Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a tv portuguesa

21
Jul17

Ficha Técnica com Isabel Roma.: "É mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências"

Tiago Lourenço

coverFB_fichatecnica_V2.png

 

 

   Isabel Roma é produtora de televisão na RTP. Está na estação pública há mais de 17 anos, quase metade da sua vida. 

   

   Natural do Porto, tem a seu cargo o programa "Janela Indiscreta". Mário Augusto é a cara principal do formato que conta todas as novidades do cinema mundial.

 

   Em entrevista ao "Ficha Técnica", relata as exigências do trabalho e revela que as audiências não a preocupam. A produtora conta que a qualidade dos formatos que tem a cargo são a sua maior preocupação e que aprendeu na RTP a interessar-se apenas pelo Presente.

 

Isabel Roma de Oliveira

 

 

   

   A Caixa que já foi Mágica.: Está na RTP há 17 anos. Trabalhou sempre como produtora na televisão pública ou ocupou outros cargos?

 

   Isabel Roma.: Antes de ser produtora fui relações públicas e assistente de produção. Antes de trabalhar em audiovisuais trabalhei em turismo.

 

 

    ACQJFM.: Qual é o trabalho de um produtor de televisão?

 

    I.R.: Um produtor é aquele que tem que fazer tudo para que uma ideia se concretize, se possível, sem se fazer notar.

 

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores exigências no seu trabalho?

 

   I.R.: Saber tudo sobre cada projeto que se tem em mãos, mas saber igualmente delegar e confiar tarefas. Ser o primeiro a entrar e o último a sair.

 

Depois, dependendo do tipo de produção em causa: assegurar os melhores, mais credíveis e criativos conteúdos; assegurar as melhores condições de trabalho aos colegas (e isso pode incluir alojamento, alimentação, mas também um guarda-sol ou um comprimido para a dor de cabeça) ou assegurar que cada projeto fica dentro do orçamentado.

 

 

   ACQJFM.: De todos os programas que produziu, há algum que lhe deixe mais saudades? Qual foi o formato mas desafiante ao longo destes anos e porquê?

 

   I.R.: O ano do "Euro 2004" é inesquecível para todos os que, de alguma forma, estiveram envolvidos na transmissão dos jogos, programas de apoio, etc..

 

O projeto mais recente é sempre o mais desafiante. Ou, dito de outra forma, todos os projetos têm desafios diferentes. No ano passado, por exemplo, houve um projeto para a RTP2 chamado “Jogos Reais” que foi altamente desafiante!

 

 

32597_39173_78645.jpg

 

 

   ACQJFM.: É, atualmente, produtora do programa "Janela Indiscreta". Em que é que este formato é desafiante para si?

 

   I.R.: Este programa acaba por ser bastante simples, porque trabalhamos, maioritariamente, com conteúdos que nos são fornecidos. O meu colega Francisco Silva estabelece todas as pontes necessárias e assegura as gravações com o Mário Augusto.

 

 

   ACQJFM.: Uma vez que trabalha na televisão do Estado, quais são as maiores dificuldades em fazer serviço público?

 

   I.R.: Não chamaria dificuldades, mas antes responsabilidades. Se conhecermos as bases do Contrato de Concessão, se conhecermos as regras, na realidade não é nada difícil. E, em última instância, temos sempre uma estrutura que assegura que nunca perdemos o rumo.

 

Torna-se mais difícil, na verdade, explicar o Serviço Público para fora da empresa, porque quase ninguém fora da RTP lê um documento como o Contrato de Concessão! E isso dá origem a imensos “treinadores de bancada” que não sabem do que falam.

 

 

   ACQJFM.: As audiências preocupam-na?

 

   I.R.: Preocupa-me mais saber se os programas têm qualidade. E interessa-me saber se todas as formas de ver conteúdos são medidas, e não apenas quem vê no momento de emissão em televisão (refiro-me, por exemplo, ao on-demand).

