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A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a televisão portuguesa

Agora a praça

 

 

Na época em que a Praça da Alegria passou dos estúdios do Porto para Lisboa e mudou de apresentadores critiquei a RTP. Desvirtuaram um formato com anos de emissões e atiraram Jorge Gabriel e Sónia Araújo para os sábado à tarde.

 

 

 

Os resultados não só não subiram como ainda desceram e o programa das manhãs perdeu qualidade. Mais tarde, a saída de João Baião para a SIC motivou o canal público a criar o Agora Nós. Um bom programa, com um belo cenário e que manteve Tânia Ribas de Oliveira.

 

Com a nomeação da nova administração da RTP, a Praça da Alegria vai regressar já em setembro com os apresentadores que o fizeram durante anos e em direto do Porto.

 

Esta decisão parece-me, sobretudo, um bater de pé da nova direção querendo mostrar que vai fazer o que bem lhe apetecer, custe o que custar.

 

No meio de tudo isto, espero que não coloquem Tânia Ribas de Oliveira na prateleira. É uma das melhores apresentadoras da atualidade e merece um lugar de destaque.

 

Não sou contra nem a favor a esta reviravolta mas o regresso da "Praça" é apenas e só uma espécie de vingança de Daniel Deusdado, diretor de programas da RTP, que fazia parte da equipa do Norte antes do seu novo cargo.

 

 

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Estratégias, estreias e resultados

 

 

Esperei que a maioria das estreias dos canais generalistas acontecessem para englobar tudo num post e comentar as estratégias e os seus resultados.

 

 A RTP1 surpreendeu ao colocar a sua novela portuguesa low-cost, Os Nossos Dias, num horário onde há muitos anos não existiam, às 12H00. A aposta não me pareceu má mas, até agora, ainda não conseguiu convencer nas audiências.

 

Com esta medida, o canal do Estado encurtou a duração da Praça da Alegria depois de ter apostado na sua dupla mais forte, João Baião e Tânia Ribas de Oliveira, para as manhãs. Algo com pouca lógica.

 

Nas noites fez regressar o Quem Quer Ser Milionário? com Manuela Moura Guedes na apresentação, a maior surpresa da temporada. Fez bem. O que não correu da melhor forma foi a pergunta, com todas as hipóteses de resposta erradas, que eliminou uma concorrente. A RTP devia ter assumido o erro e repescar a concorrente. Não o fez e fez mal.

 

A SIC estreou, em pouco mais de um mês, seis novelas. Foi uma má gestão da grelha que lhe pode ter custado a liderança no horário nobre. Amor à Vida teve uma primeira semana com números arrebatadores que, com a chegada de Sol de Inverno, desceram a pique muito por culpa do horário mais tardio em que foi emitida.

 

A novela protagonizada por Rita Blanco e Maria João Luís chegou embalada pelos bons resultados do final de Dancin´Days mas foram sol de pouca dura.

 

A Guerreira estreou já depois das 23H00 encaixada entre cinco novelas no horário nobre. As audiências iniciais não foram tão animadoras como as das parceiras e, mesmo assim, têm vindo a descer.

 

Rosa Fogo voltou no horário de almoço do canal sem qualquer tipo de promoção e Senhora do Destino regressou no horário das 18H00, ambas com resultados não muito animadores. Se bem que esta última tem tendência para subir. Já Sangue Bom não está a conseguir segurar os bons resultados de Cheias de Charme e isso pode ser perigoso para SIC. Com um acesso ao prime-time mais fraco, o Jornal da Noite tem mais dificuldades em se impor e ajudar a restante programação. 

 

Diria que a verdadeira jóia da coroa foi o Factor X. Estreado este domingo, conseguiu vencer o concorrente Secret Story em toda a linha. Esta sim é a verdadeira vitória do canal de Carnaxide e um sinal de que o público pode estar cansado das gentes pouco "ortodoxas" que participam no reality-show da TVI.

 

Por falar em TVI, esta viveu e vive um grande dilema. Belmonte precisa de manter o principal horário onde, por pouca margem, tem vencido Sol de Inverno. O problema é que com essa opção A Casa dos Segredos vê-se atirada para segundo plano e isso pode prejudicar as galas aos domingos. Se a maioria do público não vê os concorrentes durante a semana, interessa vê-los só aos domingos?

