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A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a tv portuguesa

21
Jul17

Ficha Técnica com Isabel Roma.: "É mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências"

Tiago Lourenço

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   Isabel Roma é produtora de televisão na RTP. Está na estação pública há mais de 17 anos, quase metade da sua vida. 

   

   Natural do Porto, tem a seu cargo o programa "Janela Indiscreta". Mário Augusto é a cara principal do formato que conta todas as novidades do cinema mundial.

 

   Em entrevista ao "Ficha Técnica", relata as exigências do trabalho e revela que as audiências não a preocupam. A produtora conta que a qualidade dos formatos que tem a cargo são a sua maior preocupação e que aprendeu na RTP a interessar-se apenas pelo Presente.

 

Isabel Roma de Oliveira

 

 

   

   A Caixa que já foi Mágica.: Está na RTP há 17 anos. Trabalhou sempre como produtora na televisão pública ou ocupou outros cargos?

 

   Isabel Roma.: Antes de ser produtora fui relações públicas e assistente de produção. Antes de trabalhar em audiovisuais trabalhei em turismo.

 

 

    ACQJFM.: Qual é o trabalho de um produtor de televisão?

 

    I.R.: Um produtor é aquele que tem que fazer tudo para que uma ideia se concretize, se possível, sem se fazer notar.

 

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores exigências no seu trabalho?

 

   I.R.: Saber tudo sobre cada projeto que se tem em mãos, mas saber igualmente delegar e confiar tarefas. Ser o primeiro a entrar e o último a sair.

 

Depois, dependendo do tipo de produção em causa: assegurar os melhores, mais credíveis e criativos conteúdos; assegurar as melhores condições de trabalho aos colegas (e isso pode incluir alojamento, alimentação, mas também um guarda-sol ou um comprimido para a dor de cabeça) ou assegurar que cada projeto fica dentro do orçamentado.

 

 

   ACQJFM.: De todos os programas que produziu, há algum que lhe deixe mais saudades? Qual foi o formato mas desafiante ao longo destes anos e porquê?

 

   I.R.: O ano do "Euro 2004" é inesquecível para todos os que, de alguma forma, estiveram envolvidos na transmissão dos jogos, programas de apoio, etc..

 

O projeto mais recente é sempre o mais desafiante. Ou, dito de outra forma, todos os projetos têm desafios diferentes. No ano passado, por exemplo, houve um projeto para a RTP2 chamado “Jogos Reais” que foi altamente desafiante!

 

 

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   ACQJFM.: É, atualmente, produtora do programa "Janela Indiscreta". Em que é que este formato é desafiante para si?

 

   I.R.: Este programa acaba por ser bastante simples, porque trabalhamos, maioritariamente, com conteúdos que nos são fornecidos. O meu colega Francisco Silva estabelece todas as pontes necessárias e assegura as gravações com o Mário Augusto.

 

 

   ACQJFM.: Uma vez que trabalha na televisão do Estado, quais são as maiores dificuldades em fazer serviço público?

 

   I.R.: Não chamaria dificuldades, mas antes responsabilidades. Se conhecermos as bases do Contrato de Concessão, se conhecermos as regras, na realidade não é nada difícil. E, em última instância, temos sempre uma estrutura que assegura que nunca perdemos o rumo.

 

Torna-se mais difícil, na verdade, explicar o Serviço Público para fora da empresa, porque quase ninguém fora da RTP lê um documento como o Contrato de Concessão! E isso dá origem a imensos “treinadores de bancada” que não sabem do que falam.

 

 

   ACQJFM.: As audiências preocupam-na?

 

   I.R.: Preocupa-me mais saber se os programas têm qualidade. E interessa-me saber se todas as formas de ver conteúdos são medidas, e não apenas quem vê no momento de emissão em televisão (refiro-me, por exemplo, ao on-demand).

 

 

   ACQJFM.: O que é que, na sua opinião, é mais difícil: garantir audiências ou fazer serviço público?

 

   I.R.: É mais difícil garantir audiências. E é muito mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências.

 

 

   ACQJFM.: Em 17 anos a RTP mudou muito a vários níveis. Hoje a estação é melhor do que era em 2000?

