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A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a tv portuguesa

21
Jul17

Ficha Técnica com Isabel Roma.: "É mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências"

Tiago Lourenço

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   Isabel Roma é produtora de televisão na RTP. Está na estação pública há mais de 17 anos, quase metade da sua vida. 

   

   Natural do Porto, tem a seu cargo o programa "Janela Indiscreta". Mário Augusto é a cara principal do formato que conta todas as novidades do cinema mundial.

 

   Em entrevista ao "Ficha Técnica", relata as exigências do trabalho e revela que as audiências não a preocupam. A produtora conta que a qualidade dos formatos que tem a cargo são a sua maior preocupação e que aprendeu na RTP a interessar-se apenas pelo Presente.

 

Isabel Roma de Oliveira

 

 

   

   A Caixa que já foi Mágica.: Está na RTP há 17 anos. Trabalhou sempre como produtora na televisão pública ou ocupou outros cargos?

 

   Isabel Roma.: Antes de ser produtora fui relações públicas e assistente de produção. Antes de trabalhar em audiovisuais trabalhei em turismo.

 

 

    ACQJFM.: Qual é o trabalho de um produtor de televisão?

 

    I.R.: Um produtor é aquele que tem que fazer tudo para que uma ideia se concretize, se possível, sem se fazer notar.

 

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores exigências no seu trabalho?

 

   I.R.: Saber tudo sobre cada projeto que se tem em mãos, mas saber igualmente delegar e confiar tarefas. Ser o primeiro a entrar e o último a sair.

 

Depois, dependendo do tipo de produção em causa: assegurar os melhores, mais credíveis e criativos conteúdos; assegurar as melhores condições de trabalho aos colegas (e isso pode incluir alojamento, alimentação, mas também um guarda-sol ou um comprimido para a dor de cabeça) ou assegurar que cada projeto fica dentro do orçamentado.

 

 

   ACQJFM.: De todos os programas que produziu, há algum que lhe deixe mais saudades? Qual foi o formato mas desafiante ao longo destes anos e porquê?

 

   I.R.: O ano do "Euro 2004" é inesquecível para todos os que, de alguma forma, estiveram envolvidos na transmissão dos jogos, programas de apoio, etc..

 

O projeto mais recente é sempre o mais desafiante. Ou, dito de outra forma, todos os projetos têm desafios diferentes. No ano passado, por exemplo, houve um projeto para a RTP2 chamado “Jogos Reais” que foi altamente desafiante!

 

 

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   ACQJFM.: É, atualmente, produtora do programa "Janela Indiscreta". Em que é que este formato é desafiante para si?

 

   I.R.: Este programa acaba por ser bastante simples, porque trabalhamos, maioritariamente, com conteúdos que nos são fornecidos. O meu colega Francisco Silva estabelece todas as pontes necessárias e assegura as gravações com o Mário Augusto.

 

 

   ACQJFM.: Uma vez que trabalha na televisão do Estado, quais são as maiores dificuldades em fazer serviço público?

 

   I.R.: Não chamaria dificuldades, mas antes responsabilidades. Se conhecermos as bases do Contrato de Concessão, se conhecermos as regras, na realidade não é nada difícil. E, em última instância, temos sempre uma estrutura que assegura que nunca perdemos o rumo.

 

Torna-se mais difícil, na verdade, explicar o Serviço Público para fora da empresa, porque quase ninguém fora da RTP lê um documento como o Contrato de Concessão! E isso dá origem a imensos “treinadores de bancada” que não sabem do que falam.

 

 

   ACQJFM.: As audiências preocupam-na?

 

   I.R.: Preocupa-me mais saber se os programas têm qualidade. E interessa-me saber se todas as formas de ver conteúdos são medidas, e não apenas quem vê no momento de emissão em televisão (refiro-me, por exemplo, ao on-demand).

 

 

   ACQJFM.: O que é que, na sua opinião, é mais difícil: garantir audiências ou fazer serviço público?

 

   I.R.: É mais difícil garantir audiências. E é muito mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências.

 

 

   ACQJFM.: Em 17 anos a RTP mudou muito a vários níveis. Hoje a estação é melhor do que era em 2000?

 

   I.R.: Está melhor, claro, e daqui a 17 anos estará melhor ainda. O percurso da RTP, embora nem sempre fácil, é muito sólido.

