Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A caixa que já foi mágica

Blog de opinião sobre a televisão portuguesa

Ficha Técnica com Nuno Carvalho.: "Acredito que a RTP está preparada para dar um espetáculo enorme na Eurovisão"

coverFB_fichatecnica_V2.png

 

facebooknovo.jpg

 

   Nuno Carvalho é Engenheiro Informático na RTP. Está no canal do Estado desde 2003 e acumula a função de Presidente na Casa do Pessoal do canal, delegação do Porto.
 
   Esteve presente na final do "Festival da Canção 2018", em Guimarães, e garante que Portugal está preparado para receber o "Festival Eurovisão da Canção" já em maio deste ano. 
 
   Aos 38 anos, explica ao "Ficha Técnica" as dificuldades da sua profissão, a importância da "Casa do Pessoal" para os funcionários da RTP, a evolução que sentiu desde que está no canal e as exigências da engenharia informática numa estação de televisão.
 

Foto retirada do perfil de Facebook de Nuno Carvalho

 

 
    A Caixa que já foi Mágica.: Qual é o trabalho de um Engenheiro Informático numa televisão como a RTP?
 
   Nuno Carvalho.: A 'televisão' enquanto empresa possui especificidades inerentes à sua atividade. Além dos óbvios sistemas de áudio e vídeo, há um sem fim de sistemas auxiliares que se congregam para gerar o produto final - Televisão e Rádio entregue ao cliente em casa ou em qualquer lugar.
Ser Engenheiro Informático, neste contexto, é lidar com esta quantidade de sistemas diversos, de diferentes fabricantes, com diferentes funcionalidades mas que se interligam de uma forma automática e em tempo real.
 
 
   ACQJFM.: Está na RTP desde 2003. Em mais de 14 anos de trabalho na estação do Estado, quais foram as maiores mudanças que sentiu desde o início da sua colaboração?
 
   N.C.: Em 15 anos de RTP, para mim, a principal diferença foi a chegada do "Digital". 
Assisti e participei no salto tecnológico que foi a migração da área da informação para "digital". Desde 2005 que a RTP passou a dispor de um sistema totalmente informatizado para a produção de noticias. Desde a captura de imagens, a sua edição, sonorização, legendagem até à transmissão televisiva e arquivamento. É um sistema complexo que permitiu acabar com os meios analógicos e, até então, bastante tradicionais.
 
 
   ACQJFM.: O que é que entende por "Digital"?
 
   N.C.: O "digital" é a nova forma global de transmissão de conteúdos. Internet, redes móveis de alta velocidade, redes sociais ou smartphones vieram apresentar uma nova visão da "televisão", da imagem e da produção de conteúdos.  Considero que a RTP vai, no seu dia-a-dia, adaptando-se às novas realidades, mas sem nunca perder o seu cunho, a sua identidade.
 
Leia também:

postsimples_fichatecnica_V1.png 

 
   ACQJFM.: O que é que o cativa, ou motiva, a ser Engenheiro Informático numa estação de televisão?
 
   N.C.: O que me motiva enquanto profissional é estar identificado com a marca/empresa/produto em que trabalho.  Sentir o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no exterior da organização é sinal de que estamos/estou a ser eficiente. O meu contributo é dar o meu melhor todos os dias para que a RTP continue a ser a marca globalmente conhecida, trazendo um reconhecimento acrescido ao que faço.
 
 
   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades que enfrenta no dia-a-dia?
 
   N.C.: Todas as áreas de negócio possuem as suas prioridades e complexidades, seja a industria robotizada, seja a industria farmacêutica ou química, e ninguém poderá dizer que é mais ou menos critica que outra.
Uma das maiores dificuldades da RTP é a noção do tempo. Dez segundos sem emissão de televisão ou rádio é inaceitável, por isso, somos muitas vezes confrontados com adversidades e temos um espaço temporal muito curto para agir.
Para isso, é necessário capacidade de lidar com o stress, que é um desafio que me alicia pois faz-me estar completamente focado na resolução e que me permite desenvolver uma capacidade analítica acima da média.
 

29683395_1711822822216789_7712412141857166254_n.jp

 

 
 
   ACQJFM.: É Presidente "Casa do Pessoal da RTP", na delegação do Porto. Que importância tem a Instituição para os funcionários e ex-funcionários?
 
   N.C.: A Casa do Pessoal da RTP é quase tão antiga como a própria RTP. Nasceu e cresceu numa época em que a RTP era uma família, literalmente, onde vários membros da famílias trabalhavam no mesmo espaço. 
Com o propósito de promover o desporto, a cultura e o convívio, sentimos as dificuldades que considero transversais a este tipo de associações. Existe um desinteresse generalizado por parte das pessoas em fazer parte, em estar presente, em contribuir. Existe também falta de apoios que nos permitam ser mais ousados nos projetos que idealizamos e nas ofertas que conseguimos para os nossos sócios. 
Por outro lado, a redução do número de funcionários e o aparecimento de mais colaboradores externos em outsourcing, restringe o universo dos nossos sócios e o alcance dos nossos projetos.
Mas as dificuldades não nos impedem de continuar a lutar, procurar oferecer propostas mais vantajosas, mais adaptadas aos tempos modernos, tentando fidelizar sócios mais antigos, e trazer para a nossa "casa" os mais novos.
Um desafio que muito me apraz abraçar.
 

Db5OX1zXcAEG5OD.jpg

 

 
 
   ACQJFM.: Esteve de alguma forma ligado à final do "Festival da Canção 2018". Acredita que o evento foi um teste positivo para a receção da Eurovisão, pela primeira vez, em Portugal?
 