 

   I.R.: Está melhor, claro, e daqui a 17 anos estará melhor ainda. O percurso da RTP, embora nem sempre fácil, é muito sólido.

 

 

   ACQJFM.: O que é que gostava que o futuro profissional lhe reservasse?

 

   I.R.: Gosto mais de apreciar o presente do que ter expectativas. O melhor momento é o agora, porque esse já ninguém me tira – e isto aprendi com uma das pessoas mais especiais com quem me cruzei na RTP.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   I.R.: Para a maioria das pessoas, creio que sim. Mas para muitas outras, a caixa mágica de hoje está online ou na box.

 

 

 

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NOTA.: O "A Caixa Que Já Foi Mágica" vai de férias, mas promete regressar em setembro. Até lá, se for o caso, umas boas férias também para si :)

28
Mai17

Ficha Técnica com Mariana Marques: "Não pretendo regressar à televisão tão cedo"

Tiago Lourenço

   

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   Mariana Marques foi uma mulher numa profissão dominada por homens. Aos 25 anos foi repórter de imagem na TVI e na CMTV. 

 

   A jovem de Marco de Canaveses fez da televisão a sua vida durante mais de três anos. Além dos dois canais de televisão, onde fez apenas trabalhos para a informação, passou ainda pelo Porto 24 e pelo Jornal de Notícias.

 

   Recentemente abandonou a profissão e mudou-se para Barcelona. Ao "Ficha Técnica", conta como vive uma mulher numa profissão na qual os homens estão em maioria. Fala ainda das dificuldades de um Repórter de imagem, da precariedade e revela que não pretende regressar à televisão se as condições se mantiverem como estão.

 

 

Mariana Marques

 

 

   A Caixa que já foi Mágica.: Porque é que deixou a televisão?

 

   Mariana Marques.: Deixei a televisão por causa da precariedade e da instabilidade relativamente ao futuro.

 

   ACQJFM.: Regressar à televisão faz parte dos seus planos?

 

   M.M.: Não, não pretendo regressar tão cedo. As condições teriam de mudar muito, algo que não me parece possível.

 

   ACQJFM.: Qual é o seu percurso profissional?

 

   M.M.: Comecei a estagiar no Jornal de Noticias. Depois fui para o Porto24 fazer reportagens sobre várias temáticas inerentes à cidade. Mudei-me para a CMTV até que recebi uma proposta da TVI, onde estive um ano e quatro meses. Agora estou em Barcelona.

 

   ACQJFM.: Além de, obviamente, captar imagem, o que é que faz um Repórter de imagem? 

 

   M.M.: A principal função do Repórter de imagem é contar a história ao telespetador através daquilo que filma. Para isso, quando está no terreno tem de criar uma sequencia mental da montagem final da reportagem. Ou seja, quando está no terreno tem de saber como vai contar a história. Todos os planos tem de estar relacionados para fazerem sentido a quem está a ver em casa.

 

   ACQJFM.: A ideia de que esta é uma profissão mais masculina é errada?

 

   M.M.: Nao é errada. Há poucas mulheres em Portugal a fazer jornalismo televisivo como repórter de imagem. Penso que se podem contar pelos dedos de uma mão. Ouvi sempre muitos comentários relacionados com isso: "muito bem, uma menina a fazer trabalho de homem" ou "isso é muito pesado para uma menina", coisas deste género

 

   ACQJFM.: Como é que uma mulher vive neste meio profissional? Alguma vez foi discriminada, profissionalmente, por ser mulher?

 

   M.M.: Sinto que unca fui discriminada. Sempre consegui fazer o meu trabalho.

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades na sua profissão?

 

   M.M.: Sentia principalmente a nível físico. Uma mulher tem mais dificuldades de agilidade e mobilidade. Mas penso que tem um olhar mais sensível e criterioso, o que compensa.

 

   ACQJFM.: Ao longo dos anos as profissões da área têm sofrido alterações. Um profissional já não faz só uma coisa, exige-se polivalência. No seu caso, de que forma é que essa polivalência está patente?