 

Uma coisa é certa, com a RTP fora do campeonato, há muito tempo que não se assistia a uma "luta" tão renhida entre as privadas. Sol de Inverno e Belmonte andam taco-a-taco mas, mais tarde ou mais cedo, uma delas vai destacar-se.

 

Já aos domingos Factor X e Secret Story vão continuar a medir forças sem bem que aí parece-me que Teresa Guilherme vai acabar por levar a melhor.

Novo com cheiro a velho

A RTP estreou uma nova grelha e, com ela, renovou a Praça da Alegria e o Portugal no Coração.

 

Não vi a emissão completa de cada um deles mas, felizmente, as novas tecnologias permitiram-me rebobinar as vezes que quis para melhor apreciar cada um dos programas. Ao vê-los, senti-me novamente no início de 2000.

 

O programa da manhã tem um estúdio que mete dó. A mim parece-me antiquado, no sentido em que me transporta para os cenários de dos fins da década de 90 e início do novo século.

 

As desilusões não ficam por aqui. De meia em meia hora, uma jornalista em estúdio atualiza a informação do dia. Ridículo e desnecessário numa altura em que cada vez mais pessoas tem acesso aos canais de notícias e à Internet e sei bem que o público destes programas são pessoas mais velhas, sobretudo dos programas da RTP. Até podiam atualizar a informação, mas de meia em meia hora é demasiado.

 

Depois, foram buscar um comediante de segunda linha para estar constantemente no ar a mostrar o que é escrito pelo público através das redes sociais. Relembro que o canal rescindiu contratos com profissionais que estiveram no ar até há bem pouco tempo.

 

Salva-se a dupla de apresentadores. Tânia Ribas de Oliveira e João Baião rivalizam com Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira como a melhor dupla de apresentadores da atualidade.

 

Nas tardes, e mais uma vez, mudou-se para pior. Marta Leite Castro não é boa naquilo que faz. A dupla com José Carlos Malato é fraca e torna o programa enfadonho.

 

O estúdio é também ele um erro. Aponto o maior deles: existem televisões plasma colocadas à frente da cara do público (ao minuto 00:31 pode ver este pormenor ou nesta imagem). Quem vê de casa vê apenas as pernas e quem está presente em estúdio não vê nada, ou pelo menos é essa a ideia que dá. De resto, os conteúdos são os mesmos de sempre.

 

Esta nova RTP cheira a velho, sobretudo relativamente a esta nova versão dos talk-shows do canal. Com isto o canal do Estado, nestes dois primeiros dias de mudança, perdeu ainda mais audiência. Mudar é bom! Para pior é desnecessário!

Mal agradecida

Jorge Gabriel tem razões para não estar contente com a RTP. Sem que nada o fizesse prever, a direção do canal retira o apresentador da Praça da Alegria e coloca-o a fazer uma "perninha" de quatro horas nas tardes de sábado. Passa assim a ter menos cerca de 11 horas semanais de antena.

 

Confesso que não só fã do estilo mas Jorge Gabriel não merecia isto. Esteve sempre lá quando o canal precisou: mudou-se para o Porto quando lhe propuseram o programa da manhã, apresentou concursos de cultural geral em Lisboa ao mesmo tempo que vivia no Norte e foi sempre um bom profissional. Não sou fã, mas Jorge é um bom apresentador de televisão.

 

Na mesma situação está Sónia Araújo. Obviamente que também não merecia este futuro na RTP. O percurso da apresentadora não foi fácil. Ao longo dos anos teve dois colegas que não lhe permitiram ser parte de uma dupla, apenas coadjuvante. Manuel Luís Goucha chegou a admitir que nunca a deixou brilhar e Jorge Gabriel "apaga-a" constantemente, apesar de o fazer menos atualmente. Sorrateiramente Sónia impôs-se sem nunca se queixar. Já foi tarde, mas em 2009 conseguiu mesmo que o canal lhe desse, e bem, um programa em horário nobre.

 

Os dois vão apresentar Aqui Portugal, um programa em direto e feito no estúdios do Porto. É pouco para quem deu o que pôde ou ate mais a um canal que agora foi mal agradecido com os dois.

