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A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a televisão portuguesa

Ficha Técnica com Marisa Martinho.: "Lidar com os sonhos das pessoas é algo que me seduz"

   

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   Marisa Martinho é uma das reponsáveis pelos mentores do "The Voice Portugal", da RTP1, há quatro anos. Quase o mesmo tempo em que trabalha como Produtora de Conteúdos para a Shine Ibéria.

 

   Em entrevista, a natural de Cascais, confessa que após terminar o curso bateu à porta de todas as produtoras e televisões portuguesas da região de Lisboa e foi essa persistência que a ajudou a trabalhar na área.

 

   A jornalista de formação não esquece o trabalho como Repórter no canal Globo Portugal e admite que voltaria a fazê-lo se a convidassem. Ainda assim, isso não invalida que se sinta feliz na sua atual profissão.

 

   Marisa confessa ainda que adorava trabalhar na área do jornalismo desportivo.

 

Foto de perfil retirada da rede social "Linkedin"

 

 

 

   A Caixa que já foi Mágica.: Começou a carreira na Endemol Portugal. Trabalhar na televisão foi sempre uma vontade sua ou aconteceu por acaso?

 

   Marisa Martinho.: Desde pequena que o meu sonho era ser Jornalista. A área não era importante. Queria conversar com pessoas, saber tudo sobre a atualidade em Portugal e no Mundo. 

 

      Ao longo do curso, a vontade de conhecer o mundo televisivo aumentou, também por culpa de alguns professores da minha faculdade e, com o aproximar do final do último ano, tinha quase decidido que teria de fazer alguma coisa para trabalhar em televisão. 

 

    Assim que o terminei, enviei currículos para todas as produtoras de programas de televisão, para todos os canais nacionais, esperei e nada aconteceu.

 

    Fui às estações, bati à porta das produtoras e fui até ao estúdio da Valentim de Carvalho, onde a Endemol estava a gravar a “Roda da Sorte”, com o Herman José. Por acaso, entreguei o currículo “em mãos” a uma pessoa que achou graça à minha atitude. No dia seguinte ligaram-me e comecei o estágio.

 

 

   ACQJFM.: Passou depois pelo jornalismo, mas rapidamente voltou aos "conteúdos". O jornalismo, por si só, não é tão aliciante ou a produção de conteúdos é aquilo que realmente a completa?

 

   M.M.: Adorei fazer reportagem para o “Cá Estamos”, na TV Globo. Foi sem dúvida uma experiência única na minha vida. O ritmo é outro, o tempo é outro e o próprio método é diferente. Gostei muito de ser repórter do programa e cresci muito com ele. 

Voltaria a fazer amanhã se me convidassem, mas a verdade é que na produção de conteúdos a dinâmica é diferente. O ritmo alucinante dos programas de entretenimento de hoje deixa-me com o coração nas mãos, no bom sentido. Sou por natureza uma pessoa que gosta de desafios e sem dúvida que no entretenimento o desafio é maior e mais aliciante.

 

 

   ACQJFM.: Qual é o trabalho de uma produtora de conteúdos?

 

   M.M.: A nossa vida não é fácil! Posso dizer que depende muito de como as equipas de conteúdos são organizadas e do tipo de programas que fazemos mas, em geral e falando quase cronologicamente por projeto, começamos por procurar ideias para criar e reinventar no nosso programa; estruturamos tudo o que precisamos gravar para que o programa tenha as várias vertentes que pretendemos; acompanhamos as gravações e coordenamos as equipas de gravação tendo em conta as nossas necessidades.

 

   Também são da nossa responsabilidade a gravação de entrevistas e de planos. Depois de gravar somos também nós que, através de programas de edição (avid, finalcut, …), cortamos, estruturamos as ações gravadas e acompanhamos os editores. São estas as principais funções de uma produtora de conteúdos. 

 

   Não é possível resumir mais uma função tão importante.

 

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades num dia de trabalho?

 

   M.M.: Para qualquer “conteúdo” o dia é pequeno. Precisamos sempre de mais tempo. Os prazos são muito apertados.

   O tempo é mesmo o nosso maior inimigo. De resto, quando se gosta do que se faz nada é difícil!

 

 

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   ACQJFM.: A Shine Iberia Portugal faz trabalhos para vários canais. Existe um cuidado diferente tendo em conta a estação ou a produtora faz o seu trabalho independentemente de quem a contratou?

 

   M.M.: Não tenho dúvidas de que a Shine Iberia Portugal trabalha sempre da mesma forma, independentemente da estação que a contrata para fazer um programa.