 

   M.M.: Eu filmava e editava reportagem. Apenas isso. E é bom, gosto de ser eu a montar as minhas peças

 

    ACQJFM.: A crise nos meios de comunicação social afetou a sua profissão? De que forma?

 

   M.M.: Sim, afetou imenso. Recibos verdes, horas a mais por dia, trabalhar noites, madrugadas, por aí...

 

   ACQJFM.: Qual foi o momento mais difícil pelo qual passou no seu percurso profissional?

 

   M.M.: Momentos difíceis são todos os que se relacionem com mortes de pessoas. É sempre difícil para o jornalista.

 

   ACQJFM.: Profissionalmente, qual é o seu maior desejo?

 

   M.M.: Uma carreira internacional

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a caixa mágica?

 

   M.M.: Para trabalhar penso que não, já atrai poucas pessoas. Sobretudo os jovens que procuram melhores condições de vida, algo que o jornalismo não dá.

 

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Ficha Técnica com a "voz" da TVI: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

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Ficha Técnica com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

  

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24
Mai17

Salvador e Luísa sobem audiência da RTP

Tiago Lourenço

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A entrevista dos irmãos ao canal público, que foi para o ar esta terça-feira, foi seguida por cerca de 890 mil espetadores.

 

 

 

   A primeira entrevista de Salvador Sobral, após a vitória no Festival Eurovisão da Canção, fez com a que a RTP quase duplicasse a sua audiência às 21H00. O valor médio da estação no horário ronda os 4% ou 5% de rating.

 

   O especial conduzido por Vítor Gonçalves, e que contou também a presença de Luísa Sobral, registou uma audiência média de 8,5% de rating e 18,1% de quota de mercado.

 

   A entrevista foi o 6º. programa mais visto de terça-feira e o que melhor resultado registou na estação do Estado.

 

   Recorde-se que Salvador Sobral venceu, no passado dia 13 de maio, o Festival Eurovisão da Canção. A música "Amar Pelos Dois" foi escrita pela irmã, Luísa Sobral, e deu a Portugal a primeira vitória no certame internacional.

 

 

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Ficha Técnica com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

  

Dados de audiência Total Dia (Live+VOSDAL) para 23 de maio de 2017. Os números apresentados são da responsabilidade da GfK/CAEM.

 

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19
Mai17

Ficha Técnica com Pedro David: "Não escondo que vejo as novelas da TVI"

Tiago Lourenço

 

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   Na segunda parte do "Ficha Técnica", Pedro David conta como são os seus dias na TVI. O locutor revela de que forma consegue conciliar a sua profissão com a de DJ e esclarece a importância da locução para um canal de televisão.

 

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 Lê a primeira parte da entrevista clicando no logótipo do "Ficha Técnica":

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   ACQJFM.: Normalmente as intervenções de um "voice over" têm de ser curtas e concisas. No trabalho, o tempo é o seu maior inimigo?

 

   PD.: Sim, esta é daquelas profissões a que não podes chegar fora de horas e não te podes atrasar. Ou entras naquele minuto, naquele segundo, ou então já passou. Ou dizes o que tens para dizer, em 25 ou 50 segundos, ou então deixas a frase a meio.

 

 

   ACQJFM.: O facto de ser voz-off da TVI obriga-o a ser conhecedor ou, pelo menos, ler muita informação sobre a programação e o seu conteúdo. De que forma é que se prepara?

 

   PD.: Tenho o cuidado de tentar ver os episódios das novelas que a TVI transmite na véspera de estar de serviço. Assim, quando no dia seguinte entro ao serviço, é mais fácil localizar aquilo que o episódio do dia vai passar. Não escondo que “consumo” as novelas da TVI, já que elas fazem parte do meu material de trabalho.



   ACQJFM.: Que importância tem a locução para uma estação de televisão? Sente que é uma função que, ao longo dos anos, ganhou, perdeu ou manteve a sua relevância?

 

   PD.: Na minha opinião, sem querer “puxar a brasa à minha sardinha”, parece-me que este é um “pormenor” na emissão dos canais de televisão que está a ganhar cada vez mais espaço e importância. Se fizermos um “rewind”, a RTP há um tempo atrás não tinha locutores e hoje, não só tem, como intervêm em muitos momentos da emissão.

