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A caixa que já foi mágica

Blog de opinião sobre a televisão portuguesa

Dez recordações no Dia Mundial da Televisão

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No dia 21 de novembro comemora-se o "Dia Mundial da Televisão". A televisão, enquanto objeto, está morrer aos poucos e os canais tentam, com muito custo, reinventar-se nos dias de hoje, dominados pela Internet.

 

Quando escolhi o nome para o "A Caixa que já foi Mágica", pensei nos tempos em que tudo aquilo que passava naquele ecrã era mágico. Sobretudo nos anos 90, e claro nos anos anteriores, a televisão tinha magia porque o efeito novidade era verdadeiro e nós, enquanto espetadores, não fazíamos ideia de como tudo era feito.

 

Em 2018, já foi tudo inventado. O que existem são várias nuances para algo que já foi criado. Além disso, a mística do "como é que fazem aquilo?" deixou de existir porque a informação é mais difundida, sobretudo nas redes sociais, e os próprios canais têm programas que mostram os "bastidores" de quase todos os seus produtos.

 

Nasci em 1989 e tenho na memória um sem número de momentos em que a televisão marcou a minha vida. 

 

Hoje escolho e relembro alguns dos programas que mais me marcaram nas mais variadas categorias.

Série

"Médico de Família"

Fotografia.: Gerardo Santos - Global Imagens

A série estreou na SIC em 1998. Fernando Luís, Rita Blanco, Francisco Garcia, Maria João Abreu, Henrique Mendes e Sara Norte protagonizaram a produção da Endemol, baseada num original espanhol. Seguida por uma média de cerca de dois milhões de espectadores, a história centrava-se na vida de um médico, viúvo, que tinha a seu cargo três filhos, um sobrinho e o pai. "Médico de Família" foi a série mais vista de sempre em Portugal.

 

Novela

"A Indomada"

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A qualidade crescente das novelas portuguesas é inegável. Ainda assim, não é fácil fazer esquecer a qualidade das tramas brasileiras da gigante TV Globo, emitidas pela RTP1 e pela SIC.

Adquirida pelo canal de Carnaxide em 1997, "A Indomada" foi uma das histórias de maior sucesso em Portugal. Poucos são aqueles que viveram naquele ano e que não se lembram da figura de "Cadeirudo", que atacava as mulheres em noite de lua cheia. No final, o segredo da personagem misteriosa foi revelado e soube-se que, afinal, a figura desajeitada era uma mulher.

A personagem principal era Eulália (Adriana Esteves) que se apaixona por Zé Leandro (Carlos Alberto Riccelli), mas os dois sofrem com a perseguição da família da jovem que não aceita a relação. Pedro Afonso (Cláudio Marzo), irmão de Eulália, ameaça Zé Leandro de morte. O rapaz é obrigado a fugir, mas promete voltar um dia. Eulália passa a viver em segredo e sempre a fugir do rancor do irmão e das maldades da cunhada Altiva (Eva Wilma).

 

Reality-show

"Big Brother"

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Apesar de recordar programas como "Survivor" (TVI) ou "Masterplan" (SIC), é impossível esquecer aquele foi o primeiro reality-show realizado em Portugal.

"Big Brother" trouxe Teresa Guilherme de novo à ribalta e deu a conhecer Zé Maria, o jovem de Barrancos que apaixonou os portugueses. Na SIC, o formato foi rejeitado e a TVI aproveitou a oportunidade. Foi o início do fim da liderança nas audiências para o a estação de Pinto Balsemão. A primeira edição do programa foi para o ar em 2000.

 

Talent-Show

Operação Triunfo

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É um género de programa que me agrada especialmente e são muitos os formatos que caberiam nesta categoria. Contudo, a primeira "Operação Triunfo" marcou-me, de alguma forma, mais do que qualquer outro formato.

Também adaptado de uma ideia espanhola, o concurso descobriu novos talentos na música. A primeira edição foi apresentada por Catarina Furtado, em 2003.

Ainda hoje guardo alguns cd´s que eram lançados, semanalmente, com as músicas cantadas em cada gala.

