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A caixa que já foi mágica

Blog de opinião sobre a televisão portuguesa

Quando o melhor da SIC continua a vir da Globo

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   Durante anos a SIC alicerçou a sua programação em produtos oriundos da TV Globo. Graças às novelas vindas do Brasil, conseguiu tornar-se no canal português mais visto e garantir audiências que seriam impensáveis nos dias de hoje. 

 

   Os tempos mudaram e o canal de Carnaxide optou, e bem, por procurar um caminho diferente. Apostou na produção nacional e fez o seu caminho até obter qualidade suficiente para conseguir liderar.

 

   Ao longo dos anos as novelas brasileiras foram perdendo espaço na grelha de programação da SIC, mesmo que num passado recente, por exemplo, "Avenida Brasil" ou "Amor à Vida" tenham conseguido liderar sobre a forte concorrência da TVI. Além do espaço que perderam, foram muitas vezes desprezadas. Hoje em dia, só há uma produção da Globo no ar, sendo ela emitida já bem perto da meia-noite.

 

   É verdade que até a gigante cadeia de televisão brasileira sofre as suas crises, mas "O Outro Lado do Paraíso" é o maior sucesso dos últimos anos cá e lá.

 

   A base da história é uma vingança, fio condutor já utilizado em inúmeras produções, a diferença é a forma cuidada e extraordinariamente bem conseguida de como foi introduzida. Aliado a isso, junta-se ainda a forma exemplar e cativante de como se desenrolam todos os núcleos da novela. 

 

   "O Outro Lado do Paraíso" é, durante a semana, o único programa da SIC capaz de vencer a concorrência de forma sistemática  e é ainda o programa que melhor quota de mercado garante para a estação.

 

   Todos os bons resultados conseguidos por uma produção brasileira são mérito próprio. Há muito tempo que a estreia de uma história vinda do país irmão chega sem poupa nem circunstância, com fraca promoção e em horário tardio.

 

   Não tenho dúvidas de que a vingança protagonizada por Clara (Bianca Bin) é a melhor novela a passar em Portugal atualmente. A SIC deve seguir o seu caminho, só não deve renegar aquilo que ainda lhe dá alegrias.

 

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A Goucha o que é de Goucha

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   A 7ª. edição do "Secret Story" não é um sucesso. Vence aos domingos, com uma cada vez mais uma curta distância para concorrência, vence no dia das "Nomeações", não muito longe de "Espelho D´Água" e, esporadicamente, lidera nos especiais emitidos ao longo do dia.

 

   Basicamente, o programa vence nos horários onde a TVI já vencia e os melhores resultados surgem nos momentos em que Manuel Luís Goucha está presente. A atravessar uma das melhores fases da sua carreira, o apresentador é, por si só, um captador de audiências.

 

   O "Secret Story" está gasto. A TVI e a Endemol, rainhas e senhoras do formato reality-show, estagnaram. Parece que já tudo foi inventado. Ambas esforçaram-se por fazer mais, mas nem sempre mais é sinónimo de melhor.

 

   É por estas razões que Goucha merece uma vénia. Com uma carreira de anos, sólida e já sem ter de provar nada a ninguém a não ser a si mesmo, aceitou o desafio de apresentar, pela primeira vez, um reality-show. Podia ter sido o principio do fim. Não foi. A graça certa no momento certo, a abordagem certa em momentos mais sensíveis e a classe que lhe é característica imprimiram às galas do "Secret Story" uma nova vida.

 

   A Goucha o que é de Goucha. Se a "Casa dos Segredos" tem algum sucesso, esse sucesso deve-se maioritariamente a ele.

 

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Já conhece a concorrência de "O Jardim"?

 

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   O Festival Eurovisão da Canção de 2018 está a pouco mais de um mês de ser realizar, pela primeira vez, em Portugal. A 1ª. semi-final está marcada para dia 8 de maio, a 2ª. acontece a 10 de maio e a grande final realiza-se a dia 12 do mesmo mês.

