me fazer colar uns minutos ao ecrã. Contudo, sinto sempre que estou a ver uma coisa que não me adianta nada. Não quero que estes programas acabem, nem que o futebol seja uma modalidade esquecida. Só gostava de viver num país diferente, com pessoas que consumissem conteúdos com qualidade, e onde a televisão pudesse ser um meio de comunicação para aprendermos algo novo todos os dias.

 

   Tenho televisão no quarto e não a ligo há meses…o Netflix e o Youtube são a minha nova “Caixa Mágica”. Mas isso fica para a próxima crónica.

 

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Cada coisa no seu lugar

 

 

Chamem-me "quadrado" ou o que quiserem, mas a ideia da TVI de substituir os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa, eleito Presidente da República, por míni concertos, em direto no Jornal das 8 de domingo, não podia ser mais descabida.

 

 

Para que serve afinal um jornal? Que eu saiba, serve para dar notícias, sejam elas mais sérias ou mais ligeiras, a quem o lê, vê ou ouve.

 

Desde que Marcelo abandonou o comentário politico, que dava a liderança indiscutível ao informativo, o canal de Queluz de Baixo ficou com uma lacuna difícil de colmatar.

 

Chegou a exibir grandes reportagens, mas maioritariamente preferiram exibir estes míni concertos com bandas ou artistas. A música é cultura e de todas as coisas más em que hoje em dia um jornal televisivo se transforma, esta será a menos má.

 

Ainda assim, existe um barreira que não deveria ser ultrapassada. A do entretenimento e a do jornalismo. Existe um sem fim de programas em que podem ser mostrados estes míni concertos, que têm qualidade, embora não sejam emitidos no formato certo.

 

Contudo, o formato que se inicia na TVI generalista dá seguimento ao programa Estúdio 24, uma parceria entre a Rádio Comercial e o canal informativo da estação, e esse sim, mesmo parecendo contraditório com tudo aquilo que estou a escrever, é um bom programa, digno de ser acompanhado.

 

Justiça seja feita, não é só a TVI que faz este tipo de eventos, também a SIC e a RTP1, mais esporadicamente, têm destas ideias. Quanto a mim, cada coisa no seu lugar.

 

Esta necessidade de prolongar os telejornais porque dão audiências com custos relativamente reduzidos está a desvirtuar o formato.

 

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Era Marcelo

 

Marcelo Rebelo de Sousa anunciou, esta semana, a sua candidatura à Presidência da República. Com esta opção, o professor vai deixar, já este domingo, a posição de comentador político no Jornal das 8 da TVI.

 

Marcelo regressou ao quarto canal em 2010 depois de uma passagem pela RTP. O noticiário tornou-se no mais visto graças à presença do professor.

 

O Jornal das 8 foi, até então, o primeiro ou segundo programa mais visto do dia alavancando os números do programa seguinte. Reality-shows, novelas ou afins, recebiam de mão beijada a liderança das audiências e, a partir daí, era mais fácil liderar a restante noite.

 

Agora, tudo muda. É mais do que certo que as audiências vão baixar e a RTP, mas sobretudo a SIC, esfregam as mãos de contentamento. É o fim de uma Era que deverá durar 10 anos, tempo que Marcelo Rebelo de Sousa poderá ocupar no poder se vencer as eleições de janeiro próximo.

 

A TVI pode não perder a liderança dos domingos à noite, mas certo é que tudo se tornou mais difícil e, respetivamente, mais fácil para a concorrência.

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