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A caixa que já foi mágica

Blog de opinião sobre a televisão portuguesa

"O Outro Lado do Paraíso" já tem substituta na SIC

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"Segundo Sol" é novela da Globo escolhida pela SIC para os finais de noite já a partir de setembro.

 

 

   O sucesso brasileiro "O Outro Lado do Paraíso" está prestes a terminar em Portugal, mas já existe substituta. "Segundo Sol" é a mais recente novela da TV Globo, da autoria de João Emanuel Carneiro, conhecido por sucessos como "Avenida Brasil", "Cobras e Lagartos" ou "Da Cor do Pecado". 

 

   A novela, protagonizada por Giovanna Antonelli, Deborah Secco, Adriana Esteves e Emilio Dantas conta a história de Beto (Emilio Dantas) que se tornou famoso como cantor. Para ajudar a pagar parte das dívidas da família e depois de uma gestão desastrosa da sua carreira, o cantor aceita dar um novo espetáculo. 

O problema é que o avião em que Beto viaja cai e este é dado como morto. O cantor sobrevieu, mas depois de o Brasil ficar comovido com sua a morte, o irmão Remy e a namorada Karola (Deborah Secco) convencem-no a não se revelar e a passar um tempo na ilha de Boiporã. Com esta estratégia, conseguem tempo para ganhar dinheiro com a situação e recuperar a casa da família. É nesse momento que o jovem conhece Luzia (Giovanna Antonelli).

Os dois apaixonam-se e fazem planos de casamento, sem que ela saiba a verdadeira identidade do cantor. Depois de descobrirem as intenções de Beto, Karola e Laureta (Adriana Esteves) juntam-se e conseguem separar o casal. 

 

   Apesar de ser um sucesso no país irmão, "Segundo Sol" regista, até ao momento, menor audiência que a sua antecessora "O Outro Lado do Paraíso".

 

   A estreia está marcada para 3 de setembro, segunda-feira, ao final da noite.

 

   Veja o trailer.: 

 

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Quando o melhor da SIC continua a vir da Globo

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   Durante anos a SIC alicerçou a sua programação em produtos oriundos da TV Globo. Graças às novelas vindas do Brasil, conseguiu tornar-se no canal português mais visto e garantir audiências que seriam impensáveis nos dias de hoje. 

 

   Os tempos mudaram e o canal de Carnaxide optou, e bem, por procurar um caminho diferente. Apostou na produção nacional e fez o seu caminho até obter qualidade suficiente para conseguir liderar.

 

   Ao longo dos anos as novelas brasileiras foram perdendo espaço na grelha de programação da SIC, mesmo que num passado recente, por exemplo, "Avenida Brasil" ou "Amor à Vida" tenham conseguido liderar sobre a forte concorrência da TVI. Além do espaço que perderam, foram muitas vezes desprezadas. Hoje em dia, só há uma produção da Globo no ar, sendo ela emitida já bem perto da meia-noite.

 

   É verdade que até a gigante cadeia de televisão brasileira sofre as suas crises, mas "O Outro Lado do Paraíso" é o maior sucesso dos últimos anos cá e lá.

 

   A base da história é uma vingança, fio condutor já utilizado em inúmeras produções, a diferença é a forma cuidada e extraordinariamente bem conseguida de como foi introduzida. Aliado a isso, junta-se ainda a forma exemplar e cativante de como se desenrolam todos os núcleos da novela. 

 

   "O Outro Lado do Paraíso" é, durante a semana, o único programa da SIC capaz de vencer a concorrência de forma sistemática  e é ainda o programa que melhor quota de mercado garante para a estação.

 

   Todos os bons resultados conseguidos por uma produção brasileira são mérito próprio. Há muito tempo que a estreia de uma história vinda do país irmão chega sem poupa nem circunstância, com fraca promoção e em horário tardio.

 

   Não tenho dúvidas de que a vingança protagonizada por Clara (Bianca Bin) é a melhor novela a passar em Portugal atualmente. A SIC deve seguir o seu caminho, só não deve renegar aquilo que ainda lhe dá alegrias.

 

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A Regra do Jogo perde na estreia

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A Regra do Jogo, novela de João Emanuel Carneiro, estreou esta segunda-feira à noite na SIC sem conseguir vencer a concorrência.