Aqui fazemos o nosso trabalho, todos os dias, com o maior empenho. Já fiz programas para a SIC, para a TVI e para a RTP e nunca notei diferenças. Para nós o importante é fazer bem.

 

 

   ACQJFM.: Sente diferenças no investimento das televisões de 2008 para 2017? Há mais ou menos investimento? De que forma é que esse investimento condiciona o seu trabalho?

 

   M.M.: Esta pergunta dá-me vontade de chorar! É de conhecimento geral que com a crise o investimento em programas de televisão os “orçamentos” tendem a ser menores. Ainda assim, o trabalho é o mesmo, o empenho é o mesmo, a vontade de fazer bem é a mesma desde o primeiro dia. Não posso dizer que o facto de se investir menos condiciona o meu trabalho porque, acima de tudo, tenho um grande orgulho no que faço.

    Apesar da redução no investimento a dedicação, empenho e profissionalismo são os mesmos.

 

 

   ACQJFM.: Algum público queixa-se de que as televisões em Portugal não inovam e poucas vezes se destacam umas das outras. Acredita que há uma crise de ideias ou a crise económica é a grande causa?

 

   M.M.: Nem uma coisa, nem outra. Na minha “carreira” em programas de televisão fiz muitas coisas parecidas, mas a verdade é que sempre que fiz algum programa menos “comercial” ou menos imediato para o público, as audiências não foram as melhores do mundo.

 

   Em Portugal existem vários programas de talentos porque a verdade é uma: as pessoas gostam, as pessoas vêem. O "boom" mais recente dos programas de cozinha é outro fenómeno. As audiências não enganam e, por isso, acho que as produtoras e os canais investem naquilo que as pessoas querem ver.

 

   Acredito que a pressão das audiências possa, de alguma forma, condicionar o que cada estação compra e emite. Não acredito que as produtoras não tenham em carteira mil programas para fazer, mas que o medo de arriscar acabe por vencer em algumas situações.

 

 

   ACQJFM.: É difícil agradar ao público português? 

 

   M.M.: Acho que não! Nós gostamos de sorrir, de chorar logo a seguir e, se possível, sorrir novamente. O público português gosta de, no mesmo programa, sentir várias sensações. Se conseguirmos isso, já os conquistámos.

 

 

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   ACQJFM.: Qual foi a situação mais complicada pela qual passou? 

 

   M.M.: Não posso dizer que passei por situações muito complicadas. Tento sempre gerir as situações que enfrento.  

   Há uns anos estava a gravar um programa de entretenimento e, como repórter do programa, quando comecei a fazer uma entrevista a uma concorrente ela recusou-se a falar comigo. A candidata não aceitou a decisão dos jurados e quando questionada sobre isso quase me batia. Coitada! Percebo bem a desilusão que sentiu e eu ainda queria saber o que raio lhe passava pela cabeça.

 

   ACQJFM.: E a mais caricata?

   

  M.M.: A situação mais caricata aconteceu-me no "The Voice Portugal". Muitas vezes entro e saio com os mentores do décor e a todos os minutos querem tirar fotografias com eles. O problema é que nem sempre é possível porque temos muitas coisas para gravar. Numa dessas pausas oiço gritarem pelo meu nome, mas não olhei porque já sabia que era para tirar fotografias e não tínhamos tempo.

 

   Dias depois uma amiga da minha mãe encontra-me e conta-me que foi assistir às gravações do programa e que chamou por mim e eu nem lhe falei. Como podia adivinhar que era ela?

 

 

   ACQJFM.: Se pudesse escolher um programa ou formato para trabalhar, nacional ou internacional, qual escolheria?

 

   M.M.: É muito difícil falar de projetos que gosto ou que gostava de fazer porque parece sempre muito injusto para os programas que já fiz. Sem dúvida que o "The Voice" está no topo das minhas preferências por tudo e por nada. É um formato de música que adoro e lidar com sonhos de pessoas é algo que me seduz. Por isso acho que estou realizada nesse sentido. 

 

 

   ACQJFM.: Quais são os seus objetivos para o futuro?

 

   M.M.: Para já estou feliz a trabalhar onde estou. Sem dúvida que gostava de poder abraçar outros desafios, mas ainda não tenho bem definido o quê e onde. Uma coisa é certa, adorava fazer alguma coisa ligada ao jornalismo desportivo, gosto muito de futebol e gostava muito de poder fazer algo nessa área. Sou uma adepta fanática pelo Sport Lisboa e Benfica e por isso aceitam-se convites!

 

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Ficha Técnica com Mariana Marques: "Não pretendo regressar à televisão tão cedo"

   

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   Mariana Marques foi uma mulher numa profissão dominada por homens. Aos 25 anos foi repórter de imagem na TVI e na CMTV. 

