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A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a tv portuguesa

19
Jun17

"No comments"

Tiago Lourenço

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   Geralmente não me junto aos coros de críticas que se fazem ecoar por essas redes sociais fora. Desta vez, não posso ficar indiferente.

 

   Neste domingo, em Pedrogão Grande, Judite Sousa fez uma reportagem junto de um corpo de uma mulher que morreu a fugir das chamas"Está um corpo aqui ao meu lado, de uma senhora, que ainda não foi recolhido, apesar de os bombeiros se encontrarem muito perto deste local”. Foram estas as palavras utilizadas pela jornalista enquanto apontava para o corpo apenas coberto por um lençol branco.

 

   Judite cometeu o maior erro da sua carreira neste dia. Aquilo que fez não tem desculpa. Desrespeitou a dor daqueles que sofreram e sofrem com a tragédia, desrespeitou aquela mulher e desrespeitou o jornalismo. A situação é delicada ou não fosse o incêndio na zona de Leiria a maior tragédia dos últimos anos em Portugal.

 

   Esta situação é imperdoável para qualquer jornalista e para qualquer canal. Neste caso, existe uma agravante. Judite Sousa perdeu o único filho em 2014. Na altura, a mãe pediu respeito por si e por André Sousa Bessa aos colegas jornalistas. A dor que com certeza ainda sente deviam tê-la feito perceber que estava a ultrapassar todos os limites. Ultrapassaram-se todas as regras de bom senso e do aceitável.

 

   Esta segunda-feira, à N-TV, falou sobre a situação dizendo apenas: "no comments!". Sem comentários mesmo, Judite!

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"Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

 

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Ficha Técnica com a "voz" da TVI: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

 

 

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17
Dez12

João Moleira em exclusivo: "Acordo todos os dias às 3 da manhã. Isso não é fácil."

Tiago Lourenço



João Moleira é o rosto das manhãs informativas da SIC e SIC Notícias há vários anos. Está no canal de informação desde o início, depois de ter iniciado a carreira na rádio e na impressa escrita. Foi ainda professor na Universidade Independente durante dois anos. Ao Perguntas na Caixa responde sobre a sua vida enquanto jornalista e o seu trabalho como pivô na Edição da Manhã.

 


ACM.: Começou por fazer rádio, atualmente faz televisão. Tem preferência por alguma das duas?


JM.: Hoje sinto-me mais confortável a fazer televisão, mas continuo a gostar muito de rádio, embora não faça há 15 anos. São meios diferentes, mas com pontos em comum. Por exemplo, uma passagem pela rádio facilita na integração na televisão, porque a informação no momento, o directo, a pressão das horas, a comunicação oral, são os aspectos determinantes.


ACM.: Ser pivô é o trabalho que mais lhe agrada em televisão?

 

JM.: Não sei dizer se é o que mais gosto, mas é aquele que me foi destinado desde que aqui cheguei. É um trabalho que abrange várias áreas do jornalismo e faz-nos inteirar das mais variadas matérias e géneros. É um trabalho completo, agora não é mais nobre por isso. Há outras funções no jornalismo que são tão ou mais importantes e que gostaria de desempenhar.

 

ACM.: Está na SIC Notícias desde o início do canal. Há muitas mudanças 11 anos depois?


JM.: São quase 12 anos. Naturalmente que há mudanças. Mal seria se ao fim de tanto tempo as coisas não evoluíssem. Estamos naturalmente mais maduros, mais experientes e isso nota-se no canal. Haverá sempre aspectos a melhorar, mas continuamos a cumprir o objectivo de informar bem os portugueses.

 

ACM.: Quais as dificuldades de apresentar um informativo de madrugada?


JM.: Acordo todos os dias às 3 da manhã. Isso não é fácil. De qualquer forma, uma vez levantado, esquece-se a hora e começa-se a trabalhar. Um programa a esta hora tem o aliciante de ser o primeiro contato do espectador com a televisão naquele dia e há que criar impacto, empatia, simpatia, além de deixar informados quem nos vê.

 

Como se prepara a Edição da Manhã?


JM.: Começo a preparar na véspera em casa, principalmente se já sei quem vão ser os meus convidados na manhã seguinte. Depois, de madrugada, leio todos os jornais, vejo o que se passa nas agências, escrevo os textos que vou ler e tento estar atento a tudo o que se vai passando, mesmo quando a edição já está no ar.