   N.C.: O "Festival da Canção de 2018" foi uma aposta ganha da RTP!
O publico em geral andava nos últimos anos afastado do "Festival da Canção". Com a vitória do Salvador Sobral, o ano passado, e com o facto de este ano se realizar em Portugal, o "Festival da Eurovisão" trouxe de volta muito telespectadores. A RTP soube aproveitar muito bem este facto e oferecer um espetáculo televisivo de grande nível, de realização e produção.
Munindo-se dos parceiros certos, o produto final arquitectado pela RTP, foi uma demonstração inequívoca da nossa capacidade de abraçar projetos ambiciosos e conseguir na sua totalidade supera-los, pois foi isso que aconteceu.
A final do "Festival da Canção", em Guimarães, foi um excelente ensaio para aquilo que nos espera em Maio, no Altice Arena.
Foram testadas soluções, parceiros e formas de trabalho. Foram "treinadas" pessoas e equipas para trabalhar juntas, em busca de um objectivo ambicioso.
 
 
   ACQJFM.: Através do conhecimento que possa ter sobre o assunto, Portugal será capaz de produzir um espetáculo igual ou superior ao dos últimos anos?
 
   N.C.: Tendo estado presente na final em Guimarães, acredito que a máquina está pronta para dar um espetáculo enorme e conseguir superar tudo o que foi realizado até então. 
 
 
   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?
 
   N.C.: A televisão continuará sempre a ser caixa mágica! Poderá sair do móvel da sala e mudar-se para o computador, o smartphone ou dispositivos que ainda vão ser inventados. Poderá configurar-se com tecnologias que permitam mais interacção, poderá dotar-se de 3D, realidade aumentada ou hologramas, mas será sempre a "televisão". 
Independente da forma ou dos conteúdos, independentemente dos novos canais e dos novos 'players', a televisão tradicional continua a definir as normas, os caminhos e as tendências. 

 
Artigos relacionados:

postsimples_fichatecnica_V1.png

Ficha Técnica com Pedro David: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

postsimples_fichatecnica_V2.png

"Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

 

facebooknovo.jpg

 

 

Júlia Pinheiro antevê derrota da SIC contra "Secret Story 7"

img_828x523$2017_02_14_12_55_39_36886_im_636266458

facebooknovo.jpg

 

A apresentadora comentou a escolha de Manuel Luís Goucha, para comandar o reality-show da TVI, com uma afirmação peremptória: " Ele vai dar-nos uma sova tremenda".

 

   

   O "Secret Story 7" ainda nem começou e Júlia Pinheiro já atirou a toalha da SIC ao chão. A diretora executiva de conteúdos do canal de Carnaxide, em entrevista à revista TV 7 DIAS, antecipou que não espera vencer as audiências contra Manuel Luís Goucha: "Ele vai dar-nos uma sova tremenda. E eu, com um grande sorriso, vou abrir as audiências para ver o grande triunfo do meu amigo. Há formatos em que passamos e não fica uma ligação, mas com este ficou, por isso fico muito feliz que seja ele a fazer", afirmou.

 

   Júlia elogiou ainda para elogiar o colega: "O Manel está na plenitude absoluta das suas capacidades como comunicador, está cada vez melhor. Tem uma empatia com o público total hoje em dia e reuniu uma experiência que faz com que tudo aquilo que é necessário em plateau esteja afinadíssimo, muito bem calibrado", confessou.

 

   Recorde-se que a apresentadora foi a cara da primeira edição da "Casa dos Segredos", quando ainda não estava na SIC.

 

   A estreia do reality-show está marcada para o primeiro trimestre de 2018.

 

facebooknovo.jpg

 

 

 

E os mais lidos do ano são...

 

facebooknovo.jpg

 

    2017 foi o melhor ano de sempre do "A Caixa que já foi Mágica", no que toca a vizualições, graças a si!

 

   É com enorme gratidão que lhe anuncio os três artigos mais lidos neste ano que está prestes a terminar.

 

   3º. Lugar.:

Diana Bouça-Nova: "Acho difícil regressar ao entretenimento"

12821382_1212640672098662_9050681567121964451_n.jp

 " Diana Bouça-Nova, de 31 anos, é jornalista da RTP desde 2015.  Apesar de fazer da informação a sua vida profissional, foi no entretenimento que, inicialmente, se destacou."

 

 

   2º. Lugar.:

Rol de elogios

CÁ-POR-CASA045.jpg

"Faz tempo que queria escrever sobre este programa, mas não queria que fosse apenas um rol de elogios sem verdadeiro conhecimento de causa."

 

 

   1º. Lugar.:

"No comments"

transferir.jpg

 

"Geralmente não me junto aos coros de críticas que se fazem ecoar por essas redes sociais fora. Desta vez, não posso ficar indiferente.";

 

   

   Já relativamente ao "Ficha Técnica", a entrevista mais lida foi...:

 

"Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

coverFB_fichatecnica_V2.png

 

facebooknovo.jpg

 O "A Caixa que já foi Mágica" deseja-lhe um excelente 2018.

"Gostava mais quando estava no outro lado"

facebook.jpg

julia-pinheiro-noticia-inesperada-na-vida-da-apres

 

 

   Júlia Pinheiro foi surpreendida, em direto, no programa das manhãs da SIC. Ao telefone, uma espetadora afirmou:"gostava muito da Júlia Pinheiro quando estava no outro lado". Foi uma clara alusão ao tempo em que a apresentadora fazia parte da TVI.

 

   Arrisco-me a dizer que o sentimento é geral. Júlia tem feito pouco mais do que o "Queridas Manhãs", enquanto que na concorrência era o rosto das maiores apostas do canal. Percebi, numa entrevista que deu a Daniel Oliveira no "Alta Definição", que a grande causa do abrandamento se deveu a problemas de saúde de uma das suas filhas.

 

   Entendi melhor a posição da apresentadora. Só que isso teve um preço. Deixou de ser uma apresentadora de primeira linha como é, hoje em dia, Manuel Luís Goucha ou Cristina Ferreira. Não em questões de profissionalismo, mas no que toca ao interesse da grande maioria do público. 