 

Talk-Show

"Herman SIC"

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A minha admiração por Herman José começou aqui, no "Herman SIC". O melhor humorista português protagonizou a maior transferência de sempre na televisão portuguesa, quando trocou a RTP pela SIC, em 1999. O programa contava com vários momentos de humor, música e entrevistas. Foi, durante muitos anos, o maior palco da televisão portuguesa, onde eram recebidas grandes figuras internacionais como Sting, Anastasia ou Elton John. 

 

Concurso

"Quem Quer Ser Milionário?"

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Muitos programas cabiam nesta categoria, mas o "Quem Quer Ser Milionário?" merece ser recordado. Foi um dos mais bem sucedidos formatos de perguntas de cultura geral em Portugal e em todo o Mundo. Vários foram os apresentadores do concurso, mas Carlos Cruz foi o primeiro.

A edição inaugural foi emitida em 2000, na RTP1.

 

Humor

"Não Há Pai"

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Também aqui as escolhas podiam ser várias: desde "Malucos do Riso", "A Loja do Camilo" ou "Levanta-te e Ri", mas "Não Há Pai!" merece ser recordado. Foi um dos últimos formatos de ficção emitidos em direto e com público ao vivo. A sitcom foi também o último trabalho de Camacho Costa, que faleceu em 2003, e que marcou também o final da série de humor. 

Estreada em 2002, na SIC, os seus episódios giravam em torno da família Boavida.

 

Desenho Animados

"Dragon Ball"

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Foi um dos maiores sucesso dos anos 90 e, ainda hoje, a série japonesa é recordada e seguida por milhões de fãs. Portugal não foi exceção. Emitida originalmente pela SIC, as dobragens em português deram um cunho muito característico ao anime. A história de Son Goku começou a ser contada na língua de Camões em 1995.

 

Informação

"Grande Reportagem SIC/VISÃO"

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Em tempos, a "Grande Reportagem" teve honras de horário nobre de domingo na SIC. Naquela época, os trabalhos jornalísticos era emitidos após o "Jornal da Noite" e chegaram a conseguir extraordinárias audiências, talvez impensáveis nos dias de hoje.

Em 2007, o canal exibiu o trabalho de Pedro Coelho, intitulado de "Rosa Brava". A reportagem focava-se numa menina de 16 anos, natural da Serra da Estrela, que foi obrigada pelos pais a deixar a escola aos 14 anos. Rosa teve de ir pastar o gado da família.

Lembro-me de esta história me ter marcado ao ponto de me impulsionar a estudar jornalismo.

 

Internacional

"Jogos Sem Fronteiras"

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Ainda hoje faz parte do imaginário de muitos portugueses. "Jogos Sem Fronteiras" relembra, automaticamente, Eládio Clímaco, também ligado aos comentários do "Festival Eurovisão da Canção".

O formato eurovisivo juntava equipas de países europeus que participavam em várias provas de força, perícia e rapidez.

Um regresso à RTP chegou a ser pensado recentemente, mas acabou por não avançar.

Portugal participou pela última vez em 1998 e iniciou as suas participações em 1981.

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A CAIXA VAI MUDAR!

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Muito brevemente vão haver ventos de mudança

no "A Caixa que já foi Mágica".

Fique atento!

"O Outro Lado do Paraíso" já tem substituta na SIC

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"Segundo Sol" é novela da Globo escolhida pela SIC para os finais de noite já a partir de setembro.

 

 

   O sucesso brasileiro "O Outro Lado do Paraíso" está prestes a terminar em Portugal, mas já existe substituta. "Segundo Sol" é a mais recente novela da TV Globo, da autoria de João Emanuel Carneiro, conhecido por sucessos como "Avenida Brasil", "Cobras e Lagartos" ou "Da Cor do Pecado". 

 

   A novela, protagonizada por Giovanna Antonelli, Deborah Secco, Adriana Esteves e Emilio Dantas conta a história de Beto (Emilio Dantas) que se tornou famoso como cantor. Para ajudar a pagar parte das dívidas da família e depois de uma gestão desastrosa da sua carreira, o cantor aceita dar um novo espetáculo. 

O problema é que o avião em que Beto viaja cai e este é dado como morto. O cantor sobrevieu, mas depois de o Brasil ficar comovido com sua a morte, o irmão Remy e a namorada Karola (Deborah Secco) convencem-no a não se revelar e a passar um tempo na ilha de Boiporã. Com esta estratégia, conseguem tempo para ganhar dinheiro com a situação e recuperar a casa da família. É nesse momento que o jovem conhece Luzia (Giovanna Antonelli).