 

 

   ACQJFM.: O que é que gostava que o futuro profissional lhe reservasse?

 

   I.R.: Gosto mais de apreciar o presente do que ter expectativas. O melhor momento é o agora, porque esse já ninguém me tira – e isto aprendi com uma das pessoas mais especiais com quem me cruzei na RTP.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   I.R.: Para a maioria das pessoas, creio que sim. Mas para muitas outras, a caixa mágica de hoje está online ou na box.

 

 

 

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NOTA.: O "A Caixa Que Já Foi Mágica" vai de férias, mas promete regressar em setembro. Até lá, se for o caso, umas boas férias também para si :)

09
Jul17

Pior a emenda

Tiago Lourenço

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   A SIC estreou a novela brasileira "Novo Mundo" em abril. No horário das 19H00, a estação de Carnaxide já era apenas a terceira estação preferida nas audiências.

 

   Com a chegada da história de época ficou ainda pior. Protagonizada por Isabelle Drummond e Chay Suede, "Novo Mundo" atirou a SIC para resultados miseráveis, abaixo até da audiência do programa das manhãs.

 

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   A solução encontrada foi colocar a produção da Globo para lá das 00H00 e fazer regressar o "Gosto Disto!", apresentado por Andreia Rodrigues e César Mourão. A repetição foi um desastre ainda maior. Chegou a perder para o último episódio de "A Escrava Isaura", da CMTV, e até mesmo a novela que antes ocupava o horário chegou a ter mais público.

 

 

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   A aposta ainda mais errada deu lugar, a semana passada, à reposição de "A Família Mata", que conta com Rita Blanco e José Pedro Gomes no elenco. Pouco ou nada mudou. A SIC continua em terceiro num horário importantíssimo. Cristina Ferreira e a TVI estão a léguas de distância e "O Preço Certo", da RTP1, também está longe.

 

   Ou na SIC andam a testar produtos para saber no que apostar em setembro ou então estão sem saber o que fazer. Não é com repetições que se sobem os resultados às 19H00. O "Jornal da Noite", por exemplo, já se recente nas audiências com estes péssimos antecedentes. A estação de Carnaxide tem de se mexer bem e depressa ou corre o risco de precisar de anos para recuperar a dignidade neste horário.

 

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28
Jun17

Que se faça poucas vezes, mas que se faça as vezes necessárias

Tiago Lourenço

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   Este é um breve comentário àquilo que se passou, esta terça-feira, no Meo Arena. Debruço-me, obviamente, sobre as televisões que se juntaram, pela primeira vez, para uma emissão conjunta e solidária. O objetivo era só um: ajudar as vítimas dos incêndios de Pedrogão Grande.

 

   Queria dormir cedo, mas não consegui. O "Juntos Por Todos" foi um momento belíssimo de compaixão, entreajuda e de esperança. Dormi menos, mas dormi melhor.

 

   Foi bonito ver as caras de todas as televisões juntas por uma missão. Sem rivalidade. Tal como foi bonito ver que os três canais abdicaram de espaços de publicidade em pleno horário nobre. 

 

   Apesar da transmissão conjunta, cada canal teve os seus próprios comentadores e entrevistados. É aqui que destaco a TVI. Que me tenha apercebido, foi a única estação a estar em direto de Pedrogão Grande. Isso deu outra perspetiva à emissão e, também por isso, conseguiu liderar as audiências. Algo que pouco interessa porque, nesta noite, todos ganhámos.

 

   Destaco os dois momentos do espetáculo que mais me marcaram: a incrível prestação da fadista Carminho e o coro que se juntou a Salvador Sobral quando se cantou "Amar Pelos Dois".

 

   Que eventos como este se repitam e não só quando existam desgraças. Caso contrário, que se faça poucas vezes, mas que se faça as vezes necessárias.

 

Lê também:

Mais de 2 milhões estiveram "Juntos Por Todos"

 

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28
Jun17

Mais de 2 milhões estiveram "Juntos Por Todos"

Tiago Lourenço

 

 

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A emissão conjuta entre RTP1, SIC e TVI rendeu ao "Juntos Por Todos", esta terça-feira, mais de 2 milhões e 700 mil espetadores.