 

   A Impresa, dona da SIC, deu-lhe a oportunidade de manter a revista online com o seu nome e deu-lhe ainda um cargo na revista "Activa". Fez mal no segundo caso. A apresentadora tem menos disponibilidade para se dedicar à televisão. E não será aí que faz muito mais falta? Claro que é!

 

   Se tiver disponibilidade para isso, Júlia precisa de voltar ao grande entretenimento. Precisa de voltar a ganhar destaque para o seu próprio bem e, sobretudo, para o bem da SIC. Muito provavelmente o programa das manhãs ganhará um novo fôlego, de que bem precisa.

 

   Volta Júlia, estás perdoada.

 

   Leia também:

postsimples_fichatecnica_V1.png

Ficha Técnica com Isabel Roma.: "É mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências"

facebook.jpg

 

Ficha Técnica com Marisa Martinho.: "Lidar com os sonhos das pessoas é algo que me seduz"

   

facebook.jpg

 

coverFB_fichatecnica_V2.png

 

   Marisa Martinho é uma das reponsáveis pelos mentores do "The Voice Portugal", da RTP1, há quatro anos. Quase o mesmo tempo em que trabalha como Produtora de Conteúdos para a Shine Ibéria.

 

   Em entrevista, a natural de Cascais, confessa que após terminar o curso bateu à porta de todas as produtoras e televisões portuguesas da região de Lisboa e foi essa persistência que a ajudou a trabalhar na área.

 

   A jornalista de formação não esquece o trabalho como Repórter no canal Globo Portugal e admite que voltaria a fazê-lo se a convidassem. Ainda assim, isso não invalida que se sinta feliz na sua atual profissão.

 

   Marisa confessa ainda que adorava trabalhar na área do jornalismo desportivo.

 

Foto de perfil retirada da rede social "Linkedin"

 

 

 

   A Caixa que já foi Mágica.: Começou a carreira na Endemol Portugal. Trabalhar na televisão foi sempre uma vontade sua ou aconteceu por acaso?

 

   Marisa Martinho.: Desde pequena que o meu sonho era ser Jornalista. A área não era importante. Queria conversar com pessoas, saber tudo sobre a atualidade em Portugal e no Mundo. 

 

      Ao longo do curso, a vontade de conhecer o mundo televisivo aumentou, também por culpa de alguns professores da minha faculdade e, com o aproximar do final do último ano, tinha quase decidido que teria de fazer alguma coisa para trabalhar em televisão. 

 

    Assim que o terminei, enviei currículos para todas as produtoras de programas de televisão, para todos os canais nacionais, esperei e nada aconteceu.

 

    Fui às estações, bati à porta das produtoras e fui até ao estúdio da Valentim de Carvalho, onde a Endemol estava a gravar a “Roda da Sorte”, com o Herman José. Por acaso, entreguei o currículo “em mãos” a uma pessoa que achou graça à minha atitude. No dia seguinte ligaram-me e comecei o estágio.

 

 

   ACQJFM.: Passou depois pelo jornalismo, mas rapidamente voltou aos "conteúdos". O jornalismo, por si só, não é tão aliciante ou a produção de conteúdos é aquilo que realmente a completa?

 

   M.M.: Adorei fazer reportagem para o “Cá Estamos”, na TV Globo. Foi sem dúvida uma experiência única na minha vida. O ritmo é outro, o tempo é outro e o próprio método é diferente. Gostei muito de ser repórter do programa e cresci muito com ele. 

Voltaria a fazer amanhã se me convidassem, mas a verdade é que na produção de conteúdos a dinâmica é diferente. O ritmo alucinante dos programas de entretenimento de hoje deixa-me com o coração nas mãos, no bom sentido. Sou por natureza uma pessoa que gosta de desafios e sem dúvida que no entretenimento o desafio é maior e mais aliciante.

 

 

   ACQJFM.: Qual é o trabalho de uma produtora de conteúdos?

 

   M.M.: A nossa vida não é fácil! Posso dizer que depende muito de como as equipas de conteúdos são organizadas e do tipo de programas que fazemos mas, em geral e falando quase cronologicamente por projeto, começamos por procurar ideias para criar e reinventar no nosso programa; estruturamos tudo o que precisamos gravar para que o programa tenha as várias vertentes que pretendemos; acompanhamos as gravações e coordenamos as equipas de gravação tendo em conta as nossas necessidades.

 

   Também são da nossa responsabilidade a gravação de entrevistas e de planos. Depois de gravar somos também nós que, através de programas de edição (avid, finalcut, …), cortamos, estruturamos as ações gravadas e acompanhamos os editores. São estas as principais funções de uma produtora de conteúdos. 

 

   Não é possível resumir mais uma função tão importante.

 

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades num dia de trabalho?

 

   M.M.: Para qualquer “conteúdo” o dia é pequeno. Precisamos sempre de mais tempo. Os prazos são muito apertados.

   O tempo é mesmo o nosso maior inimigo. De resto, quando se gosta do que se faz nada é difícil!

 

 

615521006_780x439.jpg

 

 

   ACQJFM.: A Shine Iberia Portugal faz trabalhos para vários canais. Existe um cuidado diferente tendo em conta a estação ou a produtora faz o seu trabalho independentemente de quem a contratou?

 

   M.M.: Não tenho dúvidas de que a Shine Iberia Portugal trabalha sempre da mesma forma, independentemente da estação que a contrata para fazer um programa.

Aqui fazemos o nosso trabalho, todos os dias, com o maior empenho. Já fiz programas para a SIC, para a TVI e para a RTP e nunca notei diferenças. Para nós o importante é fazer bem.

 

 

   ACQJFM.: Sente diferenças no investimento das televisões de 2008 para 2017? Há mais ou menos investimento? De que forma é que esse investimento condiciona o seu trabalho?

