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A caixa que já foi mágica

Blog de opinião sobre a televisão portuguesa

Olho para tudo e não vejo nada

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   Talvez o título deste artigo seja demasiado extremista, mas o "Festival da Canção 2018" está envolto em demasiadas polémicas, precisamente no ano em que não eram necessárias. Oiço muitos comentários, mas vejo muito pouco de positivo até agora.

 

   A segunda semifinal, emitida este domingo, foi bem melhor que a primeira. É inegável o facto de que existiram melhores canções e também melhores intérpretes. Isso não faz com que me esqueça da terrível falha na apresentação da primeira música, onde foram claros os problemas de som e o impasse das câmaras e da organização em saber se travavam ou não a atuação. 

 

   Quanto às músicas, deixemo-nos de tretas, há três capazes de nos fazerem orgulhar na Eurovisão, capazes de se perpetuar no tempo e capazes de despertar o interesse das rádios portuguesas, tal como escrevi sobre "Amar Pelos Dois": "Canção do Fim""O Jardim" e "Sem Título". Tenho preferência clara pelas duas primeiras. Foram as únicas que me fizeram sentir algo além do prazer de as ouvir. 

 

   A música de Diogo Piçarra é um dos temas do momento nas redes sociais. No domingo era a mais bestial para a maioria, conseguindo a unanimidade entre público e júri. Menos de 24 horas depois, é a "besta" ao ser acusada de plágio relativamente a uma canção da Igreja Universal do Reino de Deus.

 

   Não há grande volta a dar. A melodia e a entoação das palavras é igual. A partir daqui, fica ao critério de cada um. Não acredito que o músico tenha copiado um cântico da IURD, sobretudo numa época em que as redes sociais estão atentas, não perdoam, e em que a Instituição atravessa um período extremamente difícil devido às acusações das adoções ilegais. Esperava uma justificação melhor por parte do cantor do que aquela que deu na sua página de Facebook. Só a aceita e entende quem estiver predisposto a isso.

 

   Aquela que era e é a candidata à vitória do "Festiva da Canção" tem agora uma missão espinhosa pela frente. A polémica vai retirar-lhe brilho e o primeiro lugar não terá o mesmo "sabor".

 

  Uma das três canções mencionadas será a justa vencedora, na noite em que na RTP1 tem de afastar todas as polémicas e defender a canção eleita com unhas e dentes. Infelizmente, a visibilidade que o "Festival" voltou a conseguir é um pau de dois bicos. 

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O país das novelas também sabe fazer séries

 

 

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   Terminou esta semana a melhor série portuguesa dos últimos anos. "Madre Paula", transmitida pela RTP1, contou a história de uma freira do Convento de Odivelas que se apaixonou pelo rei de Portugal e o rei por ela.

 

   A série realizada pela "Vende-se Filmes", e escrita por Patrícia Muller, foi e é uma pedrada no charco. Esta é prova de que no país da novelas também é possível fazer-se outros tipos de ficção, de época neste caso, com um elevado nível de excelência.

 

   Os ingredientes estavam lá todos: excelentes interpretações de Joana Ribeiro (Madre Paula), Paulo Pires (D. João V) e de Sandra Faleiro (Rainha Maria Ana); um guarda roupa incrível e uma história carregada de temas tabu como a homossexualidade, a homossexualidade na igreja, as relações sexuais entre freiras e nobres, teorias da conspiração, violência e até humor. Provavelmente, não precisava de ser tão atrevida nas cenas de caráter sexual, podendo assim passar num horário menos tardio.

 

   "Madre Paula" não subiu as audiências da RTP1 às quartas-feiras à noite, mas também não as fez descer. Amigos meus, na casa dos 20 anos, disseram-me que seguiram esta série. Para a estação do Estado é uma vitória conseguir captar público mais jovem.

 

   Que o dinheiro dos contribuintes seja utilizado para trabalhos como este. Assim, podemos estar todos descansados. 

 

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