 

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   A TVI foi o canal preferido pelos portugueses para seguir a emissão do evento de ajuda às vítimas dos incêndios em Pedrogão Grande. Embora os três canais generalistas partilhassem a transmissão, cada um escolheu as suas caras para comentar o concerto e o ambiente no MEO Arena.

 

   A estação de Queluz de Baixo registou 13,3% de audiência média e 31,3% de quota de mercado. Estes valores correspondem a 1 milhão e 287 mil espectadores. 

 

   A SIC foi a segunda escolha dos portugueses. "Juntos Por Todos" registou cerca 808 mil espetadores em média. O valor foi de 8,3% de rating e 19,7% de quota média de mercado.

 

   A RTP1 foi a terceira escolha no horário nobre de ontem. O evento registou 7,2 % de rating e 16,8% de share. Este valor  significa que mais de 692 mil espetadores estiveram ligados ao canal público.

 

   A estes números das televisões somam-se ainda aqueles que seguiram a emissão pelas rádios nacionais ou pela Internet.

 

Lê também um breve comentário sobre o espetáculo:

Que se faça poucas vezes, mas que se faça as vezes necessárias

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Dados de audiência Total Dia (Live+VOSDAL) para 27 de junho de 2017. Os números apresentados são da responsabilidade da GfK/CAEM.

 

 

 

 

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26
Jun17

"Juntos Por Todos"

Tiago Lourenço

   

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   Esta terça-feira (27/06), a RTP1, a SIC e a TVI emitem um concerto de homenagem às vítimas dos fogos florestais de Pedrógão Grande e zonas envolventes. A esta transmissão, em simultâneo pelas três televisões, juntam-se também todas as rádios. O valor dos bilhetes vai inteiramente para aqueles que foram prejudicados pelo incêndio que deflagrou a 24 de junho.

 

   Felizmente, os canais generalistas portugueses juntaram-se para um bem maior. É a primeira vez que o fazem e merecem um aplauso por isso. Vão abdicar da suas programações para emitir um evento em simultâneo. Sabem que vão perder audiências, porque vão dividi-las, mas sabem também que é preciso ajudar.

 

   No outro dia assisiti a uma entrevista a Carminho. A fadista dizia que "somos rivais quando está tudo bem, quando está tudo mal somos parceiros", numa alusão à rivalidade no mundo artístico e focando-se neste evento. Esta é a frase que melhor define este gesto das televisões portuguesas, das rádios e dos artistas.

 

   Tenho ainda  de enaltecer a atitude da SIC na semana que passou. Na segunda e na sexta-feira, dedicou a programação das manhãs e das tardes à tragédia que assolou a zona centro do país.

 

   Durante dois dias, abdicou de ganhar dinheiro com as chamadas de valor acrescentado, para angariar dinheiro que será doado a quem precisa. Obviamente que houve uma exploração da tragédia para conseguir audiências.

 

   Neste caso não condeno. Que tenha tido conhecimento, mais nenhum canal teve a grandeza deste gesto, que correspondeu a uma generosa quantia monetária, mas que nem por isso gerou melhores audiências para a estação de Carnaxide. A SIC merece os parabéns por esta atitude.

 

   O concerto tem início pelas 21h00, no MEO Arena, e a receita obtida será entregue à União Das Misericórdias Portuguesas.

   O "Juntos Por Todos" é uma iniciativa civil, co-produzida pela Sons em Trânsito , Nação Valente, MEO Arena, Blueticket, RTP, SIC, TVI e artistas participantes. São eles: Agir, Amor Electro, Ana Moura, Aurea, Camané - Página oficial, Carlos do Carmo, Carminho, D.A.M.A, David Fonseca, Diogo Piçarra , Gisela João, Helder Moutinho Official , João Gil, Jorge Palma, Luisa Sobral, Luís Represas, Matias Damásio, Miguel Araújo, Paulo Gonzo, Pedro Abrunhosa, Raquel Tavares, Rita Redshoes, Rui Veloso Oficial, Salvador Sobral e Sérgio Godinho. Os bilhetes já estão esgotados, mas o "bilhete solidário" pode ainda ser comprado.

 

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30
Mai17

SIC altera programação a 5 de junho

Tiago Lourenço

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Os péssimos resultados de "Novo Mundo", às 19H00, terão sido a causa das mudanças na programação da SIC já a partir de segunda-feira.