 

 

   ACQJFM.: O que é que, na sua opinião, é mais difícil: garantir audiências ou fazer serviço público?

 

   I.R.: É mais difícil garantir audiências. E é muito mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências.

 

 

   ACQJFM.: Em 17 anos a RTP mudou muito a vários níveis. Hoje a estação é melhor do que era em 2000?

 

   I.R.: Está melhor, claro, e daqui a 17 anos estará melhor ainda. O percurso da RTP, embora nem sempre fácil, é muito sólido.

 

 

   ACQJFM.: O que é que gostava que o futuro profissional lhe reservasse?

 

   I.R.: Gosto mais de apreciar o presente do que ter expectativas. O melhor momento é o agora, porque esse já ninguém me tira – e isto aprendi com uma das pessoas mais especiais com quem me cruzei na RTP.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   I.R.: Para a maioria das pessoas, creio que sim. Mas para muitas outras, a caixa mágica de hoje está online ou na box.

 

 

 

Leia também:

postsimples_fichatecnica_V1.png

Ficha Técnica com Pedro David: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

postsimples_fichatecnica_V1.png

"Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

 

 

 

NOTA.: O "A Caixa Que Já Foi Mágica" vai de férias, mas promete regressar em setembro. Até lá, se for o caso, umas boas férias também para si :)

28
Mai17

Ficha Técnica com Mariana Marques: "Não pretendo regressar à televisão tão cedo"

Tiago Lourenço

   

facebook.jpg

 

 

coverFB_fichatecnica_V1.png

 

 

   Mariana Marques foi uma mulher numa profissão dominada por homens. Aos 25 anos foi repórter de imagem na TVI e na CMTV. 

 

   A jovem de Marco de Canaveses fez da televisão a sua vida durante mais de três anos. Além dos dois canais de televisão, onde fez apenas trabalhos para a informação, passou ainda pelo Porto 24 e pelo Jornal de Notícias.

 

   Recentemente abandonou a profissão e mudou-se para Barcelona. Ao "Ficha Técnica", conta como vive uma mulher numa profissão na qual os homens estão em maioria. Fala ainda das dificuldades de um Repórter de imagem, da precariedade e revela que não pretende regressar à televisão se as condições se mantiverem como estão.

 

 

Mariana Marques

 

 

   A Caixa que já foi Mágica.: Porque é que deixou a televisão?

 

   Mariana Marques.: Deixei a televisão por causa da precariedade e da instabilidade relativamente ao futuro.

 

   ACQJFM.: Regressar à televisão faz parte dos seus planos?

 

   M.M.: Não, não pretendo regressar tão cedo. As condições teriam de mudar muito, algo que não me parece possível.

 

   ACQJFM.: Qual é o seu percurso profissional?

 

   M.M.: Comecei a estagiar no Jornal de Noticias. Depois fui para o Porto24 fazer reportagens sobre várias temáticas inerentes à cidade. Mudei-me para a CMTV até que recebi uma proposta da TVI, onde estive um ano e quatro meses. Agora estou em Barcelona.

 

   ACQJFM.: Além de, obviamente, captar imagem, o que é que faz um Repórter de imagem? 

 

   M.M.: A principal função do Repórter de imagem é contar a história ao telespetador através daquilo que filma. Para isso, quando está no terreno tem de criar uma sequencia mental da montagem final da reportagem. Ou seja, quando está no terreno tem de saber como vai contar a história. Todos os planos tem de estar relacionados para fazerem sentido a quem está a ver em casa.

 

   ACQJFM.: A ideia de que esta é uma profissão mais masculina é errada?

 

   M.M.: Nao é errada. Há poucas mulheres em Portugal a fazer jornalismo televisivo como repórter de imagem. Penso que se podem contar pelos dedos de uma mão. Ouvi sempre muitos comentários relacionados com isso: "muito bem, uma menina a fazer trabalho de homem" ou "isso é muito pesado para uma menina", coisas deste género

 

   ACQJFM.: Como é que uma mulher vive neste meio profissional? Alguma vez foi discriminada, profissionalmente, por ser mulher?