A SIC já há muito que tinha locutores no período de “prime-time” e agora já tem aos fins-de-semana, no período diurno.

A TVI há muitos anos que tem locutores, embora só no período do final da tarde até há uma da manhã. Penso que é uma mais valia para fazer a ligação entre a Estação e o espetador.

Apesar da imagem dos apresentadores, muitos deles estimados pela maioria do público, a verdade é que há aquela “voz” que todos os dias diz "boa noite" e está "ali sentado ao lado do espectador" para lhe lembrar o que pode ver a seguir e a convidar para não perder o episódio do dia seguinte. 

 

 

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   ACQJFM.: Além do seu cargo no canal de Queluz é também DJ. De que forma concilia as duas profissões?

 

   PD.: Sempre estive habituado a ter várias profissões ao mesmo tempo. Atualmente, conjugo apenas a TVI com o serviço de DJ. Por vezes troco a escala com os meus colegas Miguel Freitas, Ana Bernardino e Cláudia Macedo. Somos quatro locutores e entendemo-nos muito bem. Somos mais que colegas, somos amigos. Tentamos sempre ajudar-nos uns aos outros, de forma a que possamos estar bem com a empresa e também nas outras atividades que cada um tem.

Por vezes surgem alguns trabalhos mais difíceis de conjugar. Lembro-me de uma passagem de ano em que pedi ajuda aos meus colegas na TVI para estar livre da escala por 11 noites seguidas. Nesse período, estive ao serviço da TSF como jornalista. Depois descansei dois dias e voltei à escala da TVI. Quanto ao trabalho de DJ, marco as noites em discotecas sempre com a salvaguarda de qualquer alteração de última hora, visto que a Televisão e a Rádio são a minha prioridade.

 

 

   ACQJFM.: É a voz principal do canal português com maior audiência. É o ponto mais alto da sua carreira ou espera que o futuro lhe traga outros desafios?

 

   PD.: No dia em que eu achar que atingi o ponto alto da minha carreira, não terei mais vontade de me levantar da cama e ir trabalhar com gosto. Quero mais. Sei que tenho muito ainda para aprender. Adoro televisão e, apesar da idade ir avançando, desde que tomei consciência de que era este o caminho que queria seguir, não desisto de um dia realizar e apresentar um projeto de televisão.

Tenho formação na área, tenho carteira profissional e adorava fazer reportagem de guerra. Não desisto, porque gosto de aprender.

A minha primeira participação em televisão foi no "Big Show SIC", como apresentador de cidade e no júri estava Miguel Simões e Carlos Ribeiro, dois “Dinossauros “ da comunicação em Portugal e com quem tive o prazer de aprender e partilhar o estúdio, uns anos mais tarde. Passei pela Renascença onde também partilhei trabalhos com profissionais com alguns dos meus ídolos, como o António Sala, o Fernando Correia,  o Pedro Tojal, entre outros. Resumindo, espero chegar mais longe e espero cumprir todos os sonhos que tracei para mim.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   PD.: As redes sociais e a facilidade com que hoje se coloca uma imagem ou vídeo a circular na Internet, apagou um pouco o segredo dos bastidores da televisão. Na rádio esse efeito ainda é maior. O segredo e a curiosidade de saber como é a pessoa que está por trás daquela voz desapareceu com a evolução dos meios de comunicação. As rádios e as televisões tiveram de se adaptar à moda das redes sociais para criar uma aproximação com quem deixou de ouvir rádio ou ver TV.

No entanto, costumo dizer que os locutores de televisão são os "ilustres desconhecidos" da TV. Porquê? Porque todos os dias entramos na casa das pessoas, todos os dias lhes dizemos “boa noite” e convidamos para ficarem um pouco mais na nossa companhia, mas ninguém nos conhece a cara. Aliás, em qualquer um dos canais de TV em sinal aberto, nunca ninguém incluiu nas Galas de aniversário ou de Natal a presença dos locutores. Os tais que todos ouvem, mas que ninguém sabe quem são.