 

   A jovem de Marco de Canaveses fez da televisão a sua vida durante mais de três anos. Além dos dois canais de televisão, onde fez apenas trabalhos para a informação, passou ainda pelo Porto 24 e pelo Jornal de Notícias.

 

   Recentemente abandonou a profissão e mudou-se para Barcelona. Ao "Ficha Técnica", conta como vive uma mulher numa profissão na qual os homens estão em maioria. Fala ainda das dificuldades de um Repórter de imagem, da precariedade e revela que não pretende regressar à televisão se as condições se mantiverem como estão.

 

 

Mariana Marques

 

 

   A Caixa que já foi Mágica.: Porque é que deixou a televisão?

 

   Mariana Marques.: Deixei a televisão por causa da precariedade e da instabilidade relativamente ao futuro.

 

   ACQJFM.: Regressar à televisão faz parte dos seus planos?

 

   M.M.: Não, não pretendo regressar tão cedo. As condições teriam de mudar muito, algo que não me parece possível.

 

   ACQJFM.: Qual é o seu percurso profissional?

 

   M.M.: Comecei a estagiar no Jornal de Noticias. Depois fui para o Porto24 fazer reportagens sobre várias temáticas inerentes à cidade. Mudei-me para a CMTV até que recebi uma proposta da TVI, onde estive um ano e quatro meses. Agora estou em Barcelona.

 

   ACQJFM.: Além de, obviamente, captar imagem, o que é que faz um Repórter de imagem? 

 

   M.M.: A principal função do Repórter de imagem é contar a história ao telespetador através daquilo que filma. Para isso, quando está no terreno tem de criar uma sequencia mental da montagem final da reportagem. Ou seja, quando está no terreno tem de saber como vai contar a história. Todos os planos tem de estar relacionados para fazerem sentido a quem está a ver em casa.

 

   ACQJFM.: A ideia de que esta é uma profissão mais masculina é errada?

 

   M.M.: Nao é errada. Há poucas mulheres em Portugal a fazer jornalismo televisivo como repórter de imagem. Penso que se podem contar pelos dedos de uma mão. Ouvi sempre muitos comentários relacionados com isso: "muito bem, uma menina a fazer trabalho de homem" ou "isso é muito pesado para uma menina", coisas deste género

 

   ACQJFM.: Como é que uma mulher vive neste meio profissional? Alguma vez foi discriminada, profissionalmente, por ser mulher?

 

   M.M.: Sinto que unca fui discriminada. Sempre consegui fazer o meu trabalho.

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades na sua profissão?

 

   M.M.: Sentia principalmente a nível físico. Uma mulher tem mais dificuldades de agilidade e mobilidade. Mas penso que tem um olhar mais sensível e criterioso, o que compensa.

 

   ACQJFM.: Ao longo dos anos as profissões da área têm sofrido alterações. Um profissional já não faz só uma coisa, exige-se polivalência. No seu caso, de que forma é que essa polivalência está patente?

 

   M.M.: Eu filmava e editava reportagem. Apenas isso. E é bom, gosto de ser eu a montar as minhas peças

 

    ACQJFM.: A crise nos meios de comunicação social afetou a sua profissão? De que forma?

 

   M.M.: Sim, afetou imenso. Recibos verdes, horas a mais por dia, trabalhar noites, madrugadas, por aí...

 

   ACQJFM.: Qual foi o momento mais difícil pelo qual passou no seu percurso profissional?

 

   M.M.: Momentos difíceis são todos os que se relacionem com mortes de pessoas. É sempre difícil para o jornalista.

 

   ACQJFM.: Profissionalmente, qual é o seu maior desejo?

 

   M.M.: Uma carreira internacional

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a caixa mágica?

 

   M.M.: Para trabalhar penso que não, já atrai poucas pessoas. Sobretudo os jovens que procuram melhores condições de vida, algo que o jornalismo não dá.

 

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Ficha Técnica com a "voz" da TVI: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

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Ficha Técnica com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

  

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Ficha Técnica com Pedro David: "Não escondo que vejo as novelas da TVI"

 

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   Na segunda parte do "Ficha Técnica", Pedro David conta como são os seus dias na TVI. O locutor revela de que forma consegue conciliar a sua profissão com a de DJ e esclarece a importância da locução para um canal de televisão.

 

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 Lê a primeira parte da entrevista clicando no logótipo do "Ficha Técnica":

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   ACQJFM.: Normalmente as intervenções de um "voice over" têm de ser curtas e concisas. No trabalho, o tempo é o seu maior inimigo?