 

   Entretanto, já foram apresentadas as 43 canções que vão estar a concurso na 63ª. edição do certame. Cláudia Pascoal e Isaura representam Portugal com "O Jardim" e serão as oitavas candidatas a entrar em palco na grande final. Mas quem é a concorrência das portuguesas? Conheça ou oiça de novo as canções de 2018:

 

   1ª. semi-final.:

 

Azerbaijão

 

Islândia

 

Albânia

 

Bélgica

República Checa

Lituânia

 

Israel

 

Bielorrússia

 

Estónia

 

Bulgária

 

Macedónia

 

Croácia

 

Áustria

 

Grécia

 

Finlândia

 

Arménia

 

Suíça

 

Irlanda

 

Chipre

 

   2ª. semi-final.:

Noruega

 

Roménia

 

Sérvia

 

São Marino

 

 

Dinamarca

 

Rússia

 

Moldávia

 

Holanda

 

Austrália

 

Geórgia

 

Polónia

 

Malta

 

Hungria

 

Letónia

 

Suécia

 

Montenegro

 

Eslovénia

 

Ucrânia

   

   Final (Apurados diretamente).:

Alemanha

 

Espanha

 

França

 

Itália

 

Reino Unido

 

   Segundo as casas de aposta, Israel é a grande favorita à vitória do Festival Eurovisão da Canção de 2018. Portugal está, neste momento, na 17ª. posição. 

Portugal

 

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Estreia de "Got Talent" rouba espectadores a Goucha e a Manzarra

Créditos.: Fremantle Portugal

 

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O "Got Talent Portugal" estreou este domingo, na RTP1, e conseguiu uma média de 900 mil espectadores. Já o "Secret Story 7" e o "Divertidamente" registaram os seus piores resultados desde a estreia.

 

 

   Embora não se tenha conseguido impor, o programa de talentos apresentado por Sílvia Alberto e Pedro Fernandes retirou espectadores à concorrência na noite de domingo. Com 9,3% de rating e 18,8% de quota de mercado, o "Got Talent Portugal" foi o quinto programa mais visto do dia.

 

   Apesar de ter perdido cerca de 100 mil espectadores de uma semana para outra, a gala de expulsão do "Secret Story 7", da TVI, manteve-se na liderança ao registar uma audiência média de 11,6 % e 25,5% de quota de mercado. Manuel Luís Goucha teve o seu pior resultado à frente do reality-show, arrecadando cerca de 1 milhão e 124 mil espectadores.

 

   Na SIC também não houve razões para sorrir. Ainda que tenha conseguido a vice-liderança nas audiências do horário nobre, o "Divertidamente" perdeu cerca de 150 mil espectadores face à estreia. O programa de João Manzarra garantiu uma média de 982 mil espectadores, o correspondente a 10,1% de rating e 20,2% de share.

 

   O "Jornal das 8" voltou a ser o formato mais visto no domingo.

 

Os dados apresentados são provisórios, da responsabilidade da CAEM/GfK e podem sofrer alterações. Incluem Vosdal.

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Nostalgia em série

Imagem.: RTP

 

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   A RTP1 já estreou "1986". A série de Nuno Markl ajudou-me a recordar inúmeras situações.

 

   Mesmo tendo nascido em dezembro de 1989, a verdade é que nos primeiros anos de 1990 as coisas não mudaram assim tanto. A história do jovem Tiago retrata fielmente o ambiente, as roupas, as cores, os padrões, a música ou os objetos. Assim como mostra, de uma forma esclarecedora, aquilo de que só me lembro de ouvir falar, como a tensão política entre Mário Soares e Freitas do Amaral, e a história dos comunistas que "comiam crianças ao pequeno almoço".

 

   Na cozinha do Tiago, o nome devia estar na moda, estavam os tradicionais frascos de vidro com tampa e flores cor-de-laranja. Foi o pormenor que mais me chamou a atenção e que me levou a recuar uns 20 anos. A minha mãe tinha esses frascos e uma iogurteira da mesma coleção, provavelmente a Bimby da época. Nunca me lembro de ter comido nenhum iogurte que ali tivesse sido feito, mas o meu irmão também tem um robot de cozinha que pouco ou nada usa, por isso, deve ser defeito de família.