Desde que entrei para a TVI, em 2007, criei a minha frase : “Deixe-se ficar, vai ver que vai gostar!”. Por vezes, no dia a dia, acabo por dizer esta frase sem querer. Aconteceu-me há uns meses, numa caixa do supermercado, em que a funcionária olhava para um produto alimentar que eu levava e disse-me que já por várias vezes que esteve para comprar para ela, mas não sabia se ia gostar. Perante isto, disse-lhe de forma natural e sem querer: "tem de experimentar, vai ver que vai gostar !”. Quando acabei de dizer isto, a jovem olhou para mim e disse-me: “ Parecia que estava agora a ver a TVI”. Eu sorri, mas não disse mais nada. Percebi que o timbre de voz, juntamente com a frase que já é tão familiar dos espectadores, levou aquela jovem a reconhecer o tom da frase.

Não escondo orgulho, o que alguns preferem chamar vaidade.

Seja como for, tenho consciência de que o caminho que trilhei nunca conheceu o apelido “Cunha”. Estes episódios fazem-me sentir o efeito que tem a tal “caixa mágica”.

04
Mai17

"Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

Tiago Lourenço

 

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   Tiago Brochado é realizador, coordenador de produção e de régie na BTV. Está no canal do Sport Lisboa e Benfica há mais de três anos, depois de uma curta passagem pela CMTV. Ao currículo, junta ainda cerca de 7 anos na SportTV e outros 12 na SIC.

 

   Aos 37 anos, é um dos três profissionais destinados a realizar, para a televisão, as grandes partidas dos maiores clubes do futebol português. 

 

   Neste primeiro "Ficha Técnica", Tiago fala sobre o seu percurso profissional, as maiores dificuldades e as exigências de dirigir as câmaras num grande derby do futebol português.

 

   O realizador conta ainda que o momento mais difícil da carreira foi no dia em que Miklós Fehér, jogador do Benfica, morreu. Em 2004, Tiago trabalhava na SportTV e estava lá, atrás das câmaras.

 

   O profissional conta ainda como correu a passagem pela CMTV e o que faz no seu trabalho.

 

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     A Caixa que já foi Mágica.: Qual é o trabalho de um Realizador de televisão?

 

   Tiago Brochado.: O trabalho de um Realizador de televisão é coordenar e orientar uma equipa de profissionais na realização de um conteúdo televisivo, que pode ser de informação, entretenimento ou eventos. Também faz parte da preparação da sua produção, como por exemplo, fazer o plano de câmaras.

 

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades no seu trabalho?

 

   T.B.: As maiores dificuldades são lidar com o imprevisto do direto, onde tudo pode acontecer: problemas técnicos, problemas com elementos da equipa ou outros fatores externos que não conseguimos controlar. Estes aspetos podem interferir negativamente na transmissão.

 

 

   ACQJFM.: A crise nos meios de comunicação afetou a profissão?

 

   T.B.: Não me posso queixar, tenho tido sempre trabalho e projetos interessantes. Não chamaria crise, mas sim evolução e mudança no meio audiovisual.  

 

 

   ACQJFM.: A realização em Portugal tem evoluído ao longo dos anos? De que forma?

 

   T.B.: Sim. Em Portugal as realizações de diversas transmissões têm evoluído e melhorado, apesar de fazermos “muito com pouco”. Conseguimos acompanhar a evolução a que se tem assistido na Europa, apesar de haver pouco investimento.

 

 

   ACQJFM.: Lembra-se da situação mais complicada pela qual passou durante o seu percurso profissional?

 

   T.B.: Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér, em 2004. Na altura, estava a fazer mistura de vídeo para a SportTV e o realizador, ao aperceber-se do que estava a acontecer, emocionou-se e saiu do carro de exteriores. Eu, bem como o resto da equipa, continuámos a emissão, por muito que nos custasse. Na altura, apesar de ainda não ser realizador, fui fazendo a gestão dos planos que eram transmitidos e tentei preservar ao máximo o jogador. Dar dignidade à transmissão mostrando apenas planos abertos.

 

 

   ACQJFM.: É Realizador dos jogos de futebol do Sport Lisboa e Benfica, para a BTV. Há diferenças entre realizar um derby ou qualquer outro jogo? Porquê?

