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A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a televisão portuguesa

"No comments"

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   Geralmente não me junto aos coros de críticas que se fazem ecoar por essas redes sociais fora. Desta vez, não posso ficar indiferente.

 

   Neste domingo, em Pedrogão Grande, Judite Sousa fez uma reportagem junto de um corpo de uma mulher que morreu a fugir das chamas"Está um corpo aqui ao meu lado, de uma senhora, que ainda não foi recolhido, apesar de os bombeiros se encontrarem muito perto deste local”. Foram estas as palavras utilizadas pela jornalista enquanto apontava para o corpo apenas coberto por um lençol branco.

 

   Judite cometeu o maior erro da sua carreira neste dia. Aquilo que fez não tem desculpa. Desrespeitou a dor daqueles que sofreram e sofrem com a tragédia, desrespeitou aquela mulher e desrespeitou o jornalismo. A situação é delicada ou não fosse o incêndio na zona de Leiria a maior tragédia dos últimos anos em Portugal.

 

   Esta situação é imperdoável para qualquer jornalista e para qualquer canal. Neste caso, existe uma agravante. Judite Sousa perdeu o único filho em 2014. Na altura, a mãe pediu respeito por si e por André Sousa Bessa aos colegas jornalistas. A dor que com certeza ainda sente deviam tê-la feito perceber que estava a ultrapassar todos os limites. Ultrapassaram-se todas as regras de bom senso e do aceitável.

 

   Esta segunda-feira, à N-TV, falou sobre a situação dizendo apenas: "no comments!". Sem comentários mesmo, Judite!

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"Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

 

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Ficha Técnica com a "voz" da TVI: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

 

 

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Ficha Técnica com Mariana Marques: "Não pretendo regressar à televisão tão cedo"

   

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   Mariana Marques foi uma mulher numa profissão dominada por homens. Aos 25 anos foi repórter de imagem na TVI e na CMTV. 

 

   A jovem de Marco de Canaveses fez da televisão a sua vida durante mais de três anos. Além dos dois canais de televisão, onde fez apenas trabalhos para a informação, passou ainda pelo Porto 24 e pelo Jornal de Notícias.

 

   Recentemente abandonou a profissão e mudou-se para Barcelona. Ao "Ficha Técnica", conta como vive uma mulher numa profissão na qual os homens estão em maioria. Fala ainda das dificuldades de um Repórter de imagem, da precariedade e revela que não pretende regressar à televisão se as condições se mantiverem como estão.

 

 

Mariana Marques

 

 

   A Caixa que já foi Mágica.: Porque é que deixou a televisão?

 

   Mariana Marques.: Deixei a televisão por causa da precariedade e da instabilidade relativamente ao futuro.

 

   ACQJFM.: Regressar à televisão faz parte dos seus planos?

 

   M.M.: Não, não pretendo regressar tão cedo. As condições teriam de mudar muito, algo que não me parece possível.

 

   ACQJFM.: Qual é o seu percurso profissional?

 

   M.M.: Comecei a estagiar no Jornal de Noticias. Depois fui para o Porto24 fazer reportagens sobre várias temáticas inerentes à cidade. Mudei-me para a CMTV até que recebi uma proposta da TVI, onde estive um ano e quatro meses. Agora estou em Barcelona.

 

   ACQJFM.: Além de, obviamente, captar imagem, o que é que faz um Repórter de imagem? 

 

   M.M.: A principal função do Repórter de imagem é contar a história ao telespetador através daquilo que filma. Para isso, quando está no terreno tem de criar uma sequencia mental da montagem final da reportagem. Ou seja, quando está no terreno tem de saber como vai contar a história. Todos os planos tem de estar relacionados para fazerem sentido a quem está a ver em casa.

 

   ACQJFM.: A ideia de que esta é uma profissão mais masculina é errada?