 

   M.M.: Esta pergunta dá-me vontade de chorar! É de conhecimento geral que com a crise o investimento em programas de televisão os “orçamentos” tendem a ser menores. Ainda assim, o trabalho é o mesmo, o empenho é o mesmo, a vontade de fazer bem é a mesma desde o primeiro dia. Não posso dizer que o facto de se investir menos condiciona o meu trabalho porque, acima de tudo, tenho um grande orgulho no que faço.

    Apesar da redução no investimento a dedicação, empenho e profissionalismo são os mesmos.

 

 

   ACQJFM.: Algum público queixa-se de que as televisões em Portugal não inovam e poucas vezes se destacam umas das outras. Acredita que há uma crise de ideias ou a crise económica é a grande causa?

 

   M.M.: Nem uma coisa, nem outra. Na minha “carreira” em programas de televisão fiz muitas coisas parecidas, mas a verdade é que sempre que fiz algum programa menos “comercial” ou menos imediato para o público, as audiências não foram as melhores do mundo.

 

   Em Portugal existem vários programas de talentos porque a verdade é uma: as pessoas gostam, as pessoas vêem. O "boom" mais recente dos programas de cozinha é outro fenómeno. As audiências não enganam e, por isso, acho que as produtoras e os canais investem naquilo que as pessoas querem ver.

 

   Acredito que a pressão das audiências possa, de alguma forma, condicionar o que cada estação compra e emite. Não acredito que as produtoras não tenham em carteira mil programas para fazer, mas que o medo de arriscar acabe por vencer em algumas situações.

 

 

   ACQJFM.: É difícil agradar ao público português? 

 

   M.M.: Acho que não! Nós gostamos de sorrir, de chorar logo a seguir e, se possível, sorrir novamente. O público português gosta de, no mesmo programa, sentir várias sensações. Se conseguirmos isso, já os conquistámos.

 

 

The-Voice-Portugal-2015.jpg

 

 

   ACQJFM.: Qual foi a situação mais complicada pela qual passou? 

 

   M.M.: Não posso dizer que passei por situações muito complicadas. Tento sempre gerir as situações que enfrento.  

   Há uns anos estava a gravar um programa de entretenimento e, como repórter do programa, quando comecei a fazer uma entrevista a uma concorrente ela recusou-se a falar comigo. A candidata não aceitou a decisão dos jurados e quando questionada sobre isso quase me batia. Coitada! Percebo bem a desilusão que sentiu e eu ainda queria saber o que raio lhe passava pela cabeça.

 

   ACQJFM.: E a mais caricata?

   

  M.M.: A situação mais caricata aconteceu-me no "The Voice Portugal". Muitas vezes entro e saio com os mentores do décor e a todos os minutos querem tirar fotografias com eles. O problema é que nem sempre é possível porque temos muitas coisas para gravar. Numa dessas pausas oiço gritarem pelo meu nome, mas não olhei porque já sabia que era para tirar fotografias e não tínhamos tempo.

 

   Dias depois uma amiga da minha mãe encontra-me e conta-me que foi assistir às gravações do programa e que chamou por mim e eu nem lhe falei. Como podia adivinhar que era ela?

 

 

   ACQJFM.: Se pudesse escolher um programa ou formato para trabalhar, nacional ou internacional, qual escolheria?

 

   M.M.: É muito difícil falar de projetos que gosto ou que gostava de fazer porque parece sempre muito injusto para os programas que já fiz. Sem dúvida que o "The Voice" está no topo das minhas preferências por tudo e por nada. É um formato de música que adoro e lidar com sonhos de pessoas é algo que me seduz. Por isso acho que estou realizada nesse sentido. 

 

 

   ACQJFM.: Quais são os seus objetivos para o futuro?

 

   M.M.: Para já estou feliz a trabalhar onde estou. Sem dúvida que gostava de poder abraçar outros desafios, mas ainda não tenho bem definido o quê e onde. Uma coisa é certa, adorava fazer alguma coisa ligada ao jornalismo desportivo, gosto muito de futebol e gostava muito de poder fazer algo nessa área. Sou uma adepta fanática pelo Sport Lisboa e Benfica e por isso aceitam-se convites!

 

    Leia também:

postsimples_fichatecnica_V1.png

"Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

 

postsimples_fichatecnica_V1.png

Ficha Técnica com Isabel Roma.: "É mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências"

 

facebook.jpg

 

 

Ficha Técnica com Isabel Roma.: "É mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências"

coverFB_fichatecnica_V2.png

 

 

   Isabel Roma é produtora de televisão na RTP. Está na estação pública há mais de 17 anos, quase metade da sua vida. 

   

   Natural do Porto, tem a seu cargo o programa "Janela Indiscreta". Mário Augusto é a cara principal do formato que conta todas as novidades do cinema mundial.

 

   Em entrevista ao "Ficha Técnica", relata as exigências do trabalho e revela que as audiências não a preocupam. A produtora conta que a qualidade dos formatos que tem a cargo são a sua maior preocupação e que aprendeu na RTP a interessar-se apenas pelo Presente.

 

Isabel Roma de Oliveira

 

 

   

   A Caixa que já foi Mágica.: Está na RTP há 17 anos. Trabalhou sempre como produtora na televisão pública ou ocupou outros cargos?

 

   Isabel Roma.: Antes de ser produtora fui relações públicas e assistente de produção. Antes de trabalhar em audiovisuais trabalhei em turismo.

 

 

    ACQJFM.: Qual é o trabalho de um produtor de televisão?

 

    I.R.: Um produtor é aquele que tem que fazer tudo para que uma ideia se concretize, se possível, sem se fazer notar.

 

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores exigências no seu trabalho?

 

   I.R.: Saber tudo sobre cada projeto que se tem em mãos, mas saber igualmente delegar e confiar tarefas. Ser o primeiro a entrar e o último a sair.