 

Houvesse dinheiro de outros canais e, pelo menos Jorge Gabriel, fazia as malas e mudava-se. Há mesmo informações de que a TVI está interessada, falta-lhe o mais importante nesta altura.

A caminho da privatização

Nas últimas semanas de 2012 têm vindo a público várias informações sobre mudanças na grelha de programação da RTP1.

 

Comecemos pelo TOP + e Cinco Sentidos, emitidos nas tarde de fim-de-semana. Terminaram! Se relativamente a este último concordo com o final, com o programa de música não concordo tanto. Feitas várias reformulações e adaptado à realidade atual poderia continuar em antena.

 

Ainda assim, é durante a semana que se verificam as maiores mudanças. A Praça da Alegria deixa de ser transmitida do Porto e passa para Lisboa. Sónia Araújo e Jorge Gabriel saem e entra João Baião e Tânia Ribas de Oliveira.

 

Ao Portugal no Coração deverá regressar José Carlos Malato e um rosto feminino que espero que não seja uma das piores profissionais da televisão, Marta Leite Castro. Os antigos apresentadores da Praça da Alegria são transferidos para as tardes de fim-de-semana, num formato em direto e transmitido dos estúdios do Porto.

 

Não sou contra a esta dança de cadeiras mas retirar a Praça da Alegria ao Porto é um golpe baixo. Fazer esta mudança com o único programa que conseguia levar outros convidados que não nomes da capital ou redondezas é tornar a RTP um canal menos pluralista e mais parecido com todos os outros.

 

Já que estamos numa de "parecido com os outros", acabaram-se os concursos de cultura geral à noite. Para o seu lugar vai ficção portuguesa e, já em Janeiro, estreia uma série relacionada com o ZOO de Lisboa chamada Sinais da Vida.

 

Já agora, não gostaria de estar a escrever sobre a RTP sem mostrar grande desagrado relativamente ao fim do Sociedade Civil, da RTP2, apresentado por Fernanda Freitas. O programa mais premiado de toda a estação pública, o grande e verdadeiro serviço público do segundo canal, termina de forma abrupta sem qualquer tipo de explicação.

 

Será tudo isto o caminho para a privatização? Parece-me que sim!

Desilusão

Querida Júlia, programa das manhãs da SIC, comemorou, esta quarta-feira, um ano de exibição. 

 

O talk-show marcou o regresso de Júlia Pinheiro ao canal de Carnaxide, depois de ter passado pela RTP e ter sido a estrela maior da TVI. 

 

A apresentadora chegou à estação de Pinto Balsemão como a grande salvadora da desgraça e capaz de reerguer as manhãs, que andavam de rastos desde os tempos áureos de Fátima Lopes. Júlia avisou desde logo que seria difícil chegar, ver e vencer, mas talvez não esperasse que fosse tão difícil. 

 

O primeiro ano foi uma verdadeira desilusão por duas razões: Júlia Pinheiro não era só uma cara da TVI, era a cara da TVI e o público que a seguia não a acompanhou na mudança.

 

Depois, e a mais importante razão, o programa não trouxe nada de novo. Histórias de faca e alguidar, conversas da treta e uma tertúlia cor-de-rosa, do extinto programa das manhãs, apenas com um novo nome, Jornal Rosa

 

Mudaria o público de canal, habituado aos programas da concorrência, par ver mais do mesmo e só por ter Júlia como apresentadora? Sim, enquanto houvesse o efeito curiosidade. Esse efeito foi efémero e durou apenas dois dias.

 

A diretora de conteúdos da SIC tem de fazer mais, muito mais, se quiser que o novo ano seja melhor que o que passou. 

 

É verdade que, aos poucos, os resultados foram subindo, mas só depois de o programa ser encurtado em meia hora e antecedido pelo Cartas da Maya. Atualmente, vence sempre ou quase sempre a Praça da Alegria da RTP, não por ter melhores resultados, mas porque, desde que se iniciou a nova medição de audiências, o programa do canal do Estado perdeu metade ou mais de metade do seu público. 

 

Enquanto isso, Você na TV, da TVI, segue isolado na frente, merecidamente.

