Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a televisão portuguesa

"Biggest Deal" ou "Biggest Loser"? - Opinião e audiências

facebook.jpg

Teresa-Guilherme-Biggest-Deal.jpg

 

 

   "Biggest Deal" estreou, este domingo à noite, na TVI. Em dia de eleições autárquicas e de derby entre FC Porto e Sporting, o reality-show teve o pior resultado de sempre em formatos do género para o canal.

 

   Mas vamos primeiro a uma opinião/primeira impressão. O novo programa da TVI mereceu os maus resultados. A falta de ritmo, a falta de emoção, a falta de reações por parte de uma plateia que não existiu e facto o de tudo estar (mal) ensaiado em demasia mataram o formato logo à nascença.

 

   A ideia que fica é que a TVI e a Endemol desaprenderam de fazer reality-shows. O lote de concorrentes é bom, embora falte uma figura polémica ou extravagante. Continuo a achar que José Castelo Branco faz falta. Além disso, a estreia foi tão enfadonha que até a concorrência, sem qualquer tipo de novidade, foi mais apetecível.

 

   O maior erro foi não colocar Teresa Guilherme num estúdio, com público, e lançar os concorrentes a partir daí. Outro erro foi dar tempo de antena a um casal chinês que "não percebia" a língua portuguesa e que afinal percebia tudo. O público não vai nestas cantigas. São parvoíces que já há muito tempo deixaram de fazer sentido. A falta de ritmo e de verdadeira novidade fizeram o resto.

 

   A partir de agora, o caminho de "Biggest Deal" vai ser muito mais difícil. O "The Voice Portugal" volta para a semana, tal como a nova temporada do "Vale Tudo".

 

   Quanto aos números, a nova aposta da TVI não foi além dos cerca de 700 mil espetadores. Este valor corresponde a 7,2% de audiência média e 17,1% de share. O reality-show chegou mesmo a perder para a concorrência da SIC e da RTP1.

 

   Recorde-se que, em 2016, "Secret Story 6" conquistou 1 milhão e 208 mil espectadores, em média. Em 2013, a estreia de "Secret Story 4", também em dia de eleições, registou uma média de 1 milhão e 739 mil espectadores.

 

   Neste domingo, 1 de outubro, o "Autárquicas 2017" da TVI foi o programa mais visto do dia, seguido do "Jornal da Noite - Eleições Autárquicas", da SIC.

 

Os dados apresentados são provisórios, da responsabilidade da CAEM/GfK e podem sofrer alterações.

facebook.jpg

 

Ficha Técnica com Isabel Roma.: "É mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências"

coverFB_fichatecnica_V2.png

 

 

   Isabel Roma é produtora de televisão na RTP. Está na estação pública há mais de 17 anos, quase metade da sua vida. 

   

   Natural do Porto, tem a seu cargo o programa "Janela Indiscreta". Mário Augusto é a cara principal do formato que conta todas as novidades do cinema mundial.

 

   Em entrevista ao "Ficha Técnica", relata as exigências do trabalho e revela que as audiências não a preocupam. A produtora conta que a qualidade dos formatos que tem a cargo são a sua maior preocupação e que aprendeu na RTP a interessar-se apenas pelo Presente.

 

Isabel Roma de Oliveira

 

 

   

   A Caixa que já foi Mágica.: Está na RTP há 17 anos. Trabalhou sempre como produtora na televisão pública ou ocupou outros cargos?

 

   Isabel Roma.: Antes de ser produtora fui relações públicas e assistente de produção. Antes de trabalhar em audiovisuais trabalhei em turismo.

 

 

    ACQJFM.: Qual é o trabalho de um produtor de televisão?

 

    I.R.: Um produtor é aquele que tem que fazer tudo para que uma ideia se concretize, se possível, sem se fazer notar.

 

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores exigências no seu trabalho?

 

   I.R.: Saber tudo sobre cada projeto que se tem em mãos, mas saber igualmente delegar e confiar tarefas. Ser o primeiro a entrar e o último a sair.

 

Depois, dependendo do tipo de produção em causa: assegurar os melhores, mais credíveis e criativos conteúdos; assegurar as melhores condições de trabalho aos colegas (e isso pode incluir alojamento, alimentação, mas também um guarda-sol ou um comprimido para a dor de cabeça) ou assegurar que cada projeto fica dentro do orçamentado.

 

 

   ACQJFM.: De todos os programas que produziu, há algum que lhe deixe mais saudades? Qual foi o formato mas desafiante ao longo destes anos e porquê?

 

   I.R.: O ano do "Euro 2004" é inesquecível para todos os que, de alguma forma, estiveram envolvidos na transmissão dos jogos, programas de apoio, etc..

 

O projeto mais recente é sempre o mais desafiante. Ou, dito de outra forma, todos os projetos têm desafios diferentes. No ano passado, por exemplo, houve um projeto para a RTP2 chamado “Jogos Reais” que foi altamente desafiante!