 

   T.B.: Sim, há. Ao realizar um derby ou um clássico devemos ter um cuidado especial. São jogos em que há mais espectadores e hoje em dia os comentadores desportivos visionam o nosso trabalho "frame" a "frame". O nosso trabalho é avaliado com mais rigor neste tipo de jogos e a imparcialidade é sempre posta à prova por quem está a avaliar e a assistir. Neste momento, em Portugal, estes grandes jogos são feitos apenas por três realizadores: eu, o Juan Figueroa e o Gustavo Fonseca, da Media Luso.

 

 

   ACQJFM.: Numa partida de futebol há muitos pormenores e muitas situações imprevisíveis. De que forma é que se gere a quantidade de imagens que lhe chegam?

 

   T.B.: Gerir todas essas imagens vai um pouco da experiência de cada Realizador. Numa transmissão de um jogo gosto de mostrar o espectáculo do futebol, as pessoas que vão ao estádio, as crianças, mostrar lá para casa que a família pode ir ao futebol. Gosto de mostrar pequenas “estórias” que vão acontecendo no decorrer do jogo. 

 

 

   ACQJFM.: Já realizou galas, concertos do "Rock in Rio", programas de informação, entre outros? O que é que lhe falta fazer?

 

   T.B.: Em termos de transmissões em direto acho que já fiz um pouco de tudo. Gosto de fazer parte de novos projetos, fazer parte da criação ou renovação de canais de televisão.

 

 

   ACQJFM.: Se tivesse de escolher entre realizar uma gala ou um jogo de futebol, qual escolheria? Porquê?

 

   T.B.: Um jogo de futebol. Os jogos de futebol são mais imprevisíveis e a adrenalina sobe quando são grandes jogos. Não existe um guião ou ensaios como nas galas, tudo acontece naquele momento, temos de tomar decisões no imediato. 

 

 

   ACQJFM.: Na sua carreira, a permanência na Cofina, mais propriamente na CMTV, foi a que menos tempo durou (cerca de um ano e três meses). Houve algo que correu mal ou a missão foi cumprida?

 

   T.B.: Quando fui para a CMTV integrei uma equipa que criou um canal "do zero". Fiz parte da criação de toda a imagem de canal, contratei equipas, formei técnicos, formatei e fiz parte da criação de quase todos os programas. Tudo isto e muito mais, em apenas quatro meses. No entanto, depois da estreia, percebi que não estava enquadrado na filosofia da estação e percebi que não conseguiria concretizar algumas das ideias que tinha. Na altura, surgiu o convite da BTV e achei que não podia recusar, acabando por sair da CMTV. 

 

 

   ACQJFM.: Quais são as suas ambições, daqui para a frente, na BTV?

 

   T.B.: A BTV, nestes últimos 3 anos, tem mostrado que é um bom canal de desporto. A minha ambição daqui para a frente é continuar a crescer e mostrar que somos capazes de muito mais.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   T.B.: Acho que sempre será.

 

 

 

O logotipo do "Ficha Técnica" é da autoria do designer Marco Almeida.

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03
Mai17

"Ficha Técnica - Dar rosto aos nomes" estreia amanhã

Tiago Lourenço

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   "Ficha Técnica" é a nova rubrica do "A Caixa que já foi Mágica". A televisão faz parte das nossas vidas e, apesar de a Internet lhe roubado espaço, todos nós, muito ou pouco, damos atenção ao que nela se passa.

 

   Conhecemos os rostos que aparecem à frente das câmaras, sejam eles apresentadores, jornalistas, atores, comentadores, entre outros. Ainda assim, não conhecemos aqueles que estão por trás delas. São muitos, com as mais variadas profissões, mas todos com a missão de fazer chegar o melhor ao nosso ecrã. Para nós, espetadores, não passam de nomes. Os nomes que passam a "correr" na ficha técnica no final de cada programa. 

 

   Neste novo espaço, os nomes vão passar a ter rosto. Será um espaço de entrevista àqueles que fazem televisão e uma interessante viagem pelos bastidores.