TOP TV – O melhor e o pior da televisão portuguesa

 

A uma semana do Natal, o TOP TV avalia o melhor e o pior da televisão portuguesa. Saiba tudo aqui!

Curtas e Boas

 

  • Júlia Pinheiro falou da estreia de Secret Story e, obviamente, puxou a brasa à sua sardinha. A apresentadora deu os parabéns à concorrência pelos resultados, mas logo a seguir criticou-os: "Tenho de dar os parabéns à concorrência pelos resultados, que são simpáticos, mas não são avassaladores" e continua dizendo, "Fiz melhor do que eles na estreia. Na minha altura tínhamos Ídolos na SIC, que já estava a fazer muito bem...Desta vez não havia nada na concorrência, nesta caso na SIC, e o resultado da TVI foi um bocadinho mais baixo", disse Júlia Pinheiro. A apresentadora até pode ter razão em relação aos resultados, mas tudo o resto não é bem assim. Primeiro, a edição que apresentou do reality-show, era uma novidade logo, desperta maior curiosidade. desperta maior curiosidade. Depois, a última edição de Ídolos não fazia resultados assim tão bons. Mas Júlia tem razão ao dizer que a concorrência não tinha nada. É  verdade, a SIC não fez nada de especial para que os resultados da TVI não fossem tão bons.

 

  • Jorge Gabriel está cada vez mais arrogante. Em poucos minutos de Praça da Alegria, na RTP, dá para perceber isso. A arrogância e o tom altivo com que trata muitos dos convidados fica-lhe tão mal. E será que Jorge Gabriel apresenta o programa da manhã sozinho? Parece que sim. Sónia Araújo não tem tido sorte com os parceiros de apresentação. Sempre que tenta dizer alguma coisa, cortam-lhe as palavras e é pena!

Falta de Humor

Não é muito fácil perceber porque é que os talk-shows da televisão portuguesa, à exepção de Portugal no Coração, deixaram de ter momentos de humor.

 

Estes que durante anos davam alguma alegria às manhãs e tardes portuguesas, passaram a dar lugar as histórias de puxar à lágrima e para as quais já poucos têm paciência.

 

A SIC, por exemplo, era o canal que mais e melhores momentos de humor tinha. Hoje, nem um existe para contar a história.

 

Porque é que os programas de televisão, principalmente os talk-shows, insistem em querer repetir as fórmulas usadas pela concorrência? Não seria melhor primar pela diferença?

 

Assim, quem já vê um programa não muda para outro, são todos iguais. 

 

Mas como em tudo na vida, quem tem de se preocupar é quem perde, neste caso, Querida Júlia é o principal foco de preocupação.

VOCÊ VÊ, NÓS LIDERAMOS

Você na TV, da TVI, é líder destacado de audiências nas manhãs portuguesas. Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira estão longe da concorrência, mas nem sempre foi assim.

 

Goucha penou, sozinho, durante anos no extinto Olá Portugal, que acabou por ser substituído pelo Você na TV e que colocou ao seu lado Cristina Ferreira. 

 

A apresentadora não tinha muita experiência e vinha da informação. Começou tímida e o tempo levou a que se torna-se numa das maiores promessas da apresentação, em Portugal. Manuel Luís Goucha, que em tempos nunca deixou Sónia Araújo brilhar na Praça da Alegria da RTP, percebeu que tinha mais a ganhar ao dividir o protagonismo com a "novata da Malveira", do que querer todas as atenções viradas para si.

 

O agora programa líder das manhãs, ficou muitas vezes em último lugar das audiências daquele horário. Mesmo não atingindo bons resultados, a TVI soube esperar e melhorar o programa. Contudo, nada faria prever que a dupla de apresentadores conseguiria retirar a liderança à SIC que, à mesma hora, tinha uma Fátima Lopes líder há muitos anos.

 

A persistência deu resultados e o Você na TV tornou-se o programa da manhã preferido pelos portugueses.

O "talk-show" tem boas rubricas, tem o melhor estúdio dos programas da manhã, tem bons colaboradores e a alegria dos apresentadores demonstra uma cúmplicidade importante.

 

Mas em televisão nem tudo são favas contadas. A equipa da Praça da Alegria é competente e Júlia Pinheiro vai lutar pelo título de "Rainha da Manhãs".