 

Depois, dependendo do tipo de produção em causa: assegurar os melhores, mais credíveis e criativos conteúdos; assegurar as melhores condições de trabalho aos colegas (e isso pode incluir alojamento, alimentação, mas também um guarda-sol ou um comprimido para a dor de cabeça) ou assegurar que cada projeto fica dentro do orçamentado.

 

 

   ACQJFM.: De todos os programas que produziu, há algum que lhe deixe mais saudades? Qual foi o formato mas desafiante ao longo destes anos e porquê?

 

   I.R.: O ano do "Euro 2004" é inesquecível para todos os que, de alguma forma, estiveram envolvidos na transmissão dos jogos, programas de apoio, etc..

 

O projeto mais recente é sempre o mais desafiante. Ou, dito de outra forma, todos os projetos têm desafios diferentes. No ano passado, por exemplo, houve um projeto para a RTP2 chamado “Jogos Reais” que foi altamente desafiante!

 

 

32597_39173_78645.jpg

 

 

   ACQJFM.: É, atualmente, produtora do programa "Janela Indiscreta". Em que é que este formato é desafiante para si?

 

   I.R.: Este programa acaba por ser bastante simples, porque trabalhamos, maioritariamente, com conteúdos que nos são fornecidos. O meu colega Francisco Silva estabelece todas as pontes necessárias e assegura as gravações com o Mário Augusto.

 

 

   ACQJFM.: Uma vez que trabalha na televisão do Estado, quais são as maiores dificuldades em fazer serviço público?

 

   I.R.: Não chamaria dificuldades, mas antes responsabilidades. Se conhecermos as bases do Contrato de Concessão, se conhecermos as regras, na realidade não é nada difícil. E, em última instância, temos sempre uma estrutura que assegura que nunca perdemos o rumo.

 

Torna-se mais difícil, na verdade, explicar o Serviço Público para fora da empresa, porque quase ninguém fora da RTP lê um documento como o Contrato de Concessão! E isso dá origem a imensos “treinadores de bancada” que não sabem do que falam.

 

 

   ACQJFM.: As audiências preocupam-na?

 

   I.R.: Preocupa-me mais saber se os programas têm qualidade. E interessa-me saber se todas as formas de ver conteúdos são medidas, e não apenas quem vê no momento de emissão em televisão (refiro-me, por exemplo, ao on-demand).

 

 

   ACQJFM.: O que é que, na sua opinião, é mais difícil: garantir audiências ou fazer serviço público?

 

   I.R.: É mais difícil garantir audiências. E é muito mais gratificante fazer Serviço Público do que garantir audiências.

 

 

   ACQJFM.: Em 17 anos a RTP mudou muito a vários níveis. Hoje a estação é melhor do que era em 2000?

 

   I.R.: Está melhor, claro, e daqui a 17 anos estará melhor ainda. O percurso da RTP, embora nem sempre fácil, é muito sólido.

 

 

   ACQJFM.: O que é que gostava que o futuro profissional lhe reservasse?

 

   I.R.: Gosto mais de apreciar o presente do que ter expectativas. O melhor momento é o agora, porque esse já ninguém me tira – e isto aprendi com uma das pessoas mais especiais com quem me cruzei na RTP.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   I.R.: Para a maioria das pessoas, creio que sim. Mas para muitas outras, a caixa mágica de hoje está online ou na box.

 

 

 

Leia também:

postsimples_fichatecnica_V1.png

Ficha Técnica com Pedro David: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

postsimples_fichatecnica_V1.png

"Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

 

 

 

NOTA.: O "A Caixa Que Já Foi Mágica" vai de férias, mas promete regressar em setembro. Até lá, se for o caso, umas boas férias também para si :)

Ficha Técnica com Mariana Marques: "Não pretendo regressar à televisão tão cedo"

   

facebook.jpg

 

 

coverFB_fichatecnica_V1.png

 

 

   Mariana Marques foi uma mulher numa profissão dominada por homens. Aos 25 anos foi repórter de imagem na TVI e na CMTV. 

 

   A jovem de Marco de Canaveses fez da televisão a sua vida durante mais de três anos. Além dos dois canais de televisão, onde fez apenas trabalhos para a informação, passou ainda pelo Porto 24 e pelo Jornal de Notícias.

 

   Recentemente abandonou a profissão e mudou-se para Barcelona. Ao "Ficha Técnica", conta como vive uma mulher numa profissão na qual os homens estão em maioria. Fala ainda das dificuldades de um Repórter de imagem, da precariedade e revela que não pretende regressar à televisão se as condições se mantiverem como estão.

 

 

Mariana Marques

 

 

   A Caixa que já foi Mágica.: Porque é que deixou a televisão?

 

   Mariana Marques.: Deixei a televisão por causa da precariedade e da instabilidade relativamente ao futuro.

 

   ACQJFM.: Regressar à televisão faz parte dos seus planos?

 

   M.M.: Não, não pretendo regressar tão cedo. As condições teriam de mudar muito, algo que não me parece possível.

 

   ACQJFM.: Qual é o seu percurso profissional?

 

   M.M.: Comecei a estagiar no Jornal de Noticias. Depois fui para o Porto24 fazer reportagens sobre várias temáticas inerentes à cidade. Mudei-me para a CMTV até que recebi uma proposta da TVI, onde estive um ano e quatro meses. Agora estou em Barcelona.

 

   ACQJFM.: Além de, obviamente, captar imagem, o que é que faz um Repórter de imagem? 

 

   M.M.: A principal função do Repórter de imagem é contar a história ao telespetador através daquilo que filma. Para isso, quando está no terreno tem de criar uma sequencia mental da montagem final da reportagem. Ou seja, quando está no terreno tem de saber como vai contar a história. Todos os planos tem de estar relacionados para fazerem sentido a quem está a ver em casa.

