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A caixa que já foi mágica

Blog de opinião sobre a televisão portuguesa

Noite cor-de-rosa

Créditos: NiT

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   À terceira foi de vez. Depois de duas semifinais polémicas, a final do "Festival da Canção 2018" correu extremamente bem.

 

   É preciso recuar vários anos para se encontrar um programa televisivo em Portugal com um cenário e palco da dimensão da que pudemos ver este domingo. A apresentação de Pedro Fernandes e Filomena Cautela foi seguríssima. Ela já a caminhar para se tornar numa "senhora apresentadora" e ele com a piada ou alfinetada certa, no momento certo. Trouxeram frescura e jovialidade.

 

   O momento alto foi, sem dúvida, o da fantástica e merecida homenagem a Simone de Oliveira. Já a homenagem ao grupo Doce foi inesperada, mas bem vinda, e muito bem conseguida por parte das cantoras e de Moullinex.

 

   O Festival só não correu melhor porque a maioria das músicas a concurso eram um grande bocejo a que nem o mais interessado conseguia estar atento.

 

   Quanto aos resultados, Janeiro, com "Sem Título", foi o grande derrotado da noite ficando em 4º. lugar. Uma das vencedoras da noite foi Catarina Miranda. Sem nenhum tipo de favoritismo, chegou à final quase sem se dar por ela e "Para Sorrir Eu Não Preciso de Nada" só não ganhou porque o voto do público é soberano em caso de empate.

 

   Cláudia Pascoal e Isaura venceram merecidamente o concurso, confirmando o favoritismo à vitória após a desistência de Diogo Piçarra. "O Jardim" é uma digna vencedora. Além da bonita mensagem, a de uma neta que se despede da avó que morreu, há ainda a acrescentar a boa melodia e o ritmo contemporâneo. Ainda assim, a cantora que não venceu a última edição do "The Voice Portugal", tem de se conter. Cada vez que cantou a música emocionou-se no final e o mesmo vai acontecer na "Eurovisão" se não se treinar. Já foram tantas vezes que podemos vir a ser acusados de estar a "fazer número".

 

   Quanto a possibilidades no Festival Internacional, ainda é cedo, mas as Casas de Apostas que nos davam a vitória em 2017 não animaram muito com a escolha portuguesa. Ainda sem se conhecer a eleita, Portugal estava abaixo das 20 primeiras posições e aí se mantém. 

 

   Vamos representados pela canção daqueles que ficam encarregues das vivendas enquanto os donos vão de férias: "Agora que não estás, rego eu o teu jardim". É uma brincadeira. "O Jardim" é um boa escolha.

 

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Festival dos Segredos

 

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    A "Casa dos Segredos" estreou recentemente e, nem por sombras, conseguiu ser tão polémica como está a ser o "Festival da Canção 2018". O objectivo de um é o que o outro menos deseja.

 

   Entre acusações de plágio, falhas técnicas, falhas nas votações, intrigas e mexericos entre jurados ou participantes, há de tudo no certame da RTP.

 

   Isto leva-me, mais uma vez, ao assunto do momento. As redes sociais, com a ajuda dos vários órgãos de Comunicação Social que não têm nenhum interesse no "Festival" a não ser que este lhes consiga dar cliques e dinheiro, conseguiram fazer uma "vítima".

 

   Diogo Piçarra foi acusado de plágio pela sua "Canção do Fim". Defendeu-se, erradamente, afirmando que "a simplicidade tem destas coisas, e as melodias na música não são ilimitadas". Acrescentou também que desconhecia a música "Abre Os Meus Olhos", uma vez que nasceu "em 1990" e a canção data de 1979.

Diogo, eu nasci em 1989 e conheço a "Desfolhada", de 1969, de trás para a frente.

 

   A RTP nunca se pronunciou sobre o assunto, até ao momento em que o cantor fez saber que dava por terminada a sua participação. Até maio, iria ser achincalhado, gozado e, muito provavelmente, perder os "direitos de autor" da música. Sim, há uma grande diferença entre plágio e a perda de autoria.

 

   A estação do Estado fez muito mal. Ou defendia imediatamente o cantor ou o desqualificava. Esperar que Piçarra se chegasse à frente é incompreensível e desonesto.

 

   O artista fez o que devia e o que podia fazer. 

 

   Com tudo isto, as favas contadas deixaram de o ser. Cláudia PascoalJaneiro e Peu Madureira estão na corrida à vitória. Vitória essa que pertencia, com uma certeza absoluta, a Diogo Piçarra. Qualquer um deles será um digno vencedor, mas será sempre uma vitória às custas de uma desistência. Nenhum deles merecia tal rótulo e essa aura só passará, caso a vencedora consiga um boa posição no "Festival Eurovisão da Canção". Um lugar razoável seriam os primeiros 15 lugares e um bom resultado seria situar-se entre os 10 primeiros. 

 

   A crueldade das redes sociais e a sede de visualizações/cliques/leitores por parte da imprensa, canais de televisão e rádios tornaram o "Festival da Canção" num circo dos horrores, capaz de prejudicar a imagem de uma televisão, de um certame com anos de história e dos seus intervenientes. 

 

   O seu a seu dono. Deixem as polémicas para o "Secret Story". É para isso que ele serve.

 

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Olho para tudo e não vejo nada

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   Talvez o título deste artigo seja demasiado extremista, mas o "Festival da Canção 2018" está envolto em demasiadas polémicas, precisamente no ano em que não eram necessárias. Oiço muitos comentários, mas vejo muito pouco de positivo até agora.

 

   A segunda semifinal, emitida este domingo, foi bem melhor que a primeira. É inegável o facto de que existiram melhores canções e também melhores intérpretes. Isso não faz com que me esqueça da terrível falha na apresentação da primeira música, onde foram claros os problemas de som e o impasse das câmaras e da organização em saber se travavam ou não a atuação. 

 

   Quanto às músicas, deixemo-nos de tretas, há três capazes de nos fazerem orgulhar na Eurovisão, capazes de se perpetuar no tempo e capazes de despertar o interesse das rádios portuguesas, tal como escrevi sobre "Amar Pelos Dois": "Canção do Fim""O Jardim" e "Sem Título". Tenho preferência clara pelas duas primeiras. Foram as únicas que me fizeram sentir algo além do prazer de as ouvir. 

 

   A música de Diogo Piçarra é um dos temas do momento nas redes sociais. No domingo era a mais bestial para a maioria, conseguindo a unanimidade entre público e júri. Menos de 24 horas depois, é a "besta" ao ser acusada de plágio relativamente a uma canção da Igreja Universal do Reino de Deus.

 

   Não há grande volta a dar. A melodia e a entoação das palavras é igual. A partir daqui, fica ao critério de cada um. Não acredito que o músico tenha copiado um cântico da IURD, sobretudo numa época em que as redes sociais estão atentas, não perdoam, e em que a Instituição atravessa um período extremamente difícil devido às acusações das adoções ilegais. Esperava uma justificação melhor por parte do cantor do que aquela que deu na sua página de Facebook. Só a aceita e entende quem estiver predisposto a isso.

 

   Aquela que era e é a candidata à vitória do "Festiva da Canção" tem agora uma missão espinhosa pela frente. A polémica vai retirar-lhe brilho e o primeiro lugar não terá o mesmo "sabor".

 

  Uma das três canções mencionadas será a justa vencedora, na noite em que na RTP1 tem de afastar todas as polémicas e defender a canção eleita com unhas e dentes. Infelizmente, a visibilidade que o "Festival" voltou a conseguir é um pau de dois bicos. 

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Que Festival foi esse?

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   Desculpem-me o título. Sou natural de Torres Vedras e o Carnaval ainda não me deixou completamente a cabeça. É por isso que adaptei a letra de um sucesso brasileiro do momento, "Que tiro foi esse?", para intitular este artigo sobre o "Festival da Canção". É que, num "tiro", a RTP matou toda a esperança num festival melhor, após a vitória de Salvador Sobral no ano anterior.

 

   A noite de ontem resume-se assim: 13 músicas em que a maioria delas é péssima, um erro na votação que colocou uma música na final em vez de outra e, pelo menos, uma acusação de plágio de uma das canções. Não consigo imaginar cenário pior.

 

   Esperava mais, muito mais. Gostei da música da Anabela, do Janeiro e percebo o entusiasmo com a canção do Peu Madureira. Além disso, pouco ou nada se aproveita. Razoáveis músicas com péssimos interpretes e bons interpretes com péssimas músicas. Um estilo "mais Salvador" predominou na passada noite de domingo e não me parece uma opção inteligente se queremos fazer boa figura no "Festival Eurovisão da Canção".

 

   Quanto às minhas favoritas da noite, creio que "Sem Título" de Janeiro, no estilo e forma de estar do cantor, serão injustiçadas por uma clara comparação a Salvador Sobral. Não posso deixar de comentar a atitude do artista. Comer uma banana enquanto se é entrevistado não é ser-se diferente, é ser-se mal educado. 

 

 

   A música de Anabela, "Para Te Dar Abrigo", até pode não ser maravilhosa mas é bem interpretada e animada.

 

 

   Já "Só Por Ela", vencedora da noite e cantada por Peu Madureira, é uma boa balada com um toque de fado e uma séria candidata à vitória na final. Ainda assim, também é possível compará-la a "Amar Pelos Dois".

 

   No ano passado, na noite em que Portugal venceu o "Festival Eurovisão da Canção", disse a uma amiga que 2018 seria o ano de Diogo Piçarra, ainda sem saber da sua participação. Depois da primeira semifinal, e sem ouvir a sua música, acredito que só não será o eleito à vitória se o júri assim não o entender. Já que me refiro ao júri, muitíssimo bem escolhido por sinal, não posso deixar de criticar Júlio Isidro e To Zé Brito por fazerem saber que preferem a música de Peu Madureira a todas as outras. 

 

   Destaco ainda a prestação de Inês Lopes Gonçalves, na "Green Room". Sóbria, muito bem preparada e com um humor inteligente, conseguiu ser a surpresa da noite pela positiva. Só que neste domingo não se concorria ao "Festival da Apresentação". 

 

   A RTP errou forte e feio em quase tudo. Não pode voltar a fazê-lo! A segunda semifinal e a final precisam de ser irrepreensíveis porque já não há mais espaço para falhas.

 

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"Velocidade Furiosa 7" é o filme mais visto de 2018

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A história protagonizada por Vin Diesel e transmitida ontem à tarde, pela TVI, tornou-se no filme mais visto da televisão portuguesa no novo ano.

 

 

   Com uma média de um milhão e 194 mil telespectadores, o último filme em que Paul Walker esteve presente registou 12.3% de audiência média e 29.2% de share. Já nas últimas cenas da película, em que é feita a homenagem ao ator que faleceu num acidente de automóvel, a TVI registava o valor mais alto do dia com mais de milhão e meio de espectadores. 

 

   2018 ainda mal começou, é verdade, mas por enquanto, "Velocidade Furiosa 7" lidera o pódio dos filmes mais vistos na televisão em Portugal

 

   No mesmo horário, a SIC emitiu “007: Spectre” e garantiu o segundo lugar no horário de fim de tarde. A história protagonizada por Daniel Craig marcou 9.1% de audiência média e 21.7% de share, o que corresponde a uma média de 880 mil espectadores.

 

   Na mesma faixa horária, a estreia de “Negócio das Arábias”, na RTP1, não foi além dos 2.6% de rating e dos 6.0% de share.

 

   A SIC acabou por vencer o primeiro dia 2018, por mais duas décimas que a TVI, que se ficou pelo segundo lugar nas audiências. A RTP1 não foi além do terceiro lugar, bem abaixo das privadas.

 

   Conheça outras curiosidades nas audiências do primeiro dia do ano:

 

   - Ao início da tarde, "À Procura de Dory" (SIC) venceu a estreia de "Mínimos" (TVI);

 

   - A meio da tarde, o primeiro filme de "Sozinho em Casa" (SIC) levou a melhor, por uma curta margem, sobre a "Missão Impossível: Operação Fantasma" (TVI). Os dois registaram uma audiência superior a “Creed: O Legado de Rocky” (RTP1);

 

   - À noite, "Zootrópolis" (SIC) não conseguiu vencer a novela "A Herdeira" (TVI), ainda assim, foi o segundo filme mais visto do dia;

 

   - A estreia de "Deadpool" (SIC) não conseguiu manter os números da animação da Disney e perdeu, em toda a linha, para a novela "Jogo Duplo" (TVI).

 

Os dados apresentados são provisórios, da responsabilidade da CAEM/GfK e podem sofrer alterações. Incluem Vosdal.

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Avatar vence 2012, SIC vence TVI

Terminei o ano de 2011 a afirmar que o filme 2012 ganharia a AVATAR. Errei! 

 

O filme transmitido pela TVI foi o programa mais visto do primeiro dia do novo ano e o da SIC nem sequer entrou no top 5 dos mais vistos. 

 

A minha afirmação, como ficou explícito, não tinha em conta a programação dos dois canais, nem os horários já que, na altura, nenhuma dessas informações tinha sido divulgada. 

 

A SIC venceu o dia e colocou dois filmes da tarde, juntamente com o Jornal da Noite, nos cinco mais vistos, mas errou redondamente na programação noturna. 

 

Monstros VS. Aliens foi o filme das 21H e este não é, de todo, filme para a noite. Não se pode comparar este a outros sucessos como Toy Story 3, por exemplo. 

 

Com isso, 2012 foi empurrado para mais tarde e já era tarde para recuperar o público. Este já se tinha mudado para a TVI.