 

   M.M.: Sinto que unca fui discriminada. Sempre consegui fazer o meu trabalho.

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades na sua profissão?

 

   M.M.: Sentia principalmente a nível físico. Uma mulher tem mais dificuldades de agilidade e mobilidade. Mas penso que tem um olhar mais sensível e criterioso, o que compensa.

 

   ACQJFM.: Ao longo dos anos as profissões da área têm sofrido alterações. Um profissional já não faz só uma coisa, exige-se polivalência. No seu caso, de que forma é que essa polivalência está patente?

 

   M.M.: Eu filmava e editava reportagem. Apenas isso. E é bom, gosto de ser eu a montar as minhas peças

 

    ACQJFM.: A crise nos meios de comunicação social afetou a sua profissão? De que forma?

 

   M.M.: Sim, afetou imenso. Recibos verdes, horas a mais por dia, trabalhar noites, madrugadas, por aí...

 

   ACQJFM.: Qual foi o momento mais difícil pelo qual passou no seu percurso profissional?

 

   M.M.: Momentos difíceis são todos os que se relacionem com mortes de pessoas. É sempre difícil para o jornalista.

 

   ACQJFM.: Profissionalmente, qual é o seu maior desejo?

 

   M.M.: Uma carreira internacional

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a caixa mágica?

 

   M.M.: Para trabalhar penso que não, já atrai poucas pessoas. Sobretudo os jovens que procuram melhores condições de vida, algo que o jornalismo não dá.

 

postsimples_fichatecnica_V2.png

Ficha Técnica com a "voz" da TVI: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

postsimples_fichatecnica_V2.png

Ficha Técnica com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

  

facebook.jpg

 

19
Mai17

Ficha Técnica com Pedro David: "Não escondo que vejo as novelas da TVI"

Tiago Lourenço

 

facebook.jpg

 

coverFB_fichatecnica_V1.png

 

   

   Na segunda parte do "Ficha Técnica", Pedro David conta como são os seus dias na TVI. O locutor revela de que forma consegue conciliar a sua profissão com a de DJ e esclarece a importância da locução para um canal de televisão.

 

17966912_872894992849627_3363431397027438285_o.jpg

 

 

 Lê a primeira parte da entrevista clicando no logótipo do "Ficha Técnica":

postsimples_fichatecnica_V2.png

 

 

 

 

   ACQJFM.: Normalmente as intervenções de um "voice over" têm de ser curtas e concisas. No trabalho, o tempo é o seu maior inimigo?

 

   PD.: Sim, esta é daquelas profissões a que não podes chegar fora de horas e não te podes atrasar. Ou entras naquele minuto, naquele segundo, ou então já passou. Ou dizes o que tens para dizer, em 25 ou 50 segundos, ou então deixas a frase a meio.

 

 

   ACQJFM.: O facto de ser voz-off da TVI obriga-o a ser conhecedor ou, pelo menos, ler muita informação sobre a programação e o seu conteúdo. De que forma é que se prepara?

 

   PD.: Tenho o cuidado de tentar ver os episódios das novelas que a TVI transmite na véspera de estar de serviço. Assim, quando no dia seguinte entro ao serviço, é mais fácil localizar aquilo que o episódio do dia vai passar. Não escondo que “consumo” as novelas da TVI, já que elas fazem parte do meu material de trabalho.



   ACQJFM.: Que importância tem a locução para uma estação de televisão? Sente que é uma função que, ao longo dos anos, ganhou, perdeu ou manteve a sua relevância?

 

   PD.: Na minha opinião, sem querer “puxar a brasa à minha sardinha”, parece-me que este é um “pormenor” na emissão dos canais de televisão que está a ganhar cada vez mais espaço e importância. Se fizermos um “rewind”, a RTP há um tempo atrás não tinha locutores e hoje, não só tem, como intervêm em muitos momentos da emissão.