 

 

   Com quatro portugueses no elenco, a novela brasileira "Novo Mundo", estreou em maio no horário de acesso ao prime-time. A trama não se conseguiu impor e colocou o canal de Carnaxide numa má posição. A audiência média dos cerca de 23 episódios exibidos não foi além dos 3,1% de rating e 10.1% de share. Bem longe do líder "Apanha Se Puderes", da TVI, e do "Preço Certo", da RTP1, vice-líder às 19H00.

 

   A SIC foi obrigada a mexer-se e o "Gosto Disto!" regressa já no dia 5 de junho. Apresentado por Andreia Rodrigues e César Mourão, o formato conta com a exibição de vídeos caseiros e alguns momentos de humor, protagonizados pelo ator e apresentador. O programa vai ocupar o horário deixado vago por "Novo Mundo" que é atirada para a madrugada.

 

   Ainda antes deste regresso, a reposição de "Laços de Sangue" é alargada em meia hora. Por sua vez, o "Juntos À Tarde" perde 30 minutos de exibição.

 

   Neste dia estreia ainda outra novela da TV Globo, às 23H30. "A Força Do Querer" é uma história de Glória Perez, autora de sucessos como "O Clone", "Explode Coração" e "Caminho das Índias".

 

   Com esta medida, a SIC passa a contar com mais de quatro horas de novelas no horário noturno, pelo menos até ao final de "A Lei Do Amor" que já entrou nos últimos episódios.

 

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29
Mai17

Taça de Portugal lidera e Ljubomir bate recorde

Tiago Lourenço

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A final da Taça de Portugal liderou as audiências deste domingo e o "Pesadelo na Cozinha" teve a sua emissão mais vista.

 

 

   O jogo entre o SL Benfica e o Vitória de Guimarães, na final da Taça de Portugal de futebol, registou uma audiência de 18,8% e 47,1% de quota média de mercado.

 

   A partida, mesmo emitida durante a tarde, não deu hipótese à concorrência e foi o programa mais visto de domingo ao garantir uma média de 1 milhão e 821 mil espetadores. 

 

   Por sua vez, o "Pesadelo na Cozinha" marcou o seu melhor resultado desde a estreia. Com 17,2% de rating e 35,8% de quota de mercado, o programa da TVI registou uma média de 1 milhão e 670 mil espetadores.

 

   No mesmo horário, a final do "Got Talent Portugal" conseguiu um dos melhores resultados da temporada, mas não foi além dos 945,400 espetadores em média.

 

   Bem longe esteve o "Just Duet" da SIC. O talent-show ainda não se conseguiu impor nas audiências e ficou-se pelos 424,500 espetadores em média.

 

   A RTP1 garantiu a liderança nas audiências de domingo, seguida da TVI e só depois da SIC.

 

 

Dados de audiência Total Dia (Live+VOSDAL) para 28 de maio de 2017. Os números apresentados são da responsabilidade da GfK/CAEM.

 

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24
Mai17

Salvador e Luísa sobem audiência da RTP

Tiago Lourenço

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A entrevista dos irmãos ao canal público, que foi para o ar esta terça-feira, foi seguida por cerca de 890 mil espetadores.

 

 

 

   A primeira entrevista de Salvador Sobral, após a vitória no Festival Eurovisão da Canção, fez com a que a RTP quase duplicasse a sua audiência às 21H00. O valor médio da estação no horário ronda os 4% ou 5% de rating.

 

   O especial conduzido por Vítor Gonçalves, e que contou também a presença de Luísa Sobral, registou uma audiência média de 8,5% de rating e 18,1% de quota de mercado.

 

   A entrevista foi o 6º. programa mais visto de terça-feira e o que melhor resultado registou na estação do Estado.

 

   Recorde-se que Salvador Sobral venceu, no passado dia 13 de maio, o Festival Eurovisão da Canção. A música "Amar Pelos Dois" foi escrita pela irmã, Luísa Sobral, e deu a Portugal a primeira vitória no certame internacional.

 

 

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Ficha Técnica com a "voz" da TVI: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

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Ficha Técnica com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

  

Dados de audiência Total Dia (Live+VOSDAL) para 23 de maio de 2017. Os números apresentados são da responsabilidade da GfK/CAEM.

