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A caixa que já foi mágica

Blog de opinião sobre a televisão portuguesa

Raríssimo

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   A informação da TVI está mais viva do que nunca. Prova disso são as investigações que deram origem a duas reportagens que estão a dar que falar no país. Uma delas já gerou demissões e debates no Parlamento.

 

   A reportagem dá conta da utilização dos fundos da associação “Raríssimas”, por parte da Presidente, para a compra de vestidos de alta costura, um carro de gama alta, compras no supermercado, entre outros bens.

 

   Paula Brito e Costa, tal como o Secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, desmentiram as notícias, mas já se demitiram.

 

   Durante esta semana, o canal de Queluz está a emitir “O Segredo dos Deuses”. A investigação mostra uma rede de adoções ilegais de crianças portuguesas, por parte de bispos da IURD - Igreja Universal do Reino de Deus. 

 

   A televisão demonstra, neste caso através da TVI, o seu poder. Demonstra para aquilo que também serve. Só é pena é que estes trabalhos sejam cada vez mais raríssimos, sobretudo por falta de investimento.

 

   O “Jornal das 8” venceu as audiências em mais de 300 dias neste ano. Uma marca que, segundo o canal, não era atingida há 17 anos.

   

   Para que se tenha uma ideia mais clara, o “Jornal da Noite” da SIC venceu apenas 25 vezes e o "Telejornal" da RTP 1 venceu 16 vezes. Na terça-feira, 12 de dezembro, “O Segredo dos Deuses” registou uma audiência média 16,5% de rating e 32,7% de quota média de mercado. Este valor corresponde a um milhão e 602 mil espetadores.

 

   Claro que estes resultados se devem, também, ao facto de a estação ter encontrado a excelente alavanca que é o “Apanha Se Puderes”. O que, ainda assim, não tira mérito à informação.

 

   Continuo a preferir a informação da SIC, mas não posso deixar de elogiar este caminho da informação da TVI. Tornou-se melhor do que era. Menos sensacionalista, embora continue com alguns momentos de interesse mais questionáveis. Criou uma marca diferente daquela que tinha. Uma marca de maior confiança para o público naquilo que é noticiado.

 

   Os números não enganam. Os portugueses preferem a informação do quarto canal. A TVI merece um aplauso por isso.

 

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"No comments"

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   Geralmente não me junto aos coros de críticas que se fazem ecoar por essas redes sociais fora. Desta vez, não posso ficar indiferente.

 

   Neste domingo, em Pedrogão Grande, Judite Sousa fez uma reportagem junto de um corpo de uma mulher que morreu a fugir das chamas"Está um corpo aqui ao meu lado, de uma senhora, que ainda não foi recolhido, apesar de os bombeiros se encontrarem muito perto deste local”. Foram estas as palavras utilizadas pela jornalista enquanto apontava para o corpo apenas coberto por um lençol branco.

 

   Judite cometeu o maior erro da sua carreira neste dia. Aquilo que fez não tem desculpa. Desrespeitou a dor daqueles que sofreram e sofrem com a tragédia, desrespeitou aquela mulher e desrespeitou o jornalismo. A situação é delicada ou não fosse o incêndio na zona de Leiria a maior tragédia dos últimos anos em Portugal.

 

   Esta situação é imperdoável para qualquer jornalista e para qualquer canal. Neste caso, existe uma agravante. Judite Sousa perdeu o único filho em 2014. Na altura, a mãe pediu respeito por si e por André Sousa Bessa aos colegas jornalistas. A dor que com certeza ainda sente deviam tê-la feito perceber que estava a ultrapassar todos os limites. Ultrapassaram-se todas as regras de bom senso e do aceitável.

 

   Esta segunda-feira, à N-TV, falou sobre a situação dizendo apenas: "no comments!". Sem comentários mesmo, Judite!