 

   ACQJFM.: A ideia de que esta é uma profissão mais masculina é errada?

 

   M.M.: Nao é errada. Há poucas mulheres em Portugal a fazer jornalismo televisivo como repórter de imagem. Penso que se podem contar pelos dedos de uma mão. Ouvi sempre muitos comentários relacionados com isso: "muito bem, uma menina a fazer trabalho de homem" ou "isso é muito pesado para uma menina", coisas deste género

 

   ACQJFM.: Como é que uma mulher vive neste meio profissional? Alguma vez foi discriminada, profissionalmente, por ser mulher?

 

   M.M.: Sinto que unca fui discriminada. Sempre consegui fazer o meu trabalho.

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades na sua profissão?

 

   M.M.: Sentia principalmente a nível físico. Uma mulher tem mais dificuldades de agilidade e mobilidade. Mas penso que tem um olhar mais sensível e criterioso, o que compensa.

 

   ACQJFM.: Ao longo dos anos as profissões da área têm sofrido alterações. Um profissional já não faz só uma coisa, exige-se polivalência. No seu caso, de que forma é que essa polivalência está patente?

 

   M.M.: Eu filmava e editava reportagem. Apenas isso. E é bom, gosto de ser eu a montar as minhas peças

 

    ACQJFM.: A crise nos meios de comunicação social afetou a sua profissão? De que forma?

 

   M.M.: Sim, afetou imenso. Recibos verdes, horas a mais por dia, trabalhar noites, madrugadas, por aí...

 

   ACQJFM.: Qual foi o momento mais difícil pelo qual passou no seu percurso profissional?

 

   M.M.: Momentos difíceis são todos os que se relacionem com mortes de pessoas. É sempre difícil para o jornalista.

 

   ACQJFM.: Profissionalmente, qual é o seu maior desejo?

 

   M.M.: Uma carreira internacional

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a caixa mágica?

 

   M.M.: Para trabalhar penso que não, já atrai poucas pessoas. Sobretudo os jovens que procuram melhores condições de vida, algo que o jornalismo não dá.

 

postsimples_fichatecnica_V2.png

Ficha Técnica com a "voz" da TVI: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

postsimples_fichatecnica_V2.png

Ficha Técnica com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

  

facebook.jpg

 

Salvador e Luísa sobem audiência da RTP

facebook.jpg

 

db8f20443bf95e31606397fd3e524384.jpg

 

A entrevista dos irmãos ao canal público, que foi para o ar esta terça-feira, foi seguida por cerca de 890 mil espetadores.

 

 

 

   A primeira entrevista de Salvador Sobral, após a vitória no Festival Eurovisão da Canção, fez com a que a RTP quase duplicasse a sua audiência às 21H00. O valor médio da estação no horário ronda os 4% ou 5% de rating.

 

   O especial conduzido por Vítor Gonçalves, e que contou também a presença de Luísa Sobral, registou uma audiência média de 8,5% de rating e 18,1% de quota de mercado.

 

   A entrevista foi o 6º. programa mais visto de terça-feira e o que melhor resultado registou na estação do Estado.

 

   Recorde-se que Salvador Sobral venceu, no passado dia 13 de maio, o Festival Eurovisão da Canção. A música "Amar Pelos Dois" foi escrita pela irmã, Luísa Sobral, e deu a Portugal a primeira vitória no certame internacional.

 

 

Lê também:

postsimples_fichatecnica_V2.png

Ficha Técnica com a "voz" da TVI: "Ganhei muito respeito pela minha voz"

postsimples_fichatecnica_V2.png

Ficha Técnica com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

  

Dados de audiência Total Dia (Live+VOSDAL) para 23 de maio de 2017. Os números apresentados são da responsabilidade da GfK/CAEM.

 

facebook.jpg

 

 

 

Ficha Técnica com Pedro David: "Não escondo que vejo as novelas da TVI"

 

facebooknovo.jpg

 

coverFB_fichatecnica_V1.png

 

   

   Na segunda parte do "Ficha Técnica", Pedro David conta como são os seus dias na TVI. O locutor revela de que forma consegue conciliar a sua profissão com a de DJ e esclarece a importância da locução para um canal de televisão.

 

17966912_872894992849627_3363431397027438285_o.jpg

 

 

 Leia a primeira parte da entrevista clicando no logótipo do "Ficha Técnica":

postsimples_fichatecnica_V2.png

 

 

 

 

   ACQJFM.: Normalmente as intervenções de um "voice over" têm de ser curtas e concisas. No trabalho, o tempo é o seu maior inimigo?

 

   PD.: Sim, esta é daquelas profissões a que não podes chegar fora de horas e não te podes atrasar. Ou entras naquele minuto, naquele segundo, ou então já passou. Ou dizes o que tens para dizer, em 25 ou 50 segundos, ou então deixas a frase a meio.

 

 

   ACQJFM.: O facto de ser voz-off da TVI obriga-o a ser conhecedor ou, pelo menos, ler muita informação sobre a programação e o seu conteúdo. De que forma é que se prepara?

 

   PD.: Tenho o cuidado de tentar ver os episódios das novelas que a TVI transmite na véspera de estar de serviço. Assim, quando no dia seguinte entro ao serviço, é mais fácil localizar aquilo que o episódio do dia vai passar. Não escondo que “consumo” as novelas da TVI, já que elas fazem parte do meu material de trabalho.



   ACQJFM.: Que importância tem a locução para uma estação de televisão? Sente que é uma função que, ao longo dos anos, ganhou, perdeu ou manteve a sua relevância?

 

   PD.: Na minha opinião, sem querer “puxar a brasa à minha sardinha”, parece-me que este é um “pormenor” na emissão dos canais de televisão que está a ganhar cada vez mais espaço e importância. Se fizermos um “rewind”, a RTP há um tempo atrás não tinha locutores e hoje, não só tem, como intervêm em muitos momentos da emissão.