A SIC já há muito que tinha locutores no período de “prime-time” e agora já tem aos fins-de-semana, no período diurno.

A TVI há muitos anos que tem locutores, embora só no período do final da tarde até há uma da manhã. Penso que é uma mais valia para fazer a ligação entre a Estação e o espetador.

Apesar da imagem dos apresentadores, muitos deles estimados pela maioria do público, a verdade é que há aquela “voz” que todos os dias diz "boa noite" e está "ali sentado ao lado do espectador" para lhe lembrar o que pode ver a seguir e a convidar para não perder o episódio do dia seguinte. 

 

 

16684125_835473186591808_4824080567221311112_n.jpg

 

 

 

   ACQJFM.: Além do seu cargo no canal de Queluz é também DJ. De que forma concilia as duas profissões?

 

   PD.: Sempre estive habituado a ter várias profissões ao mesmo tempo. Atualmente, conjugo apenas a TVI com o serviço de DJ. Por vezes troco a escala com os meus colegas Miguel Freitas, Ana Bernardino e Cláudia Macedo. Somos quatro locutores e entendemo-nos muito bem. Somos mais que colegas, somos amigos. Tentamos sempre ajudar-nos uns aos outros, de forma a que possamos estar bem com a empresa e também nas outras atividades que cada um tem.

Por vezes surgem alguns trabalhos mais difíceis de conjugar. Lembro-me de uma passagem de ano em que pedi ajuda aos meus colegas na TVI para estar livre da escala por 11 noites seguidas. Nesse período, estive ao serviço da TSF como jornalista. Depois descansei dois dias e voltei à escala da TVI. Quanto ao trabalho de DJ, marco as noites em discotecas sempre com a salvaguarda de qualquer alteração de última hora, visto que a Televisão e a Rádio são a minha prioridade.

 

 

   ACQJFM.: É a voz principal do canal português com maior audiência. É o ponto mais alto da sua carreira ou espera que o futuro lhe traga outros desafios?

 

   PD.: No dia em que eu achar que atingi o ponto alto da minha carreira, não terei mais vontade de me levantar da cama e ir trabalhar com gosto. Quero mais. Sei que tenho muito ainda para aprender. Adoro televisão e, apesar da idade ir avançando, desde que tomei consciência de que era este o caminho que queria seguir, não desisto de um dia realizar e apresentar um projeto de televisão.

Tenho formação na área, tenho carteira profissional e adorava fazer reportagem de guerra. Não desisto, porque gosto de aprender.

A minha primeira participação em televisão foi no "Big Show SIC", como apresentador de cidade e no júri estava Miguel Simões e Carlos Ribeiro, dois “Dinossauros “ da comunicação em Portugal e com quem tive o prazer de aprender e partilhar o estúdio, uns anos mais tarde. Passei pela Renascença onde também partilhei trabalhos com profissionais com alguns dos meus ídolos, como o António Sala, o Fernando Correia,  o Pedro Tojal, entre outros. Resumindo, espero chegar mais longe e espero cumprir todos os sonhos que tracei para mim.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   PD.: As redes sociais e a facilidade com que hoje se coloca uma imagem ou vídeo a circular na Internet, apagou um pouco o segredo dos bastidores da televisão. Na rádio esse efeito ainda é maior. O segredo e a curiosidade de saber como é a pessoa que está por trás daquela voz desapareceu com a evolução dos meios de comunicação. As rádios e as televisões tiveram de se adaptar à moda das redes sociais para criar uma aproximação com quem deixou de ouvir rádio ou ver TV.

No entanto, costumo dizer que os locutores de televisão são os "ilustres desconhecidos" da TV. Porquê? Porque todos os dias entramos na casa das pessoas, todos os dias lhes dizemos “boa noite” e convidamos para ficarem um pouco mais na nossa companhia, mas ninguém nos conhece a cara. Aliás, em qualquer um dos canais de TV em sinal aberto, nunca ninguém incluiu nas Galas de aniversário ou de Natal a presença dos locutores. Os tais que todos ouvem, mas que ninguém sabe quem são.