 

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19
Mai17

Ficha Técnica com Pedro David: "Não escondo que vejo as novelas da TVI"

Tiago Lourenço

 

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   Na segunda parte do "Ficha Técnica", Pedro David conta como são os seus dias na TVI. O locutor revela de que forma consegue conciliar a sua profissão com a de DJ e esclarece a importância da locução para um canal de televisão.

 

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 Lê a primeira parte da entrevista clicando no logótipo do "Ficha Técnica":

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   ACQJFM.: Normalmente as intervenções de um "voice over" têm de ser curtas e concisas. No trabalho, o tempo é o seu maior inimigo?

 

   PD.: Sim, esta é daquelas profissões a que não podes chegar fora de horas e não te podes atrasar. Ou entras naquele minuto, naquele segundo, ou então já passou. Ou dizes o que tens para dizer, em 25 ou 50 segundos, ou então deixas a frase a meio.

 

 

   ACQJFM.: O facto de ser voz-off da TVI obriga-o a ser conhecedor ou, pelo menos, ler muita informação sobre a programação e o seu conteúdo. De que forma é que se prepara?

 

   PD.: Tenho o cuidado de tentar ver os episódios das novelas que a TVI transmite na véspera de estar de serviço. Assim, quando no dia seguinte entro ao serviço, é mais fácil localizar aquilo que o episódio do dia vai passar. Não escondo que “consumo” as novelas da TVI, já que elas fazem parte do meu material de trabalho.



   ACQJFM.: Que importância tem a locução para uma estação de televisão? Sente que é uma função que, ao longo dos anos, ganhou, perdeu ou manteve a sua relevância?

 

   PD.: Na minha opinião, sem querer “puxar a brasa à minha sardinha”, parece-me que este é um “pormenor” na emissão dos canais de televisão que está a ganhar cada vez mais espaço e importância. Se fizermos um “rewind”, a RTP há um tempo atrás não tinha locutores e hoje, não só tem, como intervêm em muitos momentos da emissão.

A SIC já há muito que tinha locutores no período de “prime-time” e agora já tem aos fins-de-semana, no período diurno.

A TVI há muitos anos que tem locutores, embora só no período do final da tarde até há uma da manhã. Penso que é uma mais valia para fazer a ligação entre a Estação e o espetador.

Apesar da imagem dos apresentadores, muitos deles estimados pela maioria do público, a verdade é que há aquela “voz” que todos os dias diz "boa noite" e está "ali sentado ao lado do espectador" para lhe lembrar o que pode ver a seguir e a convidar para não perder o episódio do dia seguinte. 

 

 

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   ACQJFM.: Além do seu cargo no canal de Queluz é também DJ. De que forma concilia as duas profissões?

 

   PD.: Sempre estive habituado a ter várias profissões ao mesmo tempo. Atualmente, conjugo apenas a TVI com o serviço de DJ. Por vezes troco a escala com os meus colegas Miguel Freitas, Ana Bernardino e Cláudia Macedo. Somos quatro locutores e entendemo-nos muito bem. Somos mais que colegas, somos amigos. Tentamos sempre ajudar-nos uns aos outros, de forma a que possamos estar bem com a empresa e também nas outras atividades que cada um tem.

Por vezes surgem alguns trabalhos mais difíceis de conjugar. Lembro-me de uma passagem de ano em que pedi ajuda aos meus colegas na TVI para estar livre da escala por 11 noites seguidas. Nesse período, estive ao serviço da TSF como jornalista. Depois descansei dois dias e voltei à escala da TVI. Quanto ao trabalho de DJ, marco as noites em discotecas sempre com a salvaguarda de qualquer alteração de última hora, visto que a Televisão e a Rádio são a minha prioridade.

 

 

   ACQJFM.: É a voz principal do canal português com maior audiência. É o ponto mais alto da sua carreira ou espera que o futuro lhe traga outros desafios?

 

   PD.: No dia em que eu achar que atingi o ponto alto da minha carreira, não terei mais vontade de me levantar da cama e ir trabalhar com gosto. Quero mais. Sei que tenho muito ainda para aprender. Adoro televisão e, apesar da idade ir avançando, desde que tomei consciência de que era este o caminho que queria seguir, não desisto de um dia realizar e apresentar um projeto de televisão.

Tenho formação na área, tenho carteira profissional e adorava fazer reportagem de guerra. Não desisto, porque gosto de aprender.

