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A caixa que já foi mágica

Um blog de opinião sobre a tv portuguesa

21
Jul17

Ficha Técnica com Isabel Roma.: "É mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências"

Tiago Lourenço

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   Isabel Roma é produtora de televisão na RTP. Está na estação pública há mais de 17 anos, quase metade da sua vida. 

   

   Natural do Porto, tem a seu cargo o programa "Janela Indiscreta". Mário Augusto é a cara principal do formato que conta todas as novidades do cinema mundial.

 

   Em entrevista ao "Ficha Técnica", relata as exigências do trabalho e revela que as audiências não a preocupam. A produtora conta que a qualidade dos formatos que tem a cargo são a sua maior preocupação e que aprendeu na RTP a interessar-se apenas pelo Presente.

 

Isabel Roma de Oliveira

 

 

   

   A Caixa que já foi Mágica.: Está na RTP há 17 anos. Trabalhou sempre como produtora na televisão pública ou ocupou outros cargos?

 

   Isabel Roma.: Antes de ser produtora fui relações públicas e assistente de produção. Antes de trabalhar em audiovisuais trabalhei em turismo.

 

 

    ACQJFM.: Qual é o trabalho de um produtor de televisão?

 

    I.R.: Um produtor é aquele que tem que fazer tudo para que uma ideia se concretize, se possível, sem se fazer notar.

 

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores exigências no seu trabalho?

 

   I.R.: Saber tudo sobre cada projeto que se tem em mãos, mas saber igualmente delegar e confiar tarefas. Ser o primeiro a entrar e o último a sair.

 

Depois, dependendo do tipo de produção em causa: assegurar os melhores, mais credíveis e criativos conteúdos; assegurar as melhores condições de trabalho aos colegas (e isso pode incluir alojamento, alimentação, mas também um guarda-sol ou um comprimido para a dor de cabeça) ou assegurar que cada projeto fica dentro do orçamentado.

 

 

   ACQJFM.: De todos os programas que produziu, há algum que lhe deixe mais saudades? Qual foi o formato mas desafiante ao longo destes anos e porquê?

 

   I.R.: O ano do "Euro 2004" é inesquecível para todos os que, de alguma forma, estiveram envolvidos na transmissão dos jogos, programas de apoio, etc..

 

O projeto mais recente é sempre o mais desafiante. Ou, dito de outra forma, todos os projetos têm desafios diferentes. No ano passado, por exemplo, houve um projeto para a RTP2 chamado “Jogos Reais” que foi altamente desafiante!

 

 

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   ACQJFM.: É, atualmente, produtora do programa "Janela Indiscreta". Em que é que este formato é desafiante para si?

 

   I.R.: Este programa acaba por ser bastante simples, porque trabalhamos, maioritariamente, com conteúdos que nos são fornecidos. O meu colega Francisco Silva estabelece todas as pontes necessárias e assegura as gravações com o Mário Augusto.

 

 

   ACQJFM.: Uma vez que trabalha na televisão do Estado, quais são as maiores dificuldades em fazer serviço público?

 

   I.R.: Não chamaria dificuldades, mas antes responsabilidades. Se conhecermos as bases do Contrato de Concessão, se conhecermos as regras, na realidade não é nada difícil. E, em última instância, temos sempre uma estrutura que assegura que nunca perdemos o rumo.

 

Torna-se mais difícil, na verdade, explicar o Serviço Público para fora da empresa, porque quase ninguém fora da RTP lê um documento como o Contrato de Concessão! E isso dá origem a imensos “treinadores de bancada” que não sabem do que falam.

 

 

   ACQJFM.: As audiências preocupam-na?

 

   I.R.: Preocupa-me mais saber se os programas têm qualidade. E interessa-me saber se todas as formas de ver conteúdos são medidas, e não apenas quem vê no momento de emissão em televisão (refiro-me, por exemplo, ao on-demand).

 

 

   ACQJFM.: O que é que, na sua opinião, é mais difícil: garantir audiências ou fazer serviço público?

 

   I.R.: É mais difícil garantir audiências. E é muito mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências.

 

 

   ACQJFM.: Em 17 anos a RTP mudou muito a vários níveis. Hoje a estação é melhor do que era em 2000?

 

   I.R.: Está melhor, claro, e daqui a 17 anos estará melhor ainda. O percurso da RTP, embora nem sempre fácil, é muito sólido.

 

 

   ACQJFM.: O que é que gostava que o futuro profissional lhe reservasse?

 

   I.R.: Gosto mais de apreciar o presente do que ter expectativas. O melhor momento é o agora, porque esse já ninguém me tira – e isto aprendi com uma das pessoas mais especiais com quem me cruzei na RTP.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   I.R.: Para a maioria das pessoas, creio que sim. Mas para muitas outras, a caixa mágica de hoje está online ou na box.