Desde que entrei para a TVI, em 2007, criei a minha frase : “Deixe-se ficar, vai ver que vai gostar!”. Por vezes, no dia a dia, acabo por dizer esta frase sem querer. Aconteceu-me há uns meses, numa caixa do supermercado, em que a funcionária olhava para um produto alimentar que eu levava e disse-me que já por várias vezes que esteve para comprar para ela, mas não sabia se ia gostar. Perante isto, disse-lhe de forma natural e sem querer: "tem de experimentar, vai ver que vai gostar !”. Quando acabei de dizer isto, a jovem olhou para mim e disse-me: “ Parecia que estava agora a ver a TVI”. Eu sorri, mas não disse mais nada. Percebi que o timbre de voz, juntamente com a frase que já é tão familiar dos espectadores, levou aquela jovem a reconhecer o tom da frase.

Não escondo orgulho, o que alguns preferem chamar vaidade.

Seja como for, tenho consciência de que o caminho que trilhei nunca conheceu o apelido “Cunha”. Estes episódios fazem-me sentir o efeito que tem a tal “caixa mágica”.

18
Mai17

Ficha Técnica com Pedro David: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

Tiago Lourenço

facebook.jpg

 

coverFB_fichatecnica_V1.png

 

   Pedro David é um dos quatro locutores da TVI. Muito provavelmente, a grande maioria de nós conhecerá a sua voz, mas poucos saberão quem é.

 

    Está no canal de Queluz de Baixo desde 2007, embora tenha iniciado a carreira na Rádio. Jornalista de formação, começou na Nacional FM seguindo-se a Rádio Renascença. Já no Grupo Media Capital, juntou ao currículo a Rádio Nostalgia, a Mix Fm, o Rádio Clube Português, a M80, a Cidade Fm, a Romântica Fm e a Best Rock. Antes de se mudar para a televisão, trabalhou para a Rádio Comercial.

 

   Além da sua função no canal que lidera as audiências em Portugal, Pedro é também DJ.

 

   Em entrevista ao "Ficha Técnica", revela o seu percurso profissional, fala das exigências do seu trabalho e confessa um dos seus grandes desejos profissionais.

 

   A entrevista está dividida em duas partes. Podes ler a segunda parte já amanhã.

 

18121809_879121828893610_6177876555538998495_o.jpg

 

 

   A Caixa que já foi Mágica.: Trabalhava na rádio e depois mudou-se para a TVI. Como surgiu o convite? 

 

   Pedro David.: Eu trabalhava na Rádio Comercial quando fiquei a saber da existência de duas vagas para Locutores na TVI. Embora o Grupo fosse o mesmo, as empresas eram diferentes e por isso tive que me candidatar como qualquer outra pessoa.

Em junho de 2007 recebi um telefonema no qual me informaram que tinha sido escolhido para uma das duas vagas. Mantive-me na Rádio como Jornalista e iniciei, em paralelo, a função de Locutor em julho do mesmo ano.

Foi um período alucinante. Em agosto inaugurei uma Croissanteria no Entroncamento. A par de tudo isto, estava ainda a dar formação de “Dicção de Rádio” nas instalações da ARIC (Associação de Rádios de inspiração Cristã), em Fátima. Estava ainda a gravar um projecto piloto de 13 programas para a RTP e tinha a agenda cheia como DJ.

Foi um ritmo alucinante de trabalho que mantive até 2009.  

 

   

   ACQJFM.: Quais são as suas principais tarefas?

 

   PD.: Na TVI, a principal função é a da criação de textos e a respetiva locução nos genéricos dos programas e telenovelas. Tenho de deixar o espetador “colado” à TV enquanto não entra a publicidade. É como quem deixa um convite por voz para que  se continue do outro lado e na nossa companhia. Depois, no decorrer dos programas, criamos as frases (tickers) que passam em rodapé, informando o que vai ser transmitido a seguir.