 

   A RTP, que várias vezes se afasta do seu propósito, acertou em cheio. "1986" é serviço público em pleno horário nobre. A nostalgia que a série traz a quem viveu esses anos, alia-se à forma descontraída como conta a história do Portugal recente a quem não a viveu.

 

   Infelizmente, as audiências não corresponderam à qualidade. A dificuldade em "combater" as enraizadas novelas da concorrência deram ao formato um resultado desanimador: 2,6% de rating e 5,6% de quota de mercado, o que corresponde a uma média de 254 mil espectadores.

 

   Nuno Markl, o autor, a Hop, a produtora, e todos aqueles que fizeram parte deste projeto estão de parabéns, independentemente dos resultados que obtiverem.

 

   Que não se pense que a RTP só vive do passado e que esta série é a prova disso. Trata-se exatamente do contrário. Não há nada mais na moda do que recordar aquilo que já se viveu.

 

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Goucha lidera com Manzarra à perna

Créditos.: Imagens SIC

 

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   A SIC estreou, este domingo, o "Divertidamente" que ficou em terceiro lugar nas audiências do dia, logo atrás da terceira gala do "Secret Story 7".

 

 

   O canal de Carnaxide apresentou um novo formato ao público em que concorrentes hipnotizados têm de realizar várias provas para ganhar dinheiro. Entregou a espinhosa missão de conduzir o "Divertidamente" a João Manzarra que teve uma estreia bastante animadora. Em média, 1 milhão e 134 mil espectadores seguiram o novo programa o que corresponde a 11,7 % de rating e 22,6% de quota de mercado.

 

   Já o "Secret Story 7", da TVI, que já havia descido os resultados de forma abrupta da estreia para a segunda gala, manteve os números do passado domingo. O programa foi visto, em média, por cerca de 1 milhão e 215 mil espectadores durante toda a emissão. Em termos audiométricos, estes valores significam que Manuel Luís Goucha conseguiu 12,5% de audiência média e 26,5% de share.

 

   Na terceira posição do horário nobre de domingo esteve "Os Extraordinários". A final do formato da RTP1 não foi além dos cerca de 515 mil espectadores. O programa de Sílvia Alberto registou 5,3 % de rating e 10,3% de share.

 

   O "Jornal das 8" liderou as audiências do dia. Para ficar a conhecer a ordem e quais os cinco programas mais vistos todos os dias, basta procurar na barra lateral direita do blog ou, se estiver num smartphone, percorrer toda a página até ao final.

 

Os dados apresentados são provisórios, da responsabilidade da CAEM/GfK e podem sofrer alterações. Incluem Vosdal.

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Tardes low-cost

Créditos: NiT

 

   

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   A SIC alterou a programação das tardes no final de fevereiro. Os fracos resultados obtidos pelo "Juntos à Tarde" atiraram João Baião e Rita Ferro Rodrigues para a prateleira. 

 

   Com um orçamento cada vez mais apertado, o canal decidiu ocupar o horário vespertino com a repetição de duas novelas portuguesas a que se juntou a estreia de "Dr. Saúde". 

 

   Várias notícias dão conta de que o programa que findou não foi além dos cerca de 10,5% de share no total da sua exibição. Este número, numa linguagem minimalista e fácil de entender, quer dizer que, naquele horário, um em cada dez espectadores que tinham a televisão ligada assistiam ao formato do canal de Carnaxide. 

 

   Fiz as contas, e aviso já que não sou uma grande matemático, na semana de 5 a 9 de março, a reposição de "Sol de Inverno" juntamente com o programa sobre saúde, alcançaram cerca de 11,7% de share. É uma subida, pouco significativa, mas uma subida. Na SIC, conseguiram o que queriam. Ocupar a maior parte do horário da tarde com uma novela que já está paga, ou seja, a re-exibição fica a custa zero, e ter um programa que possa fazer subir o horário das 18H00 e assim alavancar os números do "Linha Aberta". 

 

   Ganha a SIC e perde o espectador. É estranho que um canal que quer ser líder de audiências baseie a sua programação das tardes de semana em repetições. O que dá a entender é apenas isto: os valores até podem não subir, o que interessa é poupar. Além disso, esta linha de programação afasta-se, ainda mais, do público mais jovem e do público mais apetecível para os anunciantes.