A minha primeira participação em televisão foi no "Big Show SIC", como apresentador de cidade e no júri estava Miguel Simões e Carlos Ribeiro, dois “Dinossauros “ da comunicação em Portugal e com quem tive o prazer de aprender e partilhar o estúdio, uns anos mais tarde. Passei pela Renascença onde também partilhei trabalhos com profissionais com alguns dos meus ídolos, como o António Sala, o Fernando Correia,  o Pedro Tojal, entre outros. Resumindo, espero chegar mais longe e espero cumprir todos os sonhos que tracei para mim.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   PD.: As redes sociais e a facilidade com que hoje se coloca uma imagem ou vídeo a circular na Internet, apagou um pouco o segredo dos bastidores da televisão. Na rádio esse efeito ainda é maior. O segredo e a curiosidade de saber como é a pessoa que está por trás daquela voz desapareceu com a evolução dos meios de comunicação. As rádios e as televisões tiveram de se adaptar à moda das redes sociais para criar uma aproximação com quem deixou de ouvir rádio ou ver TV.

No entanto, costumo dizer que os locutores de televisão são os "ilustres desconhecidos" da TV. Porquê? Porque todos os dias entramos na casa das pessoas, todos os dias lhes dizemos “boa noite” e convidamos para ficarem um pouco mais na nossa companhia, mas ninguém nos conhece a cara. Aliás, em qualquer um dos canais de TV em sinal aberto, nunca ninguém incluiu nas Galas de aniversário ou de Natal a presença dos locutores. Os tais que todos ouvem, mas que ninguém sabe quem são.

Desde que entrei para a TVI, em 2007, criei a minha frase : “Deixe-se ficar, vai ver que vai gostar!”. Por vezes, no dia a dia, acabo por dizer esta frase sem querer. Aconteceu-me há uns meses, numa caixa do supermercado, em que a funcionária olhava para um produto alimentar que eu levava e disse-me que já por várias vezes que esteve para comprar para ela, mas não sabia se ia gostar. Perante isto, disse-lhe de forma natural e sem querer: "tem de experimentar, vai ver que vai gostar !”. Quando acabei de dizer isto, a jovem olhou para mim e disse-me: “ Parecia que estava agora a ver a TVI”. Eu sorri, mas não disse mais nada. Percebi que o timbre de voz, juntamente com a frase que já é tão familiar dos espectadores, levou aquela jovem a reconhecer o tom da frase.

Não escondo orgulho, o que alguns preferem chamar vaidade.

Seja como for, tenho consciência de que o caminho que trilhei nunca conheceu o apelido “Cunha”. Estes episódios fazem-me sentir o efeito que tem a tal “caixa mágica”.

18
Mai17

Ficha Técnica com Pedro David: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

Tiago Lourenço

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   Pedro David é um dos quatro locutores da TVI. Muito provavelmente, a grande maioria de nós conhecerá a sua voz, mas poucos saberão quem é.

 

    Está no canal de Queluz de Baixo desde 2007, embora tenha iniciado a carreira na Rádio. Jornalista de formação, começou na Nacional FM seguindo-se a Rádio Renascença. Já no Grupo Media Capital, juntou ao currículo a Rádio Nostalgia, a Mix Fm, o Rádio Clube Português, a M80, a Cidade Fm, a Romântica Fm e a Best Rock. Antes de se mudar para a televisão, trabalhou para a Rádio Comercial.

 

   Além da sua função no canal que lidera as audiências em Portugal, Pedro é também DJ.

 

   Em entrevista ao "Ficha Técnica", revela o seu percurso profissional, fala das exigências do seu trabalho e confessa um dos seus grandes desejos profissionais.

 

   A entrevista está dividida em duas partes. Podes ler a segunda parte já amanhã.

 

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   A Caixa que já foi Mágica.: Trabalhava na rádio e depois mudou-se para a TVI. Como surgiu o convite? 

 

   Pedro David.: Eu trabalhava na Rádio Comercial quando fiquei a saber da existência de duas vagas para Locutores na TVI. Embora o Grupo fosse o mesmo, as empresas eram diferentes e por isso tive que me candidatar como qualquer outra pessoa.

Em junho de 2007 recebi um telefonema no qual me informaram que tinha sido escolhido para uma das duas vagas. Mantive-me na Rádio como Jornalista e iniciei, em paralelo, a função de Locutor em julho do mesmo ano.