 

   

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades na sua profissão?

   

   PD.: Para mim, a maior dificuldade é criar um texto sempre mais apelativo e que desperte a curiosidade do espectador em relação ao último que fiz. O tempo é curto e a imaginação tem que funcionar.

Depois é ter segurança no que vamos dizer e da forma como passamos a mensagem. Não pode parecer ruído para quem nos ouve, mas sim uma voz amiga e familiar que todos os dias entra pela casa das pessoas, sem pedir autorização.

 

   

   ACQJFM.: Qual foi a situação mais complicada pela qual passou? E a mais caricata?

 

   PD.: O trabalho que fazemos é em direto. Houve um dia em que preparei o texto poucos minutos antes de ir para o ar e, no momento de mandar imprimir para ir para estúdio, a impressora encravou. Conclusão, fui para estúdio só com o texto em mente, mas o cansaço é uma arma inimiga da perfeição.

Quando a luz “ON AIR” acendeu, a minha memória apagou-se e daí para frente, os 45 segundos que tinha para falar, transformaram-se em 45 minutos. Parecia que nunca mais acabava o "off" e eu esqueci-me dos nomes dos programas que iam dar ao serão e até do programa que estava a terminar.

Então ficou qualquer coisa como isto: “Boa noite, este programa terminou, já a seguir a TVI preparou outro programa no género e mais tarde veja mais programas que a TVI preparou para esta noite da semana ( nem o dia me lembrava). Tenha uma boa noite com a programação da TVI “.

 

 

 

 Lê também:

postsimples_fichatecnica_V2.png

 "Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

 

 

   ACQJFM.: A sua voz é muito característica. Sente que teve sorte e, por isso, chegou ao lugar onde está ou a sorte trabalha-se?

   

   PD.: Quando comecei na Rádio, a 20 de Fevereiro de 1990, falava pelo nariz e a cantar. Tinha a mania que era locutor e apenas tinha conhecimento daquilo que ouvia na antiga Radio Press, hoje TSF. Ouvia muito essa rádio e imitava o José Coimbra. Os anos e a insistência em ouvir o que fazia mostraram-me o que realmente era inaudível e o que estava errado. Tentei e aprendi a ser mais natural e foi aí que percebi que tinha algum potencial na voz. A partir dessa altura, pesquisei, ouvi, treinei e, acima de tudo, ganhei muito respeito pela minha voz.

 

 

18157387_879121832226943_5401993001060418516_n.jpg

 

 

   ACQJFM.: Sendo a voz a sua principal ferramenta de trabalho, que cuidados tem?

 

   PD.: Confesso que não tenho muitos, mas há algumas coisas que evito fazer. Por exemplo, alterações bruscas de temperatura, beber água muito gelada, apanhar correntes de ar e comer alimentos muito quentes. À margem disto, não fumo e só bebo bebidas alcoólicas ocasionalmente por uma questão social.

 

 

   ACQJFM.: Como é que trabalha e treina as cordas vocais? É um trabalho idêntico ao de um cantor, por exemplo, ou algo mais específico?

 

   PD.: Tenho uma preocupação rotineira. Antes de iniciar um "off" ou um trabalho vocal, aqueço os 13 músculos da boca que interferem com o desempenho da dicção e das cordas vocais. Faço dois exercícios fundamentais durante dois a três minutos antes de falar para o "AR". São exercícios que ensino aos alunos das minhas formações. São truques que eles fazem e o resultado é imediato e notório.  

 

 

 

 

Lê a segunda parte da entrevista clicando no logótipo do "Ficha Técnica":

postsimples_fichatecnica_V2.png

 

 

facebook.jpg

 

 

 

  

04
Mai17

"Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

Tiago Lourenço

 

facebook.jpg

 

coverFB_fichatecnica_V2.png

 

 

   Tiago Brochado é realizador, coordenador de produção e de régie na BTV. Está no canal do Sport Lisboa e Benfica há mais de três anos, depois de uma curta passagem pela CMTV. Ao currículo, junta ainda cerca de 7 anos na SportTV e outros 12 na SIC.