 

   PD.: Sim, esta é daquelas profissões a que não podes chegar fora de horas e não te podes atrasar. Ou entras naquele minuto, naquele segundo, ou então já passou. Ou dizes o que tens para dizer, em 25 ou 50 segundos, ou então deixas a frase a meio.

 

 

   ACQJFM.: O facto de ser voz-off da TVI obriga-o a ser conhecedor ou, pelo menos, ler muita informação sobre a programação e o seu conteúdo. De que forma é que se prepara?

 

   PD.: Tenho o cuidado de tentar ver os episódios das novelas que a TVI transmite na véspera de estar de serviço. Assim, quando no dia seguinte entro ao serviço, é mais fácil localizar aquilo que o episódio do dia vai passar. Não escondo que “consumo” as novelas da TVI, já que elas fazem parte do meu material de trabalho.



   ACQJFM.: Que importância tem a locução para uma estação de televisão? Sente que é uma função que, ao longo dos anos, ganhou, perdeu ou manteve a sua relevância?

 

   PD.: Na minha opinião, sem querer “puxar a brasa à minha sardinha”, parece-me que este é um “pormenor” na emissão dos canais de televisão que está a ganhar cada vez mais espaço e importância. Se fizermos um “rewind”, a RTP há um tempo atrás não tinha locutores e hoje, não só tem, como intervêm em muitos momentos da emissão.

A SIC já há muito que tinha locutores no período de “prime-time” e agora já tem aos fins-de-semana, no período diurno.

A TVI há muitos anos que tem locutores, embora só no período do final da tarde até há uma da manhã. Penso que é uma mais valia para fazer a ligação entre a Estação e o espetador.

Apesar da imagem dos apresentadores, muitos deles estimados pela maioria do público, a verdade é que há aquela “voz” que todos os dias diz "boa noite" e está "ali sentado ao lado do espectador" para lhe lembrar o que pode ver a seguir e a convidar para não perder o episódio do dia seguinte. 

 

 

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   ACQJFM.: Além do seu cargo no canal de Queluz é também DJ. De que forma concilia as duas profissões?

 

   PD.: Sempre estive habituado a ter várias profissões ao mesmo tempo. Atualmente, conjugo apenas a TVI com o serviço de DJ. Por vezes troco a escala com os meus colegas Miguel Freitas, Ana Bernardino e Cláudia Macedo. Somos quatro locutores e entendemo-nos muito bem. Somos mais que colegas, somos amigos. Tentamos sempre ajudar-nos uns aos outros, de forma a que possamos estar bem com a empresa e também nas outras atividades que cada um tem.

Por vezes surgem alguns trabalhos mais difíceis de conjugar. Lembro-me de uma passagem de ano em que pedi ajuda aos meus colegas na TVI para estar livre da escala por 11 noites seguidas. Nesse período, estive ao serviço da TSF como jornalista. Depois descansei dois dias e voltei à escala da TVI. Quanto ao trabalho de DJ, marco as noites em discotecas sempre com a salvaguarda de qualquer alteração de última hora, visto que a Televisão e a Rádio são a minha prioridade.

 

 

   ACQJFM.: É a voz principal do canal português com maior audiência. É o ponto mais alto da sua carreira ou espera que o futuro lhe traga outros desafios?

 

   PD.: No dia em que eu achar que atingi o ponto alto da minha carreira, não terei mais vontade de me levantar da cama e ir trabalhar com gosto. Quero mais. Sei que tenho muito ainda para aprender. Adoro televisão e, apesar da idade ir avançando, desde que tomei consciência de que era este o caminho que queria seguir, não desisto de um dia realizar e apresentar um projeto de televisão.

Tenho formação na área, tenho carteira profissional e adorava fazer reportagem de guerra. Não desisto, porque gosto de aprender.

A minha primeira participação em televisão foi no "Big Show SIC", como apresentador de cidade e no júri estava Miguel Simões e Carlos Ribeiro, dois “Dinossauros “ da comunicação em Portugal e com quem tive o prazer de aprender e partilhar o estúdio, uns anos mais tarde. Passei pela Renascença onde também partilhei trabalhos com profissionais com alguns dos meus ídolos, como o António Sala, o Fernando Correia,  o Pedro Tojal, entre outros. Resumindo, espero chegar mais longe e espero cumprir todos os sonhos que tracei para mim.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   PD.: As redes sociais e a facilidade com que hoje se coloca uma imagem ou vídeo a circular na Internet, apagou um pouco o segredo dos bastidores da televisão. Na rádio esse efeito ainda é maior. O segredo e a curiosidade de saber como é a pessoa que está por trás daquela voz desapareceu com a evolução dos meios de comunicação. As rádios e as televisões tiveram de se adaptar à moda das redes sociais para criar uma aproximação com quem deixou de ouvir rádio ou ver TV.