 

   Isto não retira mérito a "Dr. Saúde". Aquilo que ali se faz é serviço público. Pedro Lopes é médico, mas é também um comunicador muito competente. O programa terá um caminho árduo no que toca a audiências e pode não aguentar o tempo necessário para se cimentar e subir os resultados. Ainda assim, é um bom esforço e diferenciador daquilo que oferece a concorrência.

 

   A tardes da SIC, nos moldes em que agora estão, com certeza que são para durar. A estação até pode não ganhar, mas o que interessa é não perder muito (dinheiro).

 

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Noite cor-de-rosa

Créditos: NiT

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   À terceira foi de vez. Depois de duas semifinais polémicas, a final do "Festival da Canção 2018" correu extremamente bem.

 

   É preciso recuar vários anos para se encontrar um programa televisivo em Portugal com um cenário e palco da dimensão da que pudemos ver este domingo. A apresentação de Pedro Fernandes e Filomena Cautela foi seguríssima. Ela já a caminhar para se tornar numa "senhora apresentadora" e ele com a piada ou alfinetada certa, no momento certo. Trouxeram frescura e jovialidade.

 

   O momento alto foi, sem dúvida, o da fantástica e merecida homenagem a Simone de Oliveira. Já a homenagem ao grupo Doce foi inesperada, mas bem vinda, e muito bem conseguida por parte das cantoras e de Moullinex.

 

   O Festival só não correu melhor porque a maioria das músicas a concurso eram um grande bocejo a que nem o mais interessado conseguia estar atento.

 

   Quanto aos resultados, Janeiro, com "Sem Título", foi o grande derrotado da noite ficando em 4º. lugar. Uma das vencedoras da noite foi Catarina Miranda. Sem nenhum tipo de favoritismo, chegou à final quase sem se dar por ela e "Para Sorrir Eu Não Preciso de Nada" só não ganhou porque o voto do público é soberano em caso de empate.

 

   Cláudia Pascoal e Isaura venceram merecidamente o concurso, confirmando o favoritismo à vitória após a desistência de Diogo Piçarra. "O Jardim" é uma digna vencedora. Além da bonita mensagem, a de uma neta que se despede da avó que morreu, há ainda a acrescentar a boa melodia e o ritmo contemporâneo. Ainda assim, a cantora que não venceu a última edição do "The Voice Portugal", tem de se conter. Cada vez que cantou a música emocionou-se no final e o mesmo vai acontecer na "Eurovisão" se não se treinar. Já foram tantas vezes que podemos vir a ser acusados de estar a "fazer número".

 

   Quanto a possibilidades no Festival Internacional, ainda é cedo, mas as Casas de Apostas que nos davam a vitória em 2017 não animaram muito com a escolha portuguesa. Ainda sem se conhecer a eleita, Portugal estava abaixo das 20 primeiras posições e aí se mantém. 

 

   Vamos representados pela canção daqueles que ficam encarregues das vivendas enquanto os donos vão de férias: "Agora que não estás, rego eu o teu jardim". É uma brincadeira. "O Jardim" é um boa escolha.

 

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Festival dos Segredos

 

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    A "Casa dos Segredos" estreou recentemente e, nem por sombras, conseguiu ser tão polémica como está a ser o "Festival da Canção 2018". O objectivo de um é o que o outro menos deseja.

 

   Entre acusações de plágio, falhas técnicas, falhas nas votações, intrigas e mexericos entre jurados ou participantes, há de tudo no certame da RTP.

 

   Isto leva-me, mais uma vez, ao assunto do momento. As redes sociais, com a ajuda dos vários órgãos de Comunicação Social que não têm nenhum interesse no "Festival" a não ser que este lhes consiga dar cliques e dinheiro, conseguiram fazer uma "vítima".

 

   Diogo Piçarra foi acusado de plágio pela sua "Canção do Fim". Defendeu-se, erradamente, afirmando que "a simplicidade tem destas coisas, e as melodias na música não são ilimitadas". Acrescentou também que desconhecia a música "Abre Os Meus Olhos", uma vez que nasceu "em 1990" e a canção data de 1979.