 

   M.M.: Nao é errada. Há poucas mulheres em Portugal a fazer jornalismo televisivo como repórter de imagem. Penso que se podem contar pelos dedos de uma mão. Ouvi sempre muitos comentários relacionados com isso: "muito bem, uma menina a fazer trabalho de homem" ou "isso é muito pesado para uma menina", coisas deste género

 

   ACQJFM.: Como é que uma mulher vive neste meio profissional? Alguma vez foi discriminada, profissionalmente, por ser mulher?

 

   M.M.: Sinto que unca fui discriminada. Sempre consegui fazer o meu trabalho.

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades na sua profissão?

 

   M.M.: Sentia principalmente a nível físico. Uma mulher tem mais dificuldades de agilidade e mobilidade. Mas penso que tem um olhar mais sensível e criterioso, o que compensa.

 

   ACQJFM.: Ao longo dos anos as profissões da área têm sofrido alterações. Um profissional já não faz só uma coisa, exige-se polivalência. No seu caso, de que forma é que essa polivalência está patente?

 

   M.M.: Eu filmava e editava reportagem. Apenas isso. E é bom, gosto de ser eu a montar as minhas peças

 

    ACQJFM.: A crise nos meios de comunicação social afetou a sua profissão? De que forma?

 

   M.M.: Sim, afetou imenso. Recibos verdes, horas a mais por dia, trabalhar noites, madrugadas, por aí...

 

   ACQJFM.: Qual foi o momento mais difícil pelo qual passou no seu percurso profissional?

 

   M.M.: Momentos difíceis são todos os que se relacionem com mortes de pessoas. É sempre difícil para o jornalista.

 

   ACQJFM.: Profissionalmente, qual é o seu maior desejo?

 

   M.M.: Uma carreira internacional

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a caixa mágica?

 

   M.M.: Para trabalhar penso que não, já atrai poucas pessoas. Sobretudo os jovens que procuram melhores condições de vida, algo que o jornalismo não dá.

 

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Ficha Técnica com a "voz" da TVI: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

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Ficha Técnica com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

  

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Torna-se viral na Internet e vai à televisão

 

 "Virinha", assim é conhecida a senhora que se tornou viral nas redes sociais nas últimas semanas. 

 

Depois de ter sido filmada por um casal que lhe pediu informações, a senhora tornou-se conhecida pela sua forma despreocupada de falar. "Virinha" esteve hoje no Você na TV, da TVI.

 

 

 

Veja agora o vídeo no programa da manhã:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Imitar não é inovar

É importante que a TVI inove nas suas novelas e que não se deixe sempre levar por uma ficção que retrate a vida tal como ela é. 

 

 

De vez em quando é também necessário inserirem-se temas ou personagens que fossem apenas possíveis em ficção. Doce Tentação, a nova novela do canal, parece ser digna desse nome. Alguns bons atores, algumas boas interpretações e uma história simples.

 

Esquecendo tudo o resto, existe uma personagem mistério, vestida de vermelho, que aparece nas noites de lua cheia e que viola os homens da história. Sem se pensar muito, esta é daquelas personagens bastante ficcionadas mas que cria curiosidade no espetador que, muito provavelmente, só saberá da sua identidade no final da novela. 

 

Se se pensar um pouco, é possível chegar-se a dois personagens de novelas brasileiras muito idênticas, nos tempos em que a teledramaturgia brasileira era rainha e senhora da televisão em Portugal. Em Tieta existiu a "mulher de branco" que violava os homens de noite. Já em A Indomada, a personagem "cadeirudo", atacava as mulheres em noite de lua cheia.

 

É verdade que hoje em dia, em televisão, já se inventou quase tudo, mas aí está um desafio interessante: inventar algo novo ou melhorar aquilo que já foi feito. Este caso da novela da TVI não é uma coisa nem outra. É apenas uma mistura de duas personagens brasileiras de sucesso. 

 

Enquanto as novelas portuguesas se continuarem a inspirar descaradamente nas novelas brasileiras, não se pode afirmar que sejam melhores, mas já estiveram mais longe de o ser.