No entanto, costumo dizer que os locutores de televisão são os "ilustres desconhecidos" da TV. Porquê? Porque todos os dias entramos na casa das pessoas, todos os dias lhes dizemos “boa noite” e convidamos para ficarem um pouco mais na nossa companhia, mas ninguém nos conhece a cara. Aliás, em qualquer um dos canais de TV em sinal aberto, nunca ninguém incluiu nas Galas de aniversário ou de Natal a presença dos locutores. Os tais que todos ouvem, mas que ninguém sabe quem são.

Desde que entrei para a TVI, em 2007, criei a minha frase : “Deixe-se ficar, vai ver que vai gostar!”. Por vezes, no dia a dia, acabo por dizer esta frase sem querer. Aconteceu-me há uns meses, numa caixa do supermercado, em que a funcionária olhava para um produto alimentar que eu levava e disse-me que já por várias vezes que esteve para comprar para ela, mas não sabia se ia gostar. Perante isto, disse-lhe de forma natural e sem querer: "tem de experimentar, vai ver que vai gostar !”. Quando acabei de dizer isto, a jovem olhou para mim e disse-me: “ Parecia que estava agora a ver a TVI”. Eu sorri, mas não disse mais nada. Percebi que o timbre de voz, juntamente com a frase que já é tão familiar dos espectadores, levou aquela jovem a reconhecer o tom da frase.

Não escondo orgulho, o que alguns preferem chamar vaidade.

Seja como for, tenho consciência de que o caminho que trilhei nunca conheceu o apelido “Cunha”. Estes episódios fazem-me sentir o efeito que tem a tal “caixa mágica”.

Ficha Técnica com Pedro David: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

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   Pedro David é um dos quatro locutores da TVI. Muito provavelmente, a grande maioria de nós conhecerá a sua voz, mas poucos saberão quem é.

 

    Está no canal de Queluz de Baixo desde 2007, embora tenha iniciado a carreira na Rádio. Jornalista de formação, começou na Nacional FM seguindo-se a Rádio Renascença. Já no Grupo Media Capital, juntou ao currículo a Rádio Nostalgia, a Mix Fm, o Rádio Clube Português, a M80, a Cidade Fm, a Romântica Fm e a Best Rock. Antes de se mudar para a televisão, trabalhou para a Rádio Comercial.

 

   Além da sua função no canal que lidera as audiências em Portugal, Pedro é também DJ.

 

   Em entrevista ao "Ficha Técnica", revela o seu percurso profissional, fala das exigências do seu trabalho e confessa um dos seus grandes desejos profissionais.

 

   A entrevista está dividida em duas partes. Podes ler a segunda parte já amanhã.

 

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   A Caixa que já foi Mágica.: Trabalhava na rádio e depois mudou-se para a TVI. Como surgiu o convite? 

 

   Pedro David.: Eu trabalhava na Rádio Comercial quando fiquei a saber da existência de duas vagas para Locutores na TVI. Embora o Grupo fosse o mesmo, as empresas eram diferentes e por isso tive que me candidatar como qualquer outra pessoa.

Em junho de 2007 recebi um telefonema no qual me informaram que tinha sido escolhido para uma das duas vagas. Mantive-me na Rádio como Jornalista e iniciei, em paralelo, a função de Locutor em julho do mesmo ano.

Foi um período alucinante. Em agosto inaugurei uma Croissanteria no Entroncamento. A par de tudo isto, estava ainda a dar formação de “Dicção de Rádio” nas instalações da ARIC (Associação de Rádios de inspiração Cristã), em Fátima. Estava ainda a gravar um projecto piloto de 13 programas para a RTP e tinha a agenda cheia como DJ.

Foi um ritmo alucinante de trabalho que mantive até 2009.  

 

   

   ACQJFM.: Quais são as suas principais tarefas?

 

   PD.: Na TVI, a principal função é a da criação de textos e a respetiva locução nos genéricos dos programas e telenovelas. Tenho de deixar o espetador “colado” à TV enquanto não entra a publicidade. É como quem deixa um convite por voz para que  se continue do outro lado e na nossa companhia. Depois, no decorrer dos programas, criamos as frases (tickers) que passam em rodapé, informando o que vai ser transmitido a seguir.

 

   

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades na sua profissão?

   

   PD.: Para mim, a maior dificuldade é criar um texto sempre mais apelativo e que desperte a curiosidade do espectador em relação ao último que fiz. O tempo é curto e a imaginação tem que funcionar.

