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A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a televisão portuguesa

"No comments"

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   Geralmente não me junto aos coros de críticas que se fazem ecoar por essas redes sociais fora. Desta vez, não posso ficar indiferente.

 

   Neste domingo, em Pedrogão Grande, Judite Sousa fez uma reportagem junto de um corpo de uma mulher que morreu a fugir das chamas"Está um corpo aqui ao meu lado, de uma senhora, que ainda não foi recolhido, apesar de os bombeiros se encontrarem muito perto deste local”. Foram estas as palavras utilizadas pela jornalista enquanto apontava para o corpo apenas coberto por um lençol branco.

 

   Judite cometeu o maior erro da sua carreira neste dia. Aquilo que fez não tem desculpa. Desrespeitou a dor daqueles que sofreram e sofrem com a tragédia, desrespeitou aquela mulher e desrespeitou o jornalismo. A situação é delicada ou não fosse o incêndio na zona de Leiria a maior tragédia dos últimos anos em Portugal.

 

   Esta situação é imperdoável para qualquer jornalista e para qualquer canal. Neste caso, existe uma agravante. Judite Sousa perdeu o único filho em 2014. Na altura, a mãe pediu respeito por si e por André Sousa Bessa aos colegas jornalistas. A dor que com certeza ainda sente deviam tê-la feito perceber que estava a ultrapassar todos os limites. Ultrapassaram-se todas as regras de bom senso e do aceitável.

 

   Esta segunda-feira, à N-TV, falou sobre a situação dizendo apenas: "no comments!". Sem comentários mesmo, Judite!

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"Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

 

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Ficha Técnica com a "voz" da TVI: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

 

 

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Jardim Proibido

Sempre ouvi dizer que o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. A TVI espera que, no caso de Jardins Proibidos, o "nunca" não exista e o "tarde" chegue o mais depressa possível.

 

Já aqui o referi: a ideia de fazer a primeira sequela de uma novela portuguesa é muito boa mas tudo o resto falhou.

 

Em Queluz não souberam esperar pelo momento certo e isso foi fatal.

 

A novela estreou com boas audiências mas essas têm caído a pique. A trama teve de ser desviada da líder Mar Salgado e aquela que era a grande aposta da TVI debate-se agora para superar a brasileira Império.

 

Quanto a mim, os erros foram e são muitos. Fazer uma sequela com meia dúzia de atores da primeira versão não é uma boa opção. Fazer uma sequela numa altura em que a protagonista está grávida e, para colmatar a sua ausência, a deixam em coma durante meses é estupidez. Pior ainda, é fazer uma sequela na qual a história tem pouco o nenhum seguimento da anterior.

 

Agora, correm atrás do prejuízo. A novela romântica virou policial. Matam-se personagens a rodos e cria-se um serial killer. Tudo isto para darem entrada a novos atores na trama.

 

Jardins Proibidos vai durar, ao que tudo indica, até setembro de 2015.

 

Como eu ainda acredito em ditados populares é muito provável que esta novela não fique para a história.

"Só o trabalho nos salva!"

Esta quinta-feira vi a entrevista que Cristiano Ronaldo deu a Judite Sousa na TVI pelo mesmo motivo que muitos a viram: o regresso da jornalista ao trabalho depois da morte do seu único filho.

 

Aquele início foi tão sofrido para a Judite que a mim me provocou o mesmo sentimento. Tremeu, quase chorou e mesmo assim conseguiu fazer o seu trabalho. Só se pode tratar de uma grande profissional.

 

Eu sei que já o era mas nem sempre apreciei o seu trabalho. A Judite mereceu a minha atenção e merece o meu aplauso. Foi visível o seu desconforto e a sua tristeza embora, ao longo da entrevista, se tenha notado um crescendo de confiança.

 

A jornalista travou uma batalha contra si mesma. Infelizmente, todas as atenções estavam viradas para si mesmo tendo à sua frente aquele que é considerado o melhor jogador de futebol do mundo.

 

Contudo, ficou claro que Judite não está pronta para regressar aos ecrãs. Precisa de continuar a fazer o seu luto e talvez a trabalhar, sim, mas atrás das câmaras.

 

As audiências, como seria de esperar, valeram o segundo lugar do dia ao Jornal das 8 com uma média de cerca de 1 milhão e 400 mil espetadores.