 

A estreia da história brasileira não foi além dos 740 mil espetadores, em média, situando-se no 7º. lugar dos programas mais vistos do dia. A Regra do Jogo só conseguiu vencer quando Jardins Proibidos terminaram na TVI. Em 2012, Avenida Brasil do mesmo autor, estreou-se a liderar com uma média de 1,2 milhões de espetadores.

 

Esta segunda-feira ficou ainda marcada pelas estreias de A Praça e Agora Nós, na RTP, que não conseguiram superar as audiências da concorrência.

 

 

 

A Regra do Jogo, com pouco mais de 4/5 dias de promoção intensa, não podia ter feito um resultado muito melhor. Não se podem esperar milagres quando a SIC foi absurda neste lançamento da novela.

 

Justifica, assim, a menor aposta nas produções brasileiras sobretudo em detrimento de Poderosas que não deixa de ser um fracasso a todos os níveis.

 

Em 2012, Avenida Brasil e Gabriela levaram o canal de Carnaxide à liderança mas, por lá, já devem ter esquecido tal facto.

 

Quanto às estreias de A Praça e Agora Nós, não estiveram nada mal. A primeira subiu os resultados das manhãs e o segundo chegou a morder os calcanhares ao Grande Tarde da SIC.

 

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Novelas brasileiras - Especial II

 

Todos os canais generalistas portugueses já emitiram novelas brasileiras. Sejam da TV Globo, da TV Record ou da TV Bandeirantes.

 

Desde 1977, com estreia de Gabriela, passaram pela televisão portuguesa 165 novelas da Globo. Muitas delas foram emitidas pela SIC que alicerçou a sua liderança nas audiências nas produções brasileiras.

 

A programação do canal de Carnaxide, nos anos 90, assentou sobretudo neste produto de manhã à noite.

 

Desde que as audiências são medidas em Portugal, Rei do Gado, Torres de Babel, Suave Veneno e Terra Nostra foram as novelas mais vistas pelo público.

 

Mais tarde, a imposição de novelas portuguesas por parte da TVI fez com que o público tivesse perdido o interesse nas histórias do povo irmão.

 

Desde essa data, apenas alguns nomes conseguiram sucesso ou um sucesso relativo no terceiro canal. Chocolate com Pimenta, Senhora do Destino, Alma Gémea ou, mais recentemente, Páginas da Vida conseguiram um lugar nas preferências do público.

 

Mais uma vez, Gabriela veio mudar o rumo da televisão. O remake da história de Jorge Amado formou dupla com a versão portuguesa de Dancin´ Days na SIC e tornaram-se imbatíveis em 2013. De repente, os tempos de outrora regressaram e os portugueses passaram a utilizar expressões de novelas brasileiras no dia-a-dia.

 

Avenida Brasil chegou pouco depois e fez sucesso tal como no Brasil. Amor à Vida e Cheias de Charme foram também líderes nos seus horários.

 

E, tal como em terras de Vera Cruz, as produções brasileiras estão, novamente na mó de baixo. Babilónia, Alto Astral e Império, exibidas atualmente, perdem para a concorrência.

 

A estreia da segunda novela portuguesa no horário nobre e o contrato que assinou recentemente com a Globo fazem prever que, pelo menos na SIC, as novelas brasileiras vão deixar de ter a importância que tiveram até aqui.

 

Ao longo dos anos podemos perceber que existem ciclos e que o público se tornou mais exigente. Contudo, basta existir uma boa novela para o espetadores voltarem a seguir os "folhetins" do Brasil.

 

Avenida do sucesso

Foram várias as vezes que quis escrever sobre o assunto mas acabei sempre por desistir. No regresso desta pausa não posso deixar de dedicar um post a Avenida Brasil, em exibição na SIC, e que está na reta final.

 

Primeiro que tudo, não gosto de comparar as novelas brasileiras com as novelas portuguesas. O Brasil, ou melhor, a TV GLOBO, tem uma máquina muito bem oleada e com muito dinheiro. Em Portugal, a máquina não está nada mal sendo a falta de dinheiro um dos maiores problemas.

 

 Ainda assim, as produções portuguesas têm evoluído bastante e coloco o foco nas histórias da SIC.

 

Posto isto, só posso elogiar a história de João Emanuel Carneiro que, no último episódio, obrigou a Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, a cancelar os eventos que tinha marcados, não querendo correr o risco de não ter ninguém para ouvi-la.