Depois é ter segurança no que vamos dizer e da forma como passamos a mensagem. Não pode parecer ruído para quem nos ouve, mas sim uma voz amiga e familiar que todos os dias entra pela casa das pessoas, sem pedir autorização.

 

   

   ACQJFM.: Qual foi a situação mais complicada pela qual passou? E a mais caricata?

 

   PD.: O trabalho que fazemos é em direto. Houve um dia em que preparei o texto poucos minutos antes de ir para o ar e, no momento de mandar imprimir para ir para estúdio, a impressora encravou. Conclusão, fui para estúdio só com o texto em mente, mas o cansaço é uma arma inimiga da perfeição.

Quando a luz “ON AIR” acendeu, a minha memória apagou-se e daí para frente, os 45 segundos que tinha para falar, transformaram-se em 45 minutos. Parecia que nunca mais acabava o "off" e eu esqueci-me dos nomes dos programas que iam dar ao serão e até do programa que estava a terminar.

Então ficou qualquer coisa como isto: “Boa noite, este programa terminou, já a seguir a TVI preparou outro programa no género e mais tarde veja mais programas que a TVI preparou para esta noite da semana ( nem o dia me lembrava). Tenha uma boa noite com a programação da TVI “.

 

 

 

 Lê também:

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 "Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

 

 

   ACQJFM.: A sua voz é muito característica. Sente que teve sorte e, por isso, chegou ao lugar onde está ou a sorte trabalha-se?

   

   PD.: Quando comecei na Rádio, a 20 de Fevereiro de 1990, falava pelo nariz e a cantar. Tinha a mania que era locutor e apenas tinha conhecimento daquilo que ouvia na antiga Radio Press, hoje TSF. Ouvia muito essa rádio e imitava o José Coimbra. Os anos e a insistência em ouvir o que fazia mostraram-me o que realmente era inaudível e o que estava errado. Tentei e aprendi a ser mais natural e foi aí que percebi que tinha algum potencial na voz. A partir dessa altura, pesquisei, ouvi, treinei e, acima de tudo, ganhei muito respeito pela minha voz.

 

 

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   ACQJFM.: Sendo a voz a sua principal ferramenta de trabalho, que cuidados tem?

 

   PD.: Confesso que não tenho muitos, mas há algumas coisas que evito fazer. Por exemplo, alterações bruscas de temperatura, beber água muito gelada, apanhar correntes de ar e comer alimentos muito quentes. À margem disto, não fumo e só bebo bebidas alcoólicas ocasionalmente por uma questão social.

 

 

   ACQJFM.: Como é que trabalha e treina as cordas vocais? É um trabalho idêntico ao de um cantor, por exemplo, ou algo mais específico?

 

   PD.: Tenho uma preocupação rotineira. Antes de iniciar um "off" ou um trabalho vocal, aqueço os 13 músculos da boca que interferem com o desempenho da dicção e das cordas vocais. Faço dois exercícios fundamentais durante dois a três minutos antes de falar para o "AR". São exercícios que ensino aos alunos das minhas formações. São truques que eles fazem e o resultado é imediato e notório.  

 

 

 

 

Lê a segunda parte da entrevista clicando no logótipo do "Ficha Técnica":

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Diana Bouça-Nova: "Acho difícil regressar ao entretenimento"

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Diana Bouça-Nova (RTP)

 

 

 

   

 

 

   Diana Bouça-Nova, de 31 anos, é jornalista da RTP desde 2015.  Apesar de fazer da informação a sua vida profissional, foi no entretenimento que, inicialmente, se destacou.

 

 

   Em 2009, tornou-se numa das caras da SIC Radical. Foi apresentadora do "Curto Circuito" e repórter em eventos como o "Rock in Rio - Lisboa".

   

   Em entrevista ao "A Caixa que já foi Mágica", revela qual o sentimento de um jornalista ao ser notícia, por motivos pessoais, como é o seu caso. Fala dos planos para o futuro na estação pública e conta ainda como foi a mudança de registo na televisão.

 

 

 

   ACJFM.: Como correu a passagem do entretenimento para o jornalismo? No início, as diferenças entre estas duas vertentes criaram-lhe dificuldades? 

 

   Diana Bouça-Nova.: A passagem foi tranquila. Já tinha feito jornalismo antes. Sou jornalista. Ainda bem que há sempre desafios.

 

   

   ACJFM.: Os novos colegas conheciam o seu trabalho como apresentadora?

 

   DBN.: Alguns sim. Mas isso nunca foi motivo de privilégio ou do contrário.