 

   Tiago Brochado, realizador de televisão da BTV, é o primeiro rosto do "Ficha Técnica". Em entrevista, revela que o momento mais difícil da carreira foi gerir as emoções no jogo em que Miklós Fehér, jogador do Sport Lisboa e Benfica, morreu. Tiago estava lá, atrás da câmaras.

 

 

O logotipo do "Ficha Técnica" é da autoria do designer Marco Almeida.

 

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29
Mar17

Diana Bouça-Nova: "Acho difícil regressar ao entretenimento"

Tiago Lourenço

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Diana Bouça-Nova (RTP)

 

 

 

   

 

 

   Diana Bouça-Nova, de 31 anos, é jornalista da RTP desde 2015.  Apesar de fazer da informação a sua vida profissional, foi no entretenimento que, inicialmente, se destacou.

 

 

   Em 2009, tornou-se numa das caras da SIC Radical. Foi apresentadora do "Curto Circuito" e repórter em eventos como o "Rock in Rio - Lisboa".

   

   Em entrevista ao "A Caixa que já foi Mágica", revela qual o sentimento de um jornalista ao ser notícia, por motivos pessoais, como é o seu caso. Fala dos planos para o futuro na estação pública e conta ainda como foi a mudança de registo na televisão.

 

 

 

   ACJFM.: Como correu a passagem do entretenimento para o jornalismo? No início, as diferenças entre estas duas vertentes criaram-lhe dificuldades? 

 

   Diana Bouça-Nova.: A passagem foi tranquila. Já tinha feito jornalismo antes. Sou jornalista. Ainda bem que há sempre desafios.

 

   

   ACJFM.: Os novos colegas conheciam o seu trabalho como apresentadora?

 

   DBN.: Alguns sim. Mas isso nunca foi motivo de privilégio ou do contrário.

 

   

   ACJFM.: Desde que está na RTP, como jornalista, qual foi o trabalho que lhe deu mais gozo fazer? E qual o que lhe criou mais dificuldades?

 

   DBN.: Há vários. É difícil definir apenas um. Gosto muito de trabalhos que envolvam sair em reportagem por algum tempo. Obriga-nos, enquanto jornalistas, a "mergulharmos" naquele trabalho. É muito bom.

   Tenho a sorte de já ter tido alguns assim. Adorei fazer parte da equipa do Euro, que teve o melhor final possível e tantos outros trabalhos. Felizmente, não posso dizer que tenha tido algum com grandes dificuldades.

 

   

   ACJFM.: Afirmou, em entrevista, que espera "crescer na RTP". Quais são as suas perspetivas em relação ao futuro no canal público?

 

   DBN.: "Crescer" engloba muita coisa. É essencial para mim saber mais e fazer melhor todos os dias. Estar num canal como a RTP tem esse peso e essa é também uma responsabilidade que carrego comigo sempre, em qualquer lado. Gosto de desafios, de "sair da minha zona de conforto", trabalhar em áreas novas. Ainda tenho muito para aprender!

 

   

   ACJFM.: Tem sido notícia por alguns assuntos pessoais, como o seu casamento e o nascimento do primeiro filho. Agora que está do outro lado, do lado do jornalista, como é que encara o facto de continuar a ser notícia?

 

   DBN.: Nunca foi muito confortável para mim e continua a não ser. No entanto, já me habituei. Vivo na velha máxima de livro aberto. Prefiro ser eu a dar a notícia e partilhar do que ter a imprensa a "tentar saber". Não me incomoda que se saiba que casei e que tive um filho porque ambos são motivos de felicidade. Dizem respeito à minha vida? Sim, claro. Mas porque não partilhar com os outros?

 

   

   ACJFM.: Um regresso ao entretenimento está fora de questão?

 

   DBN.: Acho difícil...

 

   

   ACJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   DBN.: A televisão continua e quero acreditar que vai continuar a ser mágica!

 

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15
Mar15

Espanhol não é português

Tiago Lourenço

 O programa Alta Definição da SIC teve como convidado Joaquín Cortés. O bailarino espanhol, mundialmente conhecido, é um dos jurados do programa Achas que Sabes Dançar? e, quanto a mim, é uma grande conquista ter alguém deste gabarito num talent-show português.