 

ACM.: Recentemente a TVI 24 venceu, pela primeira vez, a SIC Notícias. Mérito da concorrência ou demérito da SIC?


JM.: Foi a escolha da maioria dos espectadores nesse dia, em particular. E os espectadores são sempre soberanos. Não sei o dia em que isso aconteceu, nem com que acontecimento, mas a verdade é que nos dias seguintes as audiências voltaram ao "normal".


ACM.: Preocupa-se com as audiências?


JM.: Naturalmente que consulto as audiências, mas não podem ser uma obsessão. Isso condicionaria o nosso trabalho. São um referencial importante, apenas isso.


A televisão ainda é a “caixa mágica”?


JM.: Terá perdido a importância de outros tempos, com o aparecimento de novas formas de comunicação, mas continua a ser a "caixa mágica". Pelo menos muita gente ainda a vê assim.

11
Nov12

Pior a emenda

Tiago Lourenço

Aplaudo a decisão da direção de informação da RTP: diminuir o tempo de emissão do Telejornal em 15 minutos fazendo com que o principal serviço informativo tenha 45 de duração.

 

Os canais portugueses criaram o hábito de alargar os jornais quando o importante daquilo que se passa no país e no mundo pode e deve ser resumido em 30 a 45 minutos.

 

Para os generalistas alargar os serviços noticiosos é uma boa opção em termos monetários. É mais barato que outro tipo de programação e ainda é um garante de boas audiências. O que nem sempre acontece é que as notícias apresentadas sejam realmente relevantes. A RTP deu um passo em frente e terminou com a hora de duração e fez bem!

 

Não contente com o que tinha feito, Nuno Santos, diretor de informação do canal do Estado, criou um novo programa de 15 minutos para compensar os que retirou ao Telejornal.

 

A ideia é boa. 360º é um programa cuja estreia já foi adiada seis vezes e que vai analisar, exaustivamente, a notícia mais importante do dia. Assim sendo, voltam os 60 minutos de informação seguida!

 

E porquê é que não se inseriu logo esta ideia como rubrica do Telejornal? Porque é que não se explica logo a notícia por inteiro assim que é transmitida ao espectador? Porque é que se coloca um novo pivot num novo cenário, com um novo genérico, com outros operadores de câmara e tudo mais? Para nada!

 

É assim que a RTP desperdiça tempo, dinheiro e transforma ainda uma boa iniciativa numa má solução. Como se costuma dizer: "saiu pior a emenda que o soneto".

28
Out12

Excelência da informação

Tiago Lourenço

Ainda no rescaldo do aniversário da SIC há uma característica que merece destaque. A informação impar e a melhor dos três canais generalistas. Não que a informação da RTP ou da TVI seja má, verdade seja dita, em qualquer dos casos Portugal está bem servido.

 

A SIC Notícias, por exemplo, continua a ser o canal de informação líder do mercado e os serviços noticiosos do canal de Carnaxide têm ganho novo fôlego com as melhorias de audiências gerais da estação.

 

Nas últimas três semanas foram apresentados três trabalhos que são uma nova aposta do canal: Momentos de Mudança

 

Este conjunto de reportagens representam a excelência do jornalismo televisivo e do jornalismo em geral. Arrisco-me a afirmar que este é o melhor programa do género de 2012 e, muito provavelmente, dos últimos anos.

 

As duas últimas reportagens, sobre o encerramento de uma fábrica e sobre uma família infectada com o vírus HIV, não são "televisão" mas quase cinema. A qualidade de imagem, o cuidado da fotografia, os planos e os pormenores são praticamente inéditos no que se faz no país e revelam que a SIC continua a estar um passo à frente no género de reportagem.

 

Quanto ao conteúdo é, também ele, de excelência. Temas pertinentes e tratados magistralmente. Sem se recorrer ao método de lágrima fácil, sem se recorrer à tragédia,  estas duas últimas reportagens comovem e são, também elas, um murro no estômago para quem as vê, tal qual deve ser o jornalismo na sua generalidade.

 

Raramente este tipo de trabalhos tem o número de espectadores que condiga com a qualidade dos produtos. Felizmente, Momentos de Mudança é, também nisso, uma exceção à regra. Tem sido líder  de audiências no horário das 21H00 nas últimas duas segundas-feiras e com um número de espectadores que, ultimamente, só as novelas conseguem.

 

É este o caminho que a SIC deve continuar a seguir.

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