 

   

   ACJFM.: Desde que está na RTP, como jornalista, qual foi o trabalho que lhe deu mais gozo fazer? E qual o que lhe criou mais dificuldades?

 

   DBN.: Há vários. É difícil definir apenas um. Gosto muito de trabalhos que envolvam sair em reportagem por algum tempo. Obriga-nos, enquanto jornalistas, a "mergulharmos" naquele trabalho. É muito bom.

   Tenho a sorte de já ter tido alguns assim. Adorei fazer parte da equipa do Euro, que teve o melhor final possível e tantos outros trabalhos. Felizmente, não posso dizer que tenha tido algum com grandes dificuldades.

 

   

   ACJFM.: Afirmou, em entrevista, que espera "crescer na RTP". Quais são as suas perspetivas em relação ao futuro no canal público?

 

   DBN.: "Crescer" engloba muita coisa. É essencial para mim saber mais e fazer melhor todos os dias. Estar num canal como a RTP tem esse peso e essa é também uma responsabilidade que carrego comigo sempre, em qualquer lado. Gosto de desafios, de "sair da minha zona de conforto", trabalhar em áreas novas. Ainda tenho muito para aprender!

 

   

   ACJFM.: Tem sido notícia por alguns assuntos pessoais, como o seu casamento e o nascimento do primeiro filho. Agora que está do outro lado, do lado do jornalista, como é que encara o facto de continuar a ser notícia?

 

   DBN.: Nunca foi muito confortável para mim e continua a não ser. No entanto, já me habituei. Vivo na velha máxima de livro aberto. Prefiro ser eu a dar a notícia e partilhar do que ter a imprensa a "tentar saber". Não me incomoda que se saiba que casei e que tive um filho porque ambos são motivos de felicidade. Dizem respeito à minha vida? Sim, claro. Mas porque não partilhar com os outros?

 

   

   ACJFM.: Um regresso ao entretenimento está fora de questão?

 

   DBN.: Acho difícil...

 

   

   ACJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   DBN.: A televisão continua e quero acreditar que vai continuar a ser mágica!

 

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O regresso de Moura Guedes

A maior surpresa das novas apostas televisivas para a rentrée vem de onde menos esperava, da RTP. O Quem Quer Ser Milionário? está de volta para mais uma edição a 23 de setembro e a apresentadora é Manuela Moura Guedes.

 

 

 

 

A jornalista está afastada da antena desde setembro de 2009 e deixou a TVI um mês mais tarde. Recorde-se que a jornalista começou a carreira na estação pública no entretenimento e só depois se mudou para a informação.

 

Primeiro que tudo, é ridículo que um canal que anda a despedir trabalhadores de várias formas vá "buscar fora" aquilo que tem em "casa".

 

Excluindo este reparo, não vejo problema algum neste regresso. Posso não adorar o trabalho de Manuela Moura Guedes como jornalista mas tenho de admitir que é uma boa profissional de televisão. A mulher de José Eduardo Moniz vai fazer de tudo para estar à altura do desafio, que vai ser grande, sobretudo porque vai ter os holofotes virados para si. É que com esta escolha, a RTP consegue provocar interesse generalizado num programa que, com qualquer outro apresentador do canal, passava despercebido.

 

Esta não é a primeira vez que o Quem Quer Ser Milionário? tem uma mulher e uma jornalista na condução. Maria Elisa também já ocupou o lugar em tempos.

 

As portas de televisão voltaram a abrir-se para Moura Guedes. Vai ser estranho, nos primeiros tempos, vê-la a conduzir o programa mas não me parece que vá desiludir. Há algo que já é certo: como sempre, está a dar que falar.

 

João Moleira em exclusivo: "Acordo todos os dias às 3 da manhã. Isso não é fácil."



João Moleira é o rosto das manhãs informativas da SIC e SIC Notícias há vários anos. Está no canal de informação desde o início, depois de ter iniciado a carreira na rádio e na impressa escrita. Foi ainda professor na Universidade Independente durante dois anos. Ao Perguntas na Caixa responde sobre a sua vida enquanto jornalista e o seu trabalho como pivô na Edição da Manhã.

 


ACM.: Começou por fazer rádio, atualmente faz televisão. Tem preferência por alguma das duas?


JM.: Hoje sinto-me mais confortável a fazer televisão, mas continuo a gostar muito de rádio, embora não faça há 15 anos. São meios diferentes, mas com pontos em comum. Por exemplo, uma passagem pela rádio facilita na integração na televisão, porque a informação no momento, o directo, a pressão das horas, a comunicação oral, são os aspectos determinantes.


ACM.: Ser pivô é o trabalho que mais lhe agrada em televisão?