A SIC já há muito que tinha locutores no período de “prime-time” e agora já tem aos fins-de-semana, no período diurno.

A TVI há muitos anos que tem locutores, embora só no período do final da tarde até há uma da manhã. Penso que é uma mais valia para fazer a ligação entre a Estação e o espetador.

Apesar da imagem dos apresentadores, muitos deles estimados pela maioria do público, a verdade é que há aquela “voz” que todos os dias diz "boa noite" e está "ali sentado ao lado do espectador" para lhe lembrar o que pode ver a seguir e a convidar para não perder o episódio do dia seguinte. 

 

 

16684125_835473186591808_4824080567221311112_n.jpg

 

 

 

   ACQJFM.: Além do seu cargo no canal de Queluz é também DJ. De que forma concilia as duas profissões?

 

   PD.: Sempre estive habituado a ter várias profissões ao mesmo tempo. Atualmente, conjugo apenas a TVI com o serviço de DJ. Por vezes troco a escala com os meus colegas Miguel Freitas, Ana Bernardino e Cláudia Macedo. Somos quatro locutores e entendemo-nos muito bem. Somos mais que colegas, somos amigos. Tentamos sempre ajudar-nos uns aos outros, de forma a que possamos estar bem com a empresa e também nas outras atividades que cada um tem.

Por vezes surgem alguns trabalhos mais difíceis de conjugar. Lembro-me de uma passagem de ano em que pedi ajuda aos meus colegas na TVI para estar livre da escala por 11 noites seguidas. Nesse período, estive ao serviço da TSF como jornalista. Depois descansei dois dias e voltei à escala da TVI. Quanto ao trabalho de DJ, marco as noites em discotecas sempre com a salvaguarda de qualquer alteração de última hora, visto que a Televisão e a Rádio são a minha prioridade.

 

 

   ACQJFM.: É a voz principal do canal português com maior audiência. É o ponto mais alto da sua carreira ou espera que o futuro lhe traga outros desafios?

 

   PD.: No dia em que eu achar que atingi o ponto alto da minha carreira, não terei mais vontade de me levantar da cama e ir trabalhar com gosto. Quero mais. Sei que tenho muito ainda para aprender. Adoro televisão e, apesar da idade ir avançando, desde que tomei consciência de que era este o caminho que queria seguir, não desisto de um dia realizar e apresentar um projeto de televisão.

Tenho formação na área, tenho carteira profissional e adorava fazer reportagem de guerra. Não desisto, porque gosto de aprender.

A minha primeira participação em televisão foi no "Big Show SIC", como apresentador de cidade e no júri estava Miguel Simões e Carlos Ribeiro, dois “Dinossauros “ da comunicação em Portugal e com quem tive o prazer de aprender e partilhar o estúdio, uns anos mais tarde. Passei pela Renascença onde também partilhei trabalhos com profissionais com alguns dos meus ídolos, como o António Sala, o Fernando Correia,  o Pedro Tojal, entre outros. Resumindo, espero chegar mais longe e espero cumprir todos os sonhos que tracei para mim.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   PD.: As redes sociais e a facilidade com que hoje se coloca uma imagem ou vídeo a circular na Internet, apagou um pouco o segredo dos bastidores da televisão. Na rádio esse efeito ainda é maior. O segredo e a curiosidade de saber como é a pessoa que está por trás daquela voz desapareceu com a evolução dos meios de comunicação. As rádios e as televisões tiveram de se adaptar à moda das redes sociais para criar uma aproximação com quem deixou de ouvir rádio ou ver TV.

No entanto, costumo dizer que os locutores de televisão são os "ilustres desconhecidos" da TV. Porquê? Porque todos os dias entramos na casa das pessoas, todos os dias lhes dizemos “boa noite” e convidamos para ficarem um pouco mais na nossa companhia, mas ninguém nos conhece a cara. Aliás, em qualquer um dos canais de TV em sinal aberto, nunca ninguém incluiu nas Galas de aniversário ou de Natal a presença dos locutores. Os tais que todos ouvem, mas que ninguém sabe quem são.

Desde que entrei para a TVI, em 2007, criei a minha frase : “Deixe-se ficar, vai ver que vai gostar!”. Por vezes, no dia a dia, acabo por dizer esta frase sem querer. Aconteceu-me há uns meses, numa caixa do supermercado, em que a funcionária olhava para um produto alimentar que eu levava e disse-me que já por várias vezes que esteve para comprar para ela, mas não sabia se ia gostar. Perante isto, disse-lhe de forma natural e sem querer: "tem de experimentar, vai ver que vai gostar !”. Quando acabei de dizer isto, a jovem olhou para mim e disse-me: “ Parecia que estava agora a ver a TVI”. Eu sorri, mas não disse mais nada. Percebi que o timbre de voz, juntamente com a frase que já é tão familiar dos espectadores, levou aquela jovem a reconhecer o tom da frase.

Não escondo orgulho, o que alguns preferem chamar vaidade.

Seja como for, tenho consciência de que o caminho que trilhei nunca conheceu o apelido “Cunha”. Estes episódios fazem-me sentir o efeito que tem a tal “caixa mágica”.

 

facebooknovo.jpg

 

"Ficha Técnica" com Tiago Brochado: "Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér"

 

facebooknovo.jpg

 

coverFB_fichatecnica_V2.png

 

 

   Tiago Brochado é realizador, coordenador de produção e de régie na BTV. Está no canal do Sport Lisboa e Benfica há mais de três anos, depois de uma curta passagem pela CMTV. Ao currículo, junta ainda cerca de 7 anos na SportTV e outros 12 na SIC.

 

   Aos 37 anos, é um dos três profissionais destinados a realizar, para a televisão, as grandes partidas dos maiores clubes do futebol português. 