Avenida Brasil fez tanto sucesso que foi assunto no jornal The Guardian, no Le Figaro, na revista Forbes e na cadeia de televisão BBC.

 

Esta novela foi feita com pinças do início ao fim. A qualidade de imagem, a inovação das filmagens, as história e os atores fizeram deste produto um sucesso por todo o Mundo. Portugal não foi exceção. A história de Nina e Carminha conseguiu, com a preciosa ajuda de Gabriela, a proeza de superar a ficção da TVI até então intocável para os produtos brasileiros durante muitos anos.

 

Confesso que Avenida Brasil é o único programa de televisão que sigo e, confesso também, que nunca perdi um episódio porque, felizmente, tenho um serviço de televisão paga que me permite recuar a emissão.

 

Quando algo é bem feito deve ser elogiado e é exatamente isso que estou a fazer neste momento.

 

A família da mansão, a família do "lixão", as loucuras do "Divino" e as dondocas da zona Sul são os principais ingredientes e vão deixar saudades daquela que é, muito provavelmente, a melhor novela do milénio no país irmão, a mais exportada de sempre pela Globo e a produção que deu e continua a dar à SIC motivos para sorrir.

Se isto não chega...

Mundo ao Contrário é a mais recente novela da TVI. Estreada a um domingo, a nova produção do canal, foi líder de audiências. Com um bom primeiro episódio, Mundo ao Contrário é um produto algo diferente do que tem sido apresentado pelo canal de Queluz de Baixo. Uma novela mais ágil, mais "adulta", mais provocante e que marca o regresso do excelente Diogo Infante às novelas.

 

A TVI, diria que pela primeira vez, não empurrou a novela que já estava em antena, Destinos Cruzados, para um horário mais tardio. Deixou tudo como estava e colocou a história protagonizada por Margarida Marinho por volta das 23H00.

 

Só que nesse mesmo horário está a melhor novela do milénio do país irmão, Avenida Brasil. As audiências que a produção brasileira consegue para a SIC são muito boas, as melhores de um produto brasileiro desde Páginas da Vida em 2006, excluindo o remake de Gabriela.


Mundo ao Contrário liderou na estreia mas o sol foi de pouca dura. A vingança de Nina contra Carminha não dá espaço à novela da TVI para brilhar e o número de espectadores tem caído a pique.

 

Neste momento, a televisão portuguesa vive um ciclo no qual a SIC é dona e senhora do horário nobre, fruto de bons produtos, portugueses e brasileiros, e de dois ou três tiros ao lado da TVI.

 

Resta-lhe correr atrás do prejuízo, melhorando a sua ficção, que demonstrou uma grande perda de qualidade de algum tempo a esta parte, e esperar que a concorrência cometa erros.

Fenómeno até ao fim

O novo final de Gabriela não voltou a encerrar o parlamento - era difícil com ele fechado - mas pode dizer-se que parou grande parte do país.

 

A novela brasileira transmitida pela SIC este domingo alcançou o melhor resultado de sempre (22,4% rating e 40,9% share). Uma média de 2 milhões e 119 mil espectadores assistiu ao final da história da mulher com o cheiro de cravo e cor de canela.

 

Durante toda a sua exibição a novela foi um fenómeno. As expressões de alguns personagens ouviam-se na rua e os comentários aos episódios eram muitos. Este remake mereceu tudo isso. Desde atores, cenários ou edição, nada falhou e fizeram com que cada episódio não fosse televisão mas cinema.

 

Este resultado é ainda mais impressionante tendo em conta que já há vários meses as cenas do último episódio fizeram parte das revistas de televisão.

 

Esta foi a galinha dos ovos de ouro da SIC durante meses e vai-lhe fazer muita falta. Hoje será a prova dos nove. É uma espécie de antes de Gabriela e depois de Gabriela.

 

Para que se tenha noção, é preciso recuar a 2000 para que uma novela tenha feito um resultado tão expressivo no canal. A 14 de julho desse ano Terra Nostra "rebentava" a escala. Nessa altura a ficção brasileira ainda reinava em Portugal. 13 anos depois Gabriela volta a trazer público para as novelas brasileiras e para a SIC.

 

Nada substitui a adaptação do livro de Jorge Amado mas, no seu lugar, fica Avenida Brasil, a novela mais bem sucedida no Brasil nos últimos anos.