 

 

32597_39173_78645.jpg

 

 

   ACQJFM.: É, atualmente, produtora do programa "Janela Indiscreta". Em que é que este formato é desafiante para si?

 

   I.R.: Este programa acaba por ser bastante simples, porque trabalhamos, maioritariamente, com conteúdos que nos são fornecidos. O meu colega Francisco Silva estabelece todas as pontes necessárias e assegura as gravações com o Mário Augusto.

 

 

   ACQJFM.: Uma vez que trabalha na televisão do Estado, quais são as maiores dificuldades em fazer serviço público?

 

   I.R.: Não chamaria dificuldades, mas antes responsabilidades. Se conhecermos as bases do Contrato de Concessão, se conhecermos as regras, na realidade não é nada difícil. E, em última instância, temos sempre uma estrutura que assegura que nunca perdemos o rumo.

 

Torna-se mais difícil, na verdade, explicar o Serviço Público para fora da empresa, porque quase ninguém fora da RTP lê um documento como o Contrato de Concessão! E isso dá origem a imensos “treinadores de bancada” que não sabem do que falam.

 

 

   ACQJFM.: As audiências preocupam-na?

 

   I.R.: Preocupa-me mais saber se os programas têm qualidade. E interessa-me saber se todas as formas de ver conteúdos são medidas, e não apenas quem vê no momento de emissão em televisão (refiro-me, por exemplo, ao on-demand).

 

 

   ACQJFM.: O que é que, na sua opinião, é mais difícil: garantir audiências ou fazer serviço público?

 

   I.R.: É mais difícil garantir audiências. E é muito mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências.

 

 

   ACQJFM.: Em 17 anos a RTP mudou muito a vários níveis. Hoje a estação é melhor do que era em 2000?

 

   I.R.: Está melhor, claro, e daqui a 17 anos estará melhor ainda. O percurso da RTP, embora nem sempre fácil, é muito sólido.

 

 

   ACQJFM.: O que é que gostava que o futuro profissional lhe reservasse?

 

   I.R.: Gosto mais de apreciar o presente do que ter expectativas. O melhor momento é o agora, porque esse já ninguém me tira – e isto aprendi com uma das pessoas mais especiais com quem me cruzei na RTP.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   I.R.: Para a maioria das pessoas, creio que sim. Mas para muitas outras, a caixa mágica de hoje está online ou na box.

 

 

 

Leia também:

postsimples_fichatecnica_V1.png

Ficha Técnica com Pedro David: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

postsimples_fichatecnica_V1.png

"Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

 

 

 

NOTA.: O "A Caixa Que Já Foi Mágica" vai de férias, mas promete regressar em setembro. Até lá, se for o caso, umas boas férias também para si :)

"Paga para ver" - O que veem os portugueses na televisão paga?

facebook

 

pagaparaver

   

   Três em quatro lares portugueses têm serviços de televisão paga, segundo dados do mais recente Barómetro de Telecomunicações da Marktest.

 

   A verdade é que, cada vez mais, se lê e se ouve que os portugueses estão a alterar os seus hábitos televisivos. Que veem mais séries ou mais filmes, preterindo as novelas. Que já começam a preferir os canais pagos em relação aos canais de sinal aberto. 

 

   Talvez esteja tudo certo, ou talvez não. Sabes o que é que os portugueses pagam para ver?

 

   De 12 a 25 de setembro, novelas, filmes, desenhos animados, debates futebolísticos e uma partida de Hóquei em Patins foram os programas com maior destaque a entrar num conjunto de 20 mais vistos.

  

 MaisCupão - Número em Portugal em códigos de descontos online

 

   

   O filme "Os Mercenários 2", emitido pelo canal Hollywood, foi líder de audiências na semana de 12 a 18 de setembro e o jogo de Hóquei em Patins disputado entre o SL Benfica e o FC Porto, emitido pela TVI24, alcançou o pódio na semana seguinte.

 

 

 

   As novelas são também líderes na televisão paga. "Os Dez Mandamentos - Nova Temporada", da TV Record, e "A Escrava Isaura", da mesma televisão mas emitida p´la CMTV, são as mais vistas em Portugal. A repetição de "Morangos com Açucar III", no Panda Biggs, e "Êta Mundo Bom!", da Globo também figuram no "top".

 

 

   MaisCupão - Número em Portugal em códigos de descontos online

   

 

   Os debates sobre futebol também não ficam de fora. "Prolongamento" e "Mais Bastidores", da TVI24, juntam-se ao "Play-Off" e ao "Dia Seguinte" da SIC Notícias no segmento dos mais vistos.

 

 

   

   O Panda é dono e senhor dos "Top 20" semana após semana. É o canal que mais programas coloca no ranking. Entre eles destacam-se os seguintes: "Patrulha Pata", "Ruca", "Dora e os amigos na cidade", "Masha e o Urso", entre outros. Na secção dos desenhos animados, o Disney Junior e o Disney Channel também conseguem figurar na lista.

