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A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a televisão portuguesa

"Juntos Por Todos"

   

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   Esta terça-feira (27/06), a RTP1, a SIC e a TVI emitem um concerto de homenagem às vítimas dos fogos florestais de Pedrógão Grande e zonas envolventes. A esta transmissão, em simultâneo pelas três televisões, juntam-se também todas as rádios. O valor dos bilhetes vai inteiramente para aqueles que foram prejudicados pelo incêndio que deflagrou a 24 de junho.

 

   Felizmente, os canais generalistas portugueses juntaram-se para um bem maior. É a primeira vez que o fazem e merecem um aplauso por isso. Vão abdicar da suas programações para emitir um evento em simultâneo. Sabem que vão perder audiências, porque vão dividi-las, mas sabem também que é preciso ajudar.

 

   No outro dia assisiti a uma entrevista a Carminho. A fadista dizia que "somos rivais quando está tudo bem, quando está tudo mal somos parceiros", numa alusão à rivalidade no mundo artístico e focando-se neste evento. Esta é a frase que melhor define este gesto das televisões portuguesas, das rádios e dos artistas.

 

   Tenho ainda  de enaltecer a atitude da SIC na semana que passou. Na segunda e na sexta-feira, dedicou a programação das manhãs e das tardes à tragédia que assolou a zona centro do país.

 

   Durante dois dias, abdicou de ganhar dinheiro com as chamadas de valor acrescentado, para angariar dinheiro que será doado a quem precisa. Obviamente que houve uma exploração da tragédia para conseguir audiências.

 

   Neste caso não condeno. Que tenha tido conhecimento, mais nenhum canal teve a grandeza deste gesto, que correspondeu a uma generosa quantia monetária, mas que nem por isso gerou melhores audiências para a estação de Carnaxide. A SIC merece os parabéns por esta atitude.

 

   O concerto tem início pelas 21h00, no MEO Arena, e a receita obtida será entregue à União Das Misericórdias Portuguesas.

   O "Juntos Por Todos" é uma iniciativa civil, co-produzida pela Sons em Trânsito , Nação Valente, MEO Arena, Blueticket, RTP, SIC, TVI e artistas participantes. São eles: Agir, Amor Electro, Ana Moura, Aurea, Camané - Página oficial, Carlos do Carmo, Carminho, D.A.M.A, David Fonseca, Diogo Piçarra , Gisela João, Helder Moutinho Official , João Gil, Jorge Palma, Luisa Sobral, Luís Represas, Matias Damásio, Miguel Araújo, Paulo Gonzo, Pedro Abrunhosa, Raquel Tavares, Rita Redshoes, Rui Veloso Oficial, Salvador Sobral e Sérgio Godinho. Os bilhetes já estão esgotados, mas o "bilhete solidário" pode ainda ser comprado.

 

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Informação ou Variedades?

Este domingo, dois dos principais serviços noticiosos da televisão portuguesa apresentaram duas situações pouco habituais, felizmente!

 

No Jornal das 8, da TVI, David Fonseca foi rapidamente entrevistado e apresentou o seu novo álbum, actuando, em directo. No Telejornal da RTP1, foi apresentada, durante cerca de vinte minutos, a nova série do programa 5 para a meia-noite

 

Dois jornais televisivos, próprios para transmitir ao público notícias sobre Portugal e sobre Mundo, transformam-se num espectáculo de variedades. 

 

Com tantos programas que existem, era mesmo necessário ter estes dois momentos na informação? Afinal um telejornal não serve só para informar? Serve também para entreter? Então para que servem os outros programas? Qual a diferença entre informação e entretenimento? 

 

Com estes dois exemplos, percebe-se que a diferença é cada vez mais ténue e isso não é bom. Ainda assim, o caso da RTP é bem mais gritante do que o da TVI

 

O canal público português, utilizou, sem qualquer tipo de pudor, um dos seus programas de maior audiência, que por acaso é o mais importante serviço noticioso da estação, para apresentar uma nova série de um programa que tem estreia marcada para breve. 

 

É impensável que um dia a RTP pudesse ter uma atitude deste género. Um espécie de conversa, em cenário "especial", num momento sem qualquer tipo de intenção informativa.

 

Cada macaco no seu galho, e seria bom que o futuro da informação em Portugal não passa-se por este tipo de opções e inovações, para bem do público e para que não se confundam dois géneros de televisão distintos.

 

A SIC salvou a "honra do convento" e, na mesma altura, emitia uma grande reportagem. Mas que não se fique a rir, porque já cometeu o mesmo erro.