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"Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

 

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Ficha Técnica com a "voz" da TVI: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

 

 

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De repente, já lidera

 

Três anos após o seu nascimento, a CMTV já não é um exclusivo MEO e consegue ser mais vista que a SIC Notícias.

 

O canal do grupo Cofina nasceu em março de 2013 e, nesse mês, registou uma audiência de 0,14% de share. Até setembro do ano seguinte não parou de crescer.

 

Já mais recentemente, conquistou a sua melhor audiência média em novembro de 2015 com 1,03 % de share. Em janeiro deste ano, passou a estar presente no pacote de canais da operadora NOS.

 

Depois das várias ameaças, a CMTV ultrapassou a RTP3, está acima da TVI24 por diversas vezes e chega mesmo a ganhar a liderança dos canais informativos que pertence à SIC Notícias

 

Até 16 de março, a média do canal é de 2,16% de share, superior ao share da TVI24 e da RTP3, segundo dados da empresa medidora de audiências, a CAEM, divulgados pelo jornal Correio da Manhã

 

Pelo menos uma das primordiais promessas o canal cumpre: está em todo o lado, mesmo que o interesse do conteúdo da notícia ou do direto seja descabido.

 

Do pouco que acompanho a CMTV, posso dizer que não é um melhor canal informativo do que qualquer um dos outros. É, sobretudo, menos profissional e mais virado para a notícia de "faca e alguidar" como o jornal em que se inspira.

 

Desde 21 de março, o canal emite a novela Escrava Isaura, a versão da Rede Record, exibida pela RTP em 2004. A CMTV entrou, portanto, noutro campeonato. Um canal informativo não emite novelas. Será difícil comparar os resultados desta estação com os da RTP3, por exemplo, que se dedica apenas e só à informação.

 

Nem tudo é mau neste canal. É obvio que existem boas reportagens ou uma boa cobertura de determinados assuntos.

 

Não sou fã, mas tiro-lhe o chapéu pelo que conseguiu em pouco tempo. E, já agora, parabéns pelo 3º. aniversário CMTV.

Excelência da informação

Ainda no rescaldo do aniversário da SIC há uma característica que merece destaque. A informação impar e a melhor dos três canais generalistas. Não que a informação da RTP ou da TVI seja má, verdade seja dita, em qualquer dos casos Portugal está bem servido.

 

A SIC Notícias, por exemplo, continua a ser o canal de informação líder do mercado e os serviços noticiosos do canal de Carnaxide têm ganho novo fôlego com as melhorias de audiências gerais da estação.

 

Nas últimas três semanas foram apresentados três trabalhos que são uma nova aposta do canal: Momentos de Mudança

 

Este conjunto de reportagens representam a excelência do jornalismo televisivo e do jornalismo em geral. Arrisco-me a afirmar que este é o melhor programa do género de 2012 e, muito provavelmente, dos últimos anos.

 

As duas últimas reportagens, sobre o encerramento de uma fábrica e sobre uma família infectada com o vírus HIV, não são "televisão" mas quase cinema. A qualidade de imagem, o cuidado da fotografia, os planos e os pormenores são praticamente inéditos no que se faz no país e revelam que a SIC continua a estar um passo à frente no género de reportagem.

 

Quanto ao conteúdo é, também ele, de excelência. Temas pertinentes e tratados magistralmente. Sem se recorrer ao método de lágrima fácil, sem se recorrer à tragédia,  estas duas últimas reportagens comovem e são, também elas, um murro no estômago para quem as vê, tal qual deve ser o jornalismo na sua generalidade.

 

Raramente este tipo de trabalhos tem o número de espectadores que condiga com a qualidade dos produtos. Felizmente, Momentos de Mudança é, também nisso, uma exceção à regra. Tem sido líder  de audiências no horário das 21H00 nas últimas duas segundas-feiras e com um número de espectadores que, ultimamente, só as novelas conseguem.

 

É este o caminho que a SIC deve continuar a seguir.