 

A sua presença no programa de dança faz todo o sentido mesmo que se exprima apenas em espanhol. As apreciações faz aos concorrentes são curtas e, caso exista algo que não se entenda, existe a apresentadora ou os colegas do júri para desfazer as dúvidas da língua.

 

No sábado vi a entrevista de Cortés a Daniel Oliveira. Vi, ouvi e não gostei do facto de não existirem legendas. Nem eu nem nenhum espetador do programa tem de saber espanhol.

 

Dei por mim, em algumas fases da entrevista, a não entender aquilo que estava a ser dito pelo bailarino. Eu sei o básico de espanhol e há quem nem o básico saiba.

 

Não se pode achar que todos os espetadores percebem aquilo que está a ser dito noutra língua. A ausência de legendas revelou presunção e elitismo por parte de quem coordena o formato.

 

Um programa deste género não se pode dar ao luxo de cometer estes erros.

29
Ago14

"Só o trabalho nos salva!"

Tiago Lourenço

Esta quinta-feira vi a entrevista que Cristiano Ronaldo deu a Judite Sousa na TVI pelo mesmo motivo que muitos a viram: o regresso da jornalista ao trabalho depois da morte do seu único filho.

 

Aquele início foi tão sofrido para a Judite que a mim me provocou o mesmo sentimento. Tremeu, quase chorou e mesmo assim conseguiu fazer o seu trabalho. Só se pode tratar de uma grande profissional.

 

Eu sei que já o era mas nem sempre apreciei o seu trabalho. A Judite mereceu a minha atenção e merece o meu aplauso. Foi visível o seu desconforto e a sua tristeza embora, ao longo da entrevista, se tenha notado um crescendo de confiança.

 

A jornalista travou uma batalha contra si mesma. Infelizmente, todas as atenções estavam viradas para si mesmo tendo à sua frente aquele que é considerado o melhor jogador de futebol do mundo.

 

Contudo, ficou claro que Judite não está pronta para regressar aos ecrãs. Precisa de continuar a fazer o seu luto e talvez a trabalhar, sim, mas atrás das câmaras.

 

As audiências, como seria de esperar, valeram o segundo lugar do dia ao Jornal das 8 com uma média de cerca de 1 milhão e 400 mil espetadores.

 

 

12
Jun13

Perder o Norte

Tiago Lourenço


Já passaram alguns dias mas confesso que só agora visionei a entrevista que Sara Norte deu à RTP.

 Sara foi inteligente na escolha. Teve honras de horário nobre num canal onde a informação é prestigiada. Já em relação ao canal público, não consigo perceber o porquê desta opção, apenas o facto de saber que seria um bom garante de audiência (foi o programa mais visto da estação e o sexto mais visto do dia).

 

Afinal, quem é Sara Norte? Uma jovem que na adolescência participou numa série de sucesso, filha de um ator mediático, Vítor Norte, que agora é uma ex-toxicodependente, ex-traficante de droga e ex-presidiária.

 

Qual é o interesse público disto? Nenhum! Apenas a vontade de saber um pouco mais desta história que muita tinta fez correr nas revistas cor-de-rosa.

 

Fátima Campos Ferreira foi o rosto escolhido pela RTP para conduzir a entrevista. Mostrou-se bem preparada. Levou para o especial um tom que não costuma ser o seu e que podia ser arriscado por ser demasiado "lamechas". Esteve bem em quase toda a entrevista até que, mesmo no final, fez um gesto que pode ter feito as delícias do público mas que pode merecer críticas dos seus pares.

 

É que Fátima Campos Ferreira terminou a conversa aconselhando Sara Norte a ter força para enfrentar o futuro e deu-lhe as mãos num gesto carinhoso. Muito possivelmente ganhou muitos "pontos" junto dos telespectadores, só que perdeu outros tantos no campo jornalístico. Aquilo era uma entrevista realizada num especial de informação e não num talk-show da manhã ou da tarde. A isenção que Fátima devia mostrar enquanto profissional do jornalismo perdeu-se naquele momento.

 

Contudo, mesmo condenando-a, prefiro a atitude da moderadora do Prós e Contras do que ouvir Judite de Sousa a elogiar a beleza de um ator brasileiro.

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