 

   Em duas semanas, nas contas dos mais vistos da televisão paga, não há séries, não há talent ou reality-show´s, não há culinária, não há noticiários, não há documentários e filmes apenas três.

 

   Os hábitos televisivos dos portugueses estão assim tão diferentes? Acho que não!

facebook

 

   

  

  

Taça de Portugal dá liderança à TVI

 

A final da Taça de Portugal, que colocou o FC Porto e SP. Braga frente-a-frente no estádio do Jamor, garantiu a liderança das audiências à TVI.

 

 

 

O jogo entre as duas equipas do norte do país, que teve início às 17H45 deste domingo, registou um número médio de 2 milhões e 900 mil espetadores

 

A partida rendeu à TVI 20,7% de rating e 56,9% de share, ou seja, metade do público que estava ligado à televisão àquela hora, assistia à vitoria do SP. Braga sobre o FC Porto.

 

O minuto mais visto foi já bem perto do final do jogo, às 20H04, numa altura em que se marcavam as grandes penalidades.

 

Também a estreia de Masterchef Júnior, em horário nobre, levou a melhor sobre a concorrência, apesar da estreia de Não Há Crise! na SIC.

 

Contas feitas, a TVI venceu as audiências das generalistas neste domingo, seguida da SIC e da RTP1.

 

facebook

 

 

Liga dos Milhões

 

A RTP comprou os direitos de transmissão da Liga do Campeões para os próximos três anos (2015-2018), ao que tudo indica, por 15 milhões de euros. Esta compra levou à destituição da administração do canal público.

 

 

A administração defende-se com o facto de não ter incorrido em custos extraordinários para a aquisição do direitos de transmissão e relembra ainda que esta aquisição está prevista no contrato de concessão da RTP.

 

A ERC, Entidade Reguladora da Comunicação, deu razão à administração da estação.

 

Quanto a mim tudo isto não passa de "politiquices" e, se não tiverem mesmo havido custos extraordinários para esta compra e se isso não colocar em causa a qualidade da restante grelha, o Governo errou.

 

Contudo, no meio de tudo isto, o que mais me chateia é o facto de se investirem milhões numa competição onde as equipas portuguesas estão presentes durante pouco tempo, salvo raras excepções. Enquanto que nenhum canal aberto, seja ele público ou privado, adquiriu os direitos de transmissão de competições portuguesas como o Campeonato nacional de futebol ou a Taça de Portugal.

 

É verdade que os jogos da Liga do Campeões têm audiências que nenhum outro programa no nosso país consegue. Ainda assim, parece-me mais lógico para uma estação de serviço público transmitir jogos de uma liga do país do que de uma liga internacional onde os três grandes, como já referi, raramente fazem carreira.

 

Além do SL Benfica, do FC Porto ou do Sporting CP, apenas os jogos do Real Madrid, onde joga Cristiano Ronaldo, ou os jogos do Chelsea, onde treina José Mourinho, conseguem audiências dignas de registo.

 

Pode parecer patriotismo a mais mas preferia que a RTP tivesse gasto 15 milhões de euros na Liga Portuguesa do que na Liga do Campeões.

A caminho da privatização

Nas últimas semanas de 2012 têm vindo a público várias informações sobre mudanças na grelha de programação da RTP1.

 

Comecemos pelo TOP + e Cinco Sentidos, emitidos nas tarde de fim-de-semana. Terminaram! Se relativamente a este último concordo com o final, com o programa de música não concordo tanto. Feitas várias reformulações e adaptado à realidade atual poderia continuar em antena.

 

Ainda assim, é durante a semana que se verificam as maiores mudanças. A Praça da Alegria deixa de ser transmitida do Porto e passa para Lisboa. Sónia Araújo e Jorge Gabriel saem e entra João Baião e Tânia Ribas de Oliveira.

 

Ao Portugal no Coração deverá regressar José Carlos Malato e um rosto feminino que espero que não seja uma das piores profissionais da televisão, Marta Leite Castro. Os antigos apresentadores da Praça da Alegria são transferidos para as tardes de fim-de-semana, num formato em direto e transmitido dos estúdios do Porto.

 

Não sou contra a esta dança de cadeiras mas retirar a Praça da Alegria ao Porto é um golpe baixo. Fazer esta mudança com o único programa que conseguia levar outros convidados que não nomes da capital ou redondezas é tornar a RTP um canal menos pluralista e mais parecido com todos os outros.

 

Já que estamos numa de "parecido com os outros", acabaram-se os concursos de cultura geral à noite. Para o seu lugar vai ficção portuguesa e, já em Janeiro, estreia uma série relacionada com o ZOO de Lisboa chamada Sinais da Vida.

 

Já agora, não gostaria de estar a escrever sobre a RTP sem mostrar grande desagrado relativamente ao fim do Sociedade Civil, da RTP2, apresentado por Fernanda Freitas. O programa mais premiado de toda a estação pública, o grande e verdadeiro serviço público do segundo canal, termina de forma abrupta sem qualquer tipo de explicação.

 

Será tudo isto o caminho para a privatização? Parece-me que sim!