Foi um período alucinante. Em agosto inaugurei uma Croissanteria no Entroncamento. A par de tudo isto, estava ainda a dar formação de “Dicção de Rádio” nas instalações da ARIC (Associação de Rádios de inspiração Cristã), em Fátima. Estava ainda a gravar um projecto piloto de 13 programas para a RTP e tinha a agenda cheia como DJ.

Foi um ritmo alucinante de trabalho que mantive até 2009.  

 

   

   ACQJFM.: Quais são as suas principais tarefas?

 

   PD.: Na TVI, a principal função é a da criação de textos e a respetiva locução nos genéricos dos programas e telenovelas. Tenho de deixar o espetador “colado” à TV enquanto não entra a publicidade. É como quem deixa um convite por voz para que  se continue do outro lado e na nossa companhia. Depois, no decorrer dos programas, criamos as frases (tickers) que passam em rodapé, informando o que vai ser transmitido a seguir.

 

   

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades na sua profissão?

   

   PD.: Para mim, a maior dificuldade é criar um texto sempre mais apelativo e que desperte a curiosidade do espectador em relação ao último que fiz. O tempo é curto e a imaginação tem que funcionar.

Depois é ter segurança no que vamos dizer e da forma como passamos a mensagem. Não pode parecer ruído para quem nos ouve, mas sim uma voz amiga e familiar que todos os dias entra pela casa das pessoas, sem pedir autorização.

 

   

   ACQJFM.: Qual foi a situação mais complicada pela qual passou? E a mais caricata?

 

   PD.: O trabalho que fazemos é em direto. Houve um dia em que preparei o texto poucos minutos antes de ir para o ar e, no momento de mandar imprimir para ir para estúdio, a impressora encravou. Conclusão, fui para estúdio só com o texto em mente, mas o cansaço é uma arma inimiga da perfeição.

Quando a luz “ON AIR” acendeu, a minha memória apagou-se e daí para frente, os 45 segundos que tinha para falar, transformaram-se em 45 minutos. Parecia que nunca mais acabava o "off" e eu esqueci-me dos nomes dos programas que iam dar ao serão e até do programa que estava a terminar.

Então ficou qualquer coisa como isto: “Boa noite, este programa terminou, já a seguir a TVI preparou outro programa no género e mais tarde veja mais programas que a TVI preparou para esta noite da semana ( nem o dia me lembrava). Tenha uma boa noite com a programação da TVI “.

 

 

 

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   ACQJFM.: A sua voz é muito característica. Sente que teve sorte e, por isso, chegou ao lugar onde está ou a sorte trabalha-se?

   

   PD.: Quando comecei na Rádio, a 20 de Fevereiro de 1990, falava pelo nariz e a cantar. Tinha a mania que era locutor e apenas tinha conhecimento daquilo que ouvia na antiga Radio Press, hoje TSF. Ouvia muito essa rádio e imitava o José Coimbra. Os anos e a insistência em ouvir o que fazia mostraram-me o que realmente era inaudível e o que estava errado. Tentei e aprendi a ser mais natural e foi aí que percebi que tinha algum potencial na voz. A partir dessa altura, pesquisei, ouvi, treinei e, acima de tudo, ganhei muito respeito pela minha voz.

 

 

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   ACQJFM.: Sendo a voz a sua principal ferramenta de trabalho, que cuidados tem?

 

   PD.: Confesso que não tenho muitos, mas há algumas coisas que evito fazer. Por exemplo, alterações bruscas de temperatura, beber água muito gelada, apanhar correntes de ar e comer alimentos muito quentes. À margem disto, não fumo e só bebo bebidas alcoólicas ocasionalmente por uma questão social.

 

 

   ACQJFM.: Como é que trabalha e treina as cordas vocais? É um trabalho idêntico ao de um cantor, por exemplo, ou algo mais específico?

 

   PD.: Tenho uma preocupação rotineira. Antes de iniciar um "off" ou um trabalho vocal, aqueço os 13 músculos da boca que interferem com o desempenho da dicção e das cordas vocais. Faço dois exercícios fundamentais durante dois a três minutos antes de falar para o "AR". São exercícios que ensino aos alunos das minhas formações. São truques que eles fazem e o resultado é imediato e notório.  

 

 

 

 

Lê a segunda parte da entrevista clicando no logótipo do "Ficha Técnica":

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