Os dois apaixonam-se e fazem planos de casamento, sem que ela saiba a verdadeira identidade do cantor. Depois de descobrirem as intenções de Beto, Karola e Laureta (Adriana Esteves) juntam-se e conseguem separar o casal. 

 

   Apesar de ser um sucesso no país irmão, "Segundo Sol" regista, até ao momento, menor audiência que a sua antecessora "O Outro Lado do Paraíso".

 

   A estreia está marcada para 3 de setembro, segunda-feira, ao final da noite.

 

   Veja o trailer.: 

 

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TVI responde à SIC com "First Dates"

 

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O novo programa da TVI aposta no primeiro encontro entre duas pessoas e deve chegar em novembro.

 

 

    O canal de Queluz de Baixo não ficou indiferente ao "Casados à primeira vista", da SIC, e decidiu apostar num formato semelhante.

 

   Fátima Lopes foi a apresentadora escolhida e vai estar no ar durante 10 semanas com o  "First Dates", um original britânico e produzido em mais de 20 países. 

 

   A mecânica é simples: cada programa contará com cerca de 6 encontros, num restaurante, entre duas pessoas solteiras que nunca se viram antes. A ideia é promover o amor à primeira vista. Os concorrentes que ficarem agradados com a experiência continuam a ser seguidos, ao contrário daqueles que não gostarem da nova companhia.

 

   Recorde-se que a SIC anunciou recentemente a aposta num formato em que os concorrentes se casam sem se conhecerem.

 

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"Casados à Primeira Vista" é a nova aposta da SIC

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A SIC prepara um novo reality-show, a estrear brevemente, em que um casal se conhece apenas no dia do casamento.

 

 

   Já pensou conhecer o seu noivo ou noiva apenas no dia em que vai subir ao altar? É essa a proposta que o canal de Carnaxide tem para os espectadores numa produção da Shine Ibéria. Os casais serão escolhidos e estudados por vários especialistas em relacionamentos, depois de avaliadas as suas personalidades. Ao longo de oito semanas, terão de viver a noite de núpcias, a lua-de-mel e passar algumas semanas juntos. Durante esse tempo vão ter várias oportunidades de manter o casamento ou optar pela separação.

 

   O formato, com o nome original "Married at first sight", é um sucesso em vários países um pouco por todo o mundo. Reino Unido, Estados Unidos da América ou Austrália contam já com várias temporadas. Algumas das versões internacionais estão, atualmente, a ser transmitidas pela SIC Mulher.

 

   Diana Chaves foi a cara escolhida para apresentar o programa. Júlia Pinheiro chegou a ser uma das hipóteses em cima da mesa, mas Daniel Oliveira, novo diretor de programas do canal, decidiu dar uma oportunidade à atriz que já teve a seu cargo o "Achas Que Sabes Dançar?".

 

   As inscrições continuam abertas e podem ser realizada através do e-mail casting@sic.pt.

 

   O programa estreia domingo, 21 de outubro.

 

Atualizado a 15-10-2018.

 

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Valeu a pena?

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   Este domingo a SIC dá por terminado o pacote de oito jogos do Mundial de futebol de 2018 adquiridos à RTP.

 

  O canal de Carnaxide não quis ficar à margem de um acontecimento a planetário, abriu os cordões à bolsa, e gastou, muito provavelmente, vários milhões.

 

   Terá valido a pena? Tenho muitas duvidas.

 

   Sem conhecer ainda as audiências do Espanha X Rússia, a contar para os oitavos-de-final da prova, a estação de Balsemão chegou à liderança em dois dias: na transmissão do Portugal X Marrocos e do Sérvia X Brasil. Qualquer uma das restantes transmissões não ajudaram a estação a liderar no total diário.

 

   Além disso, os informativos não melhoraram as habituais performances e a emissão dos resumos das partidas também não alteraram os habituais resultados nos vários horários em que foram para o ar. 

 

   A TVI, principal concorrente da SIC e habitual líder de audiências, não apostou no Mundial como as suas concorrentes generalistas e pouco ou nada perdeu com isso. Só não liderou nos dias em que a seleção portuguesa esteve em campo e no dia do Sérvia X Brasil.