 

JM.: Não sei dizer se é o que mais gosto, mas é aquele que me foi destinado desde que aqui cheguei. É um trabalho que abrange várias áreas do jornalismo e faz-nos inteirar das mais variadas matérias e géneros. É um trabalho completo, agora não é mais nobre por isso. Há outras funções no jornalismo que são tão ou mais importantes e que gostaria de desempenhar.

 

ACM.: Está na SIC Notícias desde o início do canal. Há muitas mudanças 11 anos depois?


JM.: São quase 12 anos. Naturalmente que há mudanças. Mal seria se ao fim de tanto tempo as coisas não evoluíssem. Estamos naturalmente mais maduros, mais experientes e isso nota-se no canal. Haverá sempre aspectos a melhorar, mas continuamos a cumprir o objectivo de informar bem os portugueses.

 

ACM.: Quais as dificuldades de apresentar um informativo de madrugada?


JM.: Acordo todos os dias às 3 da manhã. Isso não é fácil. De qualquer forma, uma vez levantado, esquece-se a hora e começa-se a trabalhar. Um programa a esta hora tem o aliciante de ser o primeiro contato do espectador com a televisão naquele dia e há que criar impacto, empatia, simpatia, além de deixar informados quem nos vê.

 

Como se prepara a Edição da Manhã?


JM.: Começo a preparar na véspera em casa, principalmente se já sei quem vão ser os meus convidados na manhã seguinte. Depois, de madrugada, leio todos os jornais, vejo o que se passa nas agências, escrevo os textos que vou ler e tento estar atento a tudo o que se vai passando, mesmo quando a edição já está no ar.

 

ACM.: Recentemente a TVI 24 venceu, pela primeira vez, a SIC Notícias. Mérito da concorrência ou demérito da SIC?


JM.: Foi a escolha da maioria dos espectadores nesse dia, em particular. E os espectadores são sempre soberanos. Não sei o dia em que isso aconteceu, nem com que acontecimento, mas a verdade é que nos dias seguintes as audiências voltaram ao "normal".


ACM.: Preocupa-se com as audiências?


JM.: Naturalmente que consulto as audiências, mas não podem ser uma obsessão. Isso condicionaria o nosso trabalho. São um referencial importante, apenas isso.


A televisão ainda é a “caixa mágica”?


JM.: Terá perdido a importância de outros tempos, com o aparecimento de novas formas de comunicação, mas continua a ser a "caixa mágica". Pelo menos muita gente ainda a vê assim.

Que Judite é esta?

Judite de Sousa deixou de ser o que era ou finalmente mostrou aquilo que sempre foi. Numa entrevista ao jornal Público, a jornalista fez declarações que não dignificam a profissão. 

 

Judite admite que as entrevistas que fez a quatro banqueiros foram uma forma de intervir na cena política portuguesa e acrescenta, orgulhosa, que 48 horas depois dessas mesmas entrevistas, o ministro José Sócrates  pedia ajuda financeira para Portugal. 

 

Ora, vangloriar-se de um feito que, nestes moldes, não compete ao jornalismo não foi a melhor opção. Onde está a profissional que entrevistava figuras no momento certo e que interessavam realmente ao país? Agora deixa-se levar, facilmente, pela onda da televisão privada e até Paulo Futre entrevista. 

 

E que Judite é esta que deixou para trás uma imagem cuidada, mas sóbria, para começar a utilizar penteados espampanantes, brincos, anéis, colares e quaisquer outros objetos? Parece-me que a jornalista se esqueceu que o mais importante é aquilo que diz e não aquilo que mostra. 

 

Esqueceu-se que em televisão tudo conta e tudo serve de motivo para distração. Esqueceu-se ou lembrou-se que nunca quis ser aquilo que foi na RTP. 

 

Podia não ser perfeito, mas era bem melhor do que aquilo em que se tornou.

Profissionalismo em guerra

Na quinta-feira assistiu-se a um dos momentos mais impressionantes na televisão portuguesa nos últimos anos.
Não, não foram as historietas dos talk-shows, não foram os episódios das novelas ou das séries, mas sim um directo no Primeiro Jornal da SIC. Cândida Pinto, repórter do canal e já presença habitual em cenários de guerra, protagonizou esse momento.
O profissionalismo e sangue frio da jornalista, em pleno tiroteio, foram momentos absolutamente angustiantes para quem assistia ao directo em Tripoli, capital da Líbia.
Cândida não precisa de dar provas de nada para mostrar que é uma das jornalistas mais competentes e importantes no audiovisual português e, mesmo assim, mostrou que um bom profissional não se deita à sombra do sucesso.