 

 

 

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NOTA.: O "A Caixa Que Já Foi Mágica" vai de férias, mas promete regressar em setembro. Até lá, se for o caso, umas boas férias também para si :)

27
Abr17

Programas de futebol? Conteúdo ZERO

Tiago Lourenço

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   Abordar este assunto é cuspir no prato que já me deu de comer. Contudo, há alguns anos que não como deste prato, e sei que uma das razões que me afastou foi esta loucura ridícula do futebol.

 

   Existem uma imensidão de modalidades desportivas em que os portugueses são bons: atletismo, automobilismo, motociclismo, judo, canoagem, ciclismo, e tantas outras. Mas o futebol move milhões – de euros – e isso conta muito mais para a imprensa. Não quero com isto culpar os responsáveis pelos meios de comunicação em Portugal, mas sim o público que consome notícias e dá audiência a estes programas de comentários.

 

   Há uns anos ninguém acreditaria que ser comentador de futebol ia ser uma profissão. Hoje, não só é uma profissão, como parece ser uma das formas mais eficazes de chegar ao público português.

 

   Vejamos o caso daquele comentador candidato à Câmara Municipal de Loures, pelo PSD. André Ventura ganhou notoriedade nos últimos tempos na CMTV e agora tenta a sua sorte nas autárquicas. Estes programas são típicos a fazer emergir pessoas do nada…e não me venham dizer que o André Ventura já era uma pessoa muito conhecida, porque eu nem sabia quem ele era, e o meu barómetro é que conta!

 

   O pior destes programas não são as pessoas que lá estão a comentar e que acham digno ganharem dinheiro a analisar…NADA. O pior destes programas é que, através deles, percebemos que o público português gosta de consumir coisas sem conteúdo. Gosta de consumir horas de televisão em que se avaliam lances de jogos até à exaustão e nunca se chega a uma conclusão.

 

   Porquê? Porque os critérios de arbitragem, apesar de estarem definidos, podem sempre ser interpretados de várias formas. Os lances podem ser vistos de ângulos diferentes, tanto pelo árbitro como pelo espectador, e até pelos atletas que estão em campo. Lógico que existem coisas óbvias, mas para isso não são precisos comentadores, só precisamos de olhos para ver que é falta.

 

   Juro que não entendo o fenómeno! Eu própria, às vezes, dou por mim a ver estes programas. A maior parte das vezes porque algum antigo colega os está a conduzir e o factor proximidade acaba por me fazer colar uns minutos ao ecrã. Contudo, sinto sempre que estou a ver uma coisa que não me adianta nada. Não quero que estes programas acabem, nem que o futebol seja uma modalidade esquecida. Só gostava de viver num país diferente, com pessoas que consumissem conteúdos com qualidade, e onde a televisão pudesse ser um meio de comunicação para aprendermos algo novo todos os dias.

 

   Tenho televisão no quarto e não a ligo há meses…o Netflix e o Youtube são a minha nova “Caixa Mágica”. Mas isso fica para a próxima crónica.

 

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28
Mar16

De repente, já lidera

Tiago Lourenço

 

Três anos após o seu nascimento, a CMTV já não é um exclusivo MEO e consegue ser mais vista que a SIC Notícias.

 

O canal do grupo Cofina nasceu em março de 2013 e, nesse mês, registou uma audiência de 0,14% de share. Até setembro do ano seguinte não parou de crescer.

 

Já mais recentemente, conquistou a sua melhor audiência média em novembro de 2015 com 1,03 % de share. Em janeiro deste ano, passou a estar presente no pacote de canais da operadora NOS.

 

Depois das várias ameaças, a CMTV ultrapassou a RTP3, está acima da TVI24 por diversas vezes e chega mesmo a ganhar a liderança dos canais informativos que pertence à SIC Notícias

 

Até 16 de março, a média do canal é de 2,16% de share, superior ao share da TVI24 e da RTP3, segundo dados da empresa medidora de audiências, a CAEM, divulgados pelo jornal Correio da Manhã

 

Pelo menos uma das primordiais promessas o canal cumpre: está em todo o lado, mesmo que o interesse do conteúdo da notícia ou do direto seja descabido.

 

Do pouco que acompanho a CMTV, posso dizer que não é um melhor canal informativo do que qualquer um dos outros. É, sobretudo, menos profissional e mais virado para a notícia de "faca e alguidar" como o jornal em que se inspira.

 

Desde 21 de março, o canal emite a novela Escrava Isaura, a versão da Rede Record, exibida pela RTP em 2004. A CMTV entrou, portanto, noutro campeonato. Um canal informativo não emite novelas. Será difícil comparar os resultados desta estação com os da RTP3, por exemplo, que se dedica apenas e só à informação.

 

Nem tudo é mau neste canal. É obvio que existem boas reportagens ou uma boa cobertura de determinados assuntos.

 

Não sou fã, mas tiro-lhe o chapéu pelo que conseguiu em pouco tempo. E, já agora, parabéns pelo 3º. aniversário CMTV.

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