Diogo, eu nasci em 1989 e conheço a "Desfolhada", de 1969, de trás para a frente.

 

   A RTP nunca se pronunciou sobre o assunto, até ao momento em que o cantor fez saber que dava por terminada a sua participação. Até maio, iria ser achincalhado, gozado e, muito provavelmente, perder os "direitos de autor" da música. Sim, há uma grande diferença entre plágio e a perda de autoria.

 

   A estação do Estado fez muito mal. Ou defendia imediatamente o cantor ou o desqualificava. Esperar que Piçarra se chegasse à frente é incompreensível e desonesto.

 

   O artista fez o que devia e o que podia fazer. 

 

   Com tudo isto, as favas contadas deixaram de o ser. Cláudia PascoalJaneiro e Peu Madureira estão na corrida à vitória. Vitória essa que pertencia, com uma certeza absoluta, a Diogo Piçarra. Qualquer um deles será um digno vencedor, mas será sempre uma vitória às custas de uma desistência. Nenhum deles merecia tal rótulo e essa aura só passará, caso a vencedora consiga um boa posição no "Festival Eurovisão da Canção". Um lugar razoável seriam os primeiros 15 lugares e um bom resultado seria situar-se entre os 10 primeiros. 

 

   A crueldade das redes sociais e a sede de visualizações/cliques/leitores por parte da imprensa, canais de televisão e rádios tornaram o "Festival da Canção" num circo dos horrores, capaz de prejudicar a imagem de uma televisão, de um certame com anos de história e dos seus intervenientes. 

 

   O seu a seu dono. Deixem as polémicas para o "Secret Story". É para isso que ele serve.

 

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Olho para tudo e não vejo nada

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   Talvez o título deste artigo seja demasiado extremista, mas o "Festival da Canção 2018" está envolto em demasiadas polémicas, precisamente no ano em que não eram necessárias. Oiço muitos comentários, mas vejo muito pouco de positivo até agora.

 

   A segunda semifinal, emitida este domingo, foi bem melhor que a primeira. É inegável o facto de que existiram melhores canções e também melhores intérpretes. Isso não faz com que me esqueça da terrível falha na apresentação da primeira música, onde foram claros os problemas de som e o impasse das câmaras e da organização em saber se travavam ou não a atuação. 

 

   Quanto às músicas, deixemo-nos de tretas, há três capazes de nos fazerem orgulhar na Eurovisão, capazes de se perpetuar no tempo e capazes de despertar o interesse das rádios portuguesas, tal como escrevi sobre "Amar Pelos Dois": "Canção do Fim""O Jardim" e "Sem Título". Tenho preferência clara pelas duas primeiras. Foram as únicas que me fizeram sentir algo além do prazer de as ouvir. 

 

   A música de Diogo Piçarra é um dos temas do momento nas redes sociais. No domingo era a mais bestial para a maioria, conseguindo a unanimidade entre público e júri. Menos de 24 horas depois, é a "besta" ao ser acusada de plágio relativamente a uma canção da Igreja Universal do Reino de Deus.

 

   Não há grande volta a dar. A melodia e a entoação das palavras é igual. A partir daqui, fica ao critério de cada um. Não acredito que o músico tenha copiado um cântico da IURD, sobretudo numa época em que as redes sociais estão atentas, não perdoam, e em que a Instituição atravessa um período extremamente difícil devido às acusações das adoções ilegais. Esperava uma justificação melhor por parte do cantor do que aquela que deu na sua página de Facebook. Só a aceita e entende quem estiver predisposto a isso.

 

   Aquela que era e é a candidata à vitória do "Festiva da Canção" tem agora uma missão espinhosa pela frente. A polémica vai retirar-lhe brilho e o primeiro lugar não terá o mesmo "sabor".

 

  Uma das três canções mencionadas será a justa vencedora, na noite em que na RTP1 tem de afastar todas as polémicas e defender a canção eleita com unhas e dentes. Infelizmente, a visibilidade que o "Festival" voltou a conseguir é um pau de dois bicos. 

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