 

   Neste primeiro "Ficha Técnica", Tiago fala sobre o seu percurso profissional, as maiores dificuldades e as exigências de dirigir as câmaras num grande derby do futebol português.

 

   O realizador conta ainda que o momento mais difícil da carreira foi no dia em que Miklós Fehér, jogador do Benfica, morreu. Em 2004, Tiago trabalhava na SportTV e estava lá, atrás das câmaras.

 

   O profissional conta ainda como correu a passagem pela CMTV e o que faz no seu trabalho.

 

1d40316.jpg

 

 

 

     A Caixa que já foi Mágica.: Qual é o trabalho de um Realizador de televisão?

 

   Tiago Brochado.: O trabalho de um Realizador de televisão é coordenar e orientar uma equipa de profissionais na realização de um conteúdo televisivo, que pode ser de informação, entretenimento ou eventos. Também faz parte da preparação da sua produção, como por exemplo, fazer o plano de câmaras.

 

 

   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades no seu trabalho?

 

   T.B.: As maiores dificuldades são lidar com o imprevisto do direto, onde tudo pode acontecer: problemas técnicos, problemas com elementos da equipa ou outros fatores externos que não conseguimos controlar. Estes aspetos podem interferir negativamente na transmissão.

 

 

   ACQJFM.: A crise nos meios de comunicação afetou a profissão?

 

   T.B.: Não me posso queixar, tenho tido sempre trabalho e projetos interessantes. Não chamaria crise, mas sim evolução e mudança no meio audiovisual.  

 

 

   ACQJFM.: A realização em Portugal tem evoluído ao longo dos anos? De que forma?

 

   T.B.: Sim. Em Portugal as realizações de diversas transmissões têm evoluído e melhorado, apesar de fazermos “muito com pouco”. Conseguimos acompanhar a evolução a que se tem assistido na Europa, apesar de haver pouco investimento.

 

 

   ACQJFM.: Lembra-se da situação mais complicada pela qual passou durante o seu percurso profissional?

 

   T.B.: Lembro-me muitas vezes da morte do Fehér, em 2004. Na altura, estava a fazer mistura de vídeo para a SportTV e o realizador, ao aperceber-se do que estava a acontecer, emocionou-se e saiu do carro de exteriores. Eu, bem como o resto da equipa, continuámos a emissão, por muito que nos custasse. Na altura, apesar de ainda não ser realizador, fui fazendo a gestão dos planos que eram transmitidos e tentei preservar ao máximo o jogador. Dar dignidade à transmissão mostrando apenas planos abertos.

 

 

   ACQJFM.: É Realizador dos jogos de futebol do Sport Lisboa e Benfica, para a BTV. Há diferenças entre realizar um derby ou qualquer outro jogo? Porquê?

 

   T.B.: Sim, há. Ao realizar um derby ou um clássico devemos ter um cuidado especial. São jogos em que há mais espectadores e hoje em dia os comentadores desportivos visionam o nosso trabalho "frame" a "frame". O nosso trabalho é avaliado com mais rigor neste tipo de jogos e a imparcialidade é sempre posta à prova por quem está a avaliar e a assistir. Neste momento, em Portugal, estes grandes jogos são feitos apenas por três realizadores: eu, o Juan Figueroa e o Gustavo Fonseca, da Media Luso.

 

 

   ACQJFM.: Numa partida de futebol há muitos pormenores e muitas situações imprevisíveis. De que forma é que se gere a quantidade de imagens que lhe chegam?

 

   T.B.: Gerir todas essas imagens vai um pouco da experiência de cada Realizador. Numa transmissão de um jogo gosto de mostrar o espectáculo do futebol, as pessoas que vão ao estádio, as crianças, mostrar lá para casa que a família pode ir ao futebol. Gosto de mostrar pequenas “estórias” que vão acontecendo no decorrer do jogo. 

 

 

   ACQJFM.: Já realizou galas, concertos do "Rock in Rio", programas de informação, entre outros? O que é que lhe falta fazer?

 

   T.B.: Em termos de transmissões em direto acho que já fiz um pouco de tudo. Gosto de fazer parte de novos projetos, fazer parte da criação ou renovação de canais de televisão.

 

 

   ACQJFM.: Se tivesse de escolher entre realizar uma gala ou um jogo de futebol, qual escolheria? Porquê?

 

   T.B.: Um jogo de futebol. Os jogos de futebol são mais imprevisíveis e a adrenalina sobe quando são grandes jogos. Não existe um guião ou ensaios como nas galas, tudo acontece naquele momento, temos de tomar decisões no imediato. 

 

 

   ACQJFM.: Na sua carreira, a permanência na Cofina, mais propriamente na CMTV, foi a que menos tempo durou (cerca de um ano e três meses). Houve algo que correu mal ou a missão foi cumprida?

 

   T.B.: Quando fui para a CMTV integrei uma equipa que criou um canal "do zero". Fiz parte da criação de toda a imagem de canal, contratei equipas, formei técnicos, formatei e fiz parte da criação de quase todos os programas. Tudo isto e muito mais, em apenas quatro meses. No entanto, depois da estreia, percebi que não estava enquadrado na filosofia da estação e percebi que não conseguiria concretizar algumas das ideias que tinha. Na altura, surgiu o convite da BTV e achei que não podia recusar, acabando por sair da CMTV. 

 

 

   ACQJFM.: Quais são as suas ambições, daqui para a frente, na BTV?

 

   T.B.: A BTV, nestes últimos 3 anos, tem mostrado que é um bom canal de desporto. A minha ambição daqui para a frente é continuar a crescer e mostrar que somos capazes de muito mais.

 

 

   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?

 

   T.B.: Acho que sempre será.

 

 

 

O logotipo do "Ficha Técnica" é da autoria do designer Marco Almeida.

facebooknovo.jpg