 

   Aos 37 anos, é um dos três profissionais destinados a realizar, para a televisão, as grandes partidas dos maiores clubes do futebol português. 

 

   Neste primeiro "Ficha Técnica", Tiago fala sobre o seu percurso profissional, as maiores dificuldades e as exigências de dirigir as câmaras num grande derby do futebol português.

 

   O realizador conta ainda que o momento mais difícil da carreira foi no dia em que Miklós Fehér, jogador do Benfica, morreu. Em 2004, Tiago trabalhava na SportTV e estava lá, atrás das câmaras.

 

   O profissional conta ainda como correu a passagem pela CMTV e o que faz no seu trabalho.

 

1d40316.jpg

 

 

 

     A Caixa que já foi Mágica.: Qual é o trabalho de um Realizador de televisão?

 

   Tiago Brochado.: O trabalho de um Realizador de televisão é coordenar e orientar uma equipa de profissionais na realização de um conteúdo televisivo, que pode ser de informação, entretenimento ou eventos. Também faz parte da preparação da sua produção, como por exemplo, fazer o plano de câmaras.

 

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades no seu trabalho?

 

   T.B.: As maiores dificuldades são lidar com o imprevisto do direto, onde tudo pode acontecer: problemas técnicos, problemas com elementos da equipa ou outros fatores externos que não conseguimos controlar. Estes aspetos podem interferir negativamente na transmissão.

 

 

   ACQJFM.: A crise nos meios de comunicação afetou a profissão?

 

   T.B.: Não me posso queixar, tenho tido sempre trabalho e projetos interessantes. Não chamaria crise, mas sim evolução e mudança no meio audiovisual.  

 

 

   ACQJFM.: A realização em Portugal tem evoluído ao longo dos anos? De que forma?

 

   T.B.: Sim. Em Portugal as realizações de diversas transmissões têm evoluído e melhorado, apesar de fazermos “muito com pouco”. Conseguimos acompanhar a evolução a que se tem assistido na Europa, apesar de haver pouco investimento.

 

 

   ACQJFM.: Lembra-se da situação mais complicada pela qual passou durante o seu percurso profissional?

 

   T.B.: Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér, em 2004. Na altura, estava a fazer mistura de vídeo para a SportTV e o realizador, ao aperceber-se do que estava a acontecer, emocionou-se e saiu do carro de exteriores. Eu, bem como o resto da equipa, continuámos a emissão, por muito que nos custasse. Na altura, apesar de ainda não ser realizador, fui fazendo a gestão dos planos que eram transmitidos e tentei preservar ao máximo o jogador. Dar dignidade à transmissão mostrando apenas planos abertos.

 

 

   ACQJFM.: É Realizador dos jogos de futebol do Sport Lisboa e Benfica, para a BTV. Há diferenças entre realizar um derby ou qualquer outro jogo? Porquê?

 

   T.B.: Sim, há. Ao realizar um derby ou um clássico devemos ter um cuidado especial. São jogos em que há mais espectadores e hoje em dia os comentadores desportivos visionam o nosso trabalho "frame" a "frame". O nosso trabalho é avaliado com mais rigor neste tipo de jogos e a imparcialidade é sempre posta à prova por quem está a avaliar e a assistir. Neste momento, em Portugal, estes grandes jogos são feitos apenas por três realizadores: eu, o Juan Figueroa e o Gustavo Fonseca, da Media Luso.

 

 

   ACQJFM.: Numa partida de futebol há muitos pormenores e muitas situações imprevisíveis. De que forma é que se gere a quantidade de imagens que lhe chegam?

 

   T.B.: Gerir todas essas imagens vai um pouco da experiência de cada Realizador. Numa transmissão de um jogo gosto de mostrar o espectáculo do futebol, as pessoas que vão ao estádio, as crianças, mostrar lá para casa que a família pode ir ao futebol. Gosto de mostrar pequenas “estórias” que vão acontecendo no decorrer do jogo. 

 

 

   ACQJFM.: Já realizou galas, concertos do "Rock in Rio", programas de informação, entre outros? O que é que lhe falta fazer?

 

   T.B.: Em termos de transmissões em direto acho que já fiz um pouco de tudo. Gosto de fazer parte de novos projetos, fazer parte da criação ou renovação de canais de televisão.

 

 

   ACQJFM.: Se tivesse de escolher entre realizar uma gala ou um jogo de futebol, qual escolheria? Porquê?

 

   T.B.: Um jogo de futebol. Os jogos de futebol são mais imprevisíveis e a adrenalina sobe quando são grandes jogos. Não existe um guião ou ensaios como nas galas, tudo acontece naquele momento, temos de tomar decisões no imediato. 

 

 

   ACQJFM.: Na sua carreira, a permanência na Cofina, mais propriamente na CMTV, foi a que menos tempo durou (cerca de um ano e três meses). Houve algo que correu mal ou a missão foi cumprida?

 

   T.B.: Quando fui para a CMTV integrei uma equipa que criou um canal "do zero". Fiz parte da criação de toda a imagem de canal, contratei equipas, formei técnicos, formatei e fiz parte da criação de quase todos os programas. Tudo isto e muito mais, em apenas quatro meses. No entanto, depois da estreia, percebi que não estava enquadrado na filosofia da estação e percebi que não conseguiria concretizar algumas das ideias que tinha. Na altura, surgiu o convite da BTV e achei que não podia recusar, acabando por sair da CMTV. 

 

 

   ACQJFM.: Quais são as suas ambições, daqui para a frente, na BTV?

 

   T.B.: A BTV, nestes últimos 3 anos, tem mostrado que é um bom canal de desporto. A minha ambição daqui para a frente é continuar a crescer e mostrar que somos capazes de muito mais.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   T.B.: Acho que sempre será.

 

 

 

O logotipo do "Ficha Técnica" é da autoria do designer Marco Almeida.

facebook.jpg

 

03
Mai17

"Ficha Técnica - Dar rosto aos nomes" estreia amanhã

Tiago Lourenço

facebook.jpg

 

coverFB_fichatecnica_V2.png

 

   

   "Ficha Técnica" é a nova rubrica do "A Caixa que já foi Mágica". A televisão faz parte das nossas vidas e, apesar de a Internet lhe roubado espaço, todos nós, muito ou pouco, damos atenção ao que nela se passa.

 

   Conhecemos os rostos que aparecem à frente das câmaras, sejam eles apresentadores, jornalistas, atores, comentadores, entre outros. Ainda assim, não conhecemos aqueles que estão por trás delas. São muitos, com as mais variadas profissões, mas todos com a missão de fazer chegar o melhor ao nosso ecrã. Para nós, espetadores, não passam de nomes. Os nomes que passam a "correr" na ficha técnica no final de cada programa. 

 

   Neste novo espaço, os nomes vão passar a ter rosto. Será um espaço de entrevista àqueles que fazem televisão e uma interessante viagem pelos bastidores.

 

   Tiago Brochado, realizador de televisão da BTV, é o primeiro rosto do "Ficha Técnica". Em entrevista, revela que o momento mais difícil da carreira foi gerir as emoções no jogo em que Miklós Fehér, jogador do Sport Lisboa e Benfica, morreu. Tiago estava lá, atrás da câmaras.

 

 

O logotipo do "Ficha Técnica" é da autoria do designer Marco Almeida.

 

facebook.jpg

 

Facebook

Audiências - TOP 5

As audiências voltam a ser atualizadas em setembro.

Novidades

"Vale Tudo" regressa à SIC depois do verão

Mais sobre mim

foto do autor