 

   Na SIC, o sentimento deverá ser um misto entre o contentamento e a desilusão. As audiências cumpriram mas não surpreenderam. A partir de domingo a bola passa estar apenas do lado da RTP e da SPORTTV. 

 

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"Portugal X Espanha" é o programa mais visto desde 2016

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"Portugal X Espanha" é o programa mais visto desde 2016

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A estreia da seleção portuguesa no Mundial de futebol de 2018, frente à Espanha, foi acompanhado por uma média de 2,8 milhões de espectadores.

 

   A partida que colocou os dois países da Península Ibérica frente-a-frente rendeu à RTP1 uma audiência média de 28,9% e 68,2% de quota de mercado.

 

   O jogo emitido na sexta-feira (15/06), às 19H00, que acabou com um empate a três bolas entre as duas equipas foi o programa mais visto do ano e deu ao canal do Estado a liderança nas audiências nesse dia. Para se encontrar uma audiência superior é preciso recuar até dia 10 de julho de 2016, quando Portugal defrontou a França na final do "Euro 2016".

 

   Já em 2017, o programa mais visto foi "Portugal X Suíça", com 2,3 milhões de espectadores em média, num jogo a contar para a qualificação do Mundial que agora se joga. 

 

   A equipa das Quinas volta a entrar em campo na próxima quarta-feira para jogar com Marrocos. A partida tem início às 13H00 e é transmitida pela SIC.

 

Alguns dados apresentados são provisórios, da responsabilidade da CAEM/GfK e podem sofrer alterações. Incluem Vosdal.

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Uma canção que não é brinquedo

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   Há dois assuntos sobre os quais ainda quero escrever acerca do "Festival Eurovisão da Canção 2018". O primeiro é uma espécie de defesa da música vencedora, a de Israel, e o segundo trata-se do merecido elogio à prestação de Filomena Cautela enquanto apresentadora do espetáculo. Por agora, fico-me pelo primeiro.

 

   O júri e a maioria do público vontante escolheu a canção "Toy", interpretada por Netta Barzilai, para vencer o certame. Por outro lado, há uma imensidão de outro público que a critica.

 

   Que me desculpem os críticos musicais, os cultos e os mal informados, que incluem muitas vezes os dois anteriores, mas a canção vencedora não se resume a uma gorda que imita uma galinha.

 

   Em 2015, a ONU afirmou que Israel era o país do Mundo que mais violava o Direito das Mulheres. Netta foi vítima de bullying durante a infância e a adolescência. Segundo o "Folha de São Paulo", a cantora chegou a perder trabalhos devido à sua forma física. Estudou música na banda da Marinha, enquanto cumpriu os dois anos de serviço militar obrigatório naquele país, e estuda ainda eletrónica na Escola de Música Contemporânea Rimon.

 

   Em "Toy", a cantora imita o cacarejar de uma galinha. Ridículo? Talvez sim, mas há uma razão válida. Esses sons representam a forma como Barzilai interpreta os insultos dos "cobardes" que praticam atos de bullying. A música que levou à final de Lisboa associou-se ao movimento #Metoo, criado para combater o assédio sexual. Na letra, a mulher de Israel afirma não ser "um brinquedo". Não é ela, nem é mulher nenhuma.

 

   Concordo que "Amar Pelos Dois" é uma música melhor e mais bonita, o que não quer dizer que "Toy" seja terrivelmente má. A música de Netta diverte-me e isso basta-me. Há espaço e ocasiões para tudo. Se a canção de Salvador Sobral tocar numa discoteca, por exemplo, não me vai soar bem a mim nem a niguém.

 

   A "baleia" e "asquerosa" como, infelizmente, alguns lhe chamam nas redes sociais, venceu com justiça o "Festival Eurovisão da Canção". Se é verdade que existiam a concurso melhores canções, também é verdade que muitas delas não tinham uma mensagem tão importante para passar. 

 

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"Deixem a eurovisão portuguesa em paz!"

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Deixem a Eurovisão portuguesa em paz!

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   Escrevi este texto ao mesmo tempo em que estava a assistir à segunda semifinal do Festival Eurovisão da Canção 2018. 

   Não quero fazer deste um artigo de "bota abaixo" e muito menos escrever um texto daquilo que a RTP não fez ou devia ter feito. Quero antes fazer um elogio àquilo que foi capaz de construir.

   Com duas semifinais vistas, há duas conclusões que posso tirar: 

   A vitória de Salvador Sobral, em 2017, fez com que os países, sobretudo os do sul da Europa, apostassem em músicas na sua língua materna e que outros apostassem em canções com um teor menos "festivaleiro". Ou seja, alterou-se o paradigma daquilo que todos achávamos poder ser uma música vencedora. 

   Por outro lado, a exclusão dos painéis que permitiam a exibição de vídeos ao longo das atuações foi uma aposta ganha da RTP. A utilização de jogos de luz centrou a atenção na canção e muito menos naquilo que acontece em torno dela. 

   O canal português conseguiu, com o orçamento mais baixo dos últimos 10 anos, criar uma "Eurovisão" diferente. Essa diferença tornou-a numa das melhores edições da história recente.

   Não posso deixar ainda de comentar a prestação de Catarina Furtado, numa altura em que é alvo de duras críticas nas redes sociais e na imprensa pelo seu inglês. 

   Chocava-me se a apresentadora não soubesse utilizar bem o português. Não me choca nada se a sua pronúncia em inglês não é perfeita. 

   Catarina é uma das mais experientes apresentadoras portuguesas. Pautou a sua carreira pelo profissionalismo, aliado à sua elegância. Dedicou e dedica ainda parte do seu tempo e da sua vida a ajudar os outros como Embaixadora da Boa Vontade, nas Nações Unidas. Merece, por tudo isso, estar onde está. 

   Somos tão extraordinários a fazer bem, como aqui pudemos constatar, como somos tão exímios a criticar e a "botar abaixo" aquilo que outros fazem para elevar o nome de Portugal no Mundo.

   Parabéns RTP!

 

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Ficha Técnica com Nuno Carvalho.: "Acredito que a RTP está preparada para dar um espetáculo enorme na Eurovisão"

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Ficha Técnica com Nuno Carvalho.: "Acredito que a RTP está preparada para dar um espetáculo enorme na Eurovisão"

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   Nuno Carvalho é Engenheiro Informático na RTP. Está no canal do Estado desde 2003 e acumula a função de Presidente na Casa do Pessoal do canal, delegação do Porto.
 
   Esteve presente na final do "Festival da Canção 2018", em Guimarães, e garante que Portugal está preparado para receber o "Festival Eurovisão da Canção" já em maio deste ano. 
 
   Aos 38 anos, explica ao "Ficha Técnica" as dificuldades da sua profissão, a importância da "Casa do Pessoal" para os funcionários da RTP, a evolução que sentiu desde que está no canal e as exigências da engenharia informática numa estação de televisão.
 

Foto retirada do perfil de Facebook de Nuno Carvalho

 

 
    A Caixa que já foi Mágica.: Qual é o trabalho de um Engenheiro Informático numa televisão como a RTP?
 
   Nuno Carvalho.: A 'televisão' enquanto empresa possui especificidades inerentes à sua atividade. Além dos óbvios sistemas de áudio e vídeo, há um sem fim de sistemas auxiliares que se congregam para gerar o produto final - Televisão e Rádio entregue ao cliente em casa ou em qualquer lugar.
Ser Engenheiro Informático, neste contexto, é lidar com esta quantidade de sistemas diversos, de diferentes fabricantes, com diferentes funcionalidades mas que se interligam de uma forma automática e em tempo real.
 
 
   ACQJFM.: Está na RTP desde 2003. Em mais de 14 anos de trabalho na estação do Estado, quais foram as maiores mudanças que sentiu desde o início da sua colaboração?
 
   N.C.: Em 15 anos de RTP, para mim, a principal diferença foi a chegada do "Digital". 
Assisti e participei no salto tecnológico que foi a migração da área da informação para "digital". Desde 2005 que a RTP passou a dispor de um sistema totalmente informatizado para a produção de noticias. Desde a captura de imagens, a sua edição, sonorização, legendagem até à transmissão televisiva e arquivamento. É um sistema complexo que permitiu acabar com os meios analógicos e, até então, bastante tradicionais.
 
 
   ACQJFM.: O que é que entende por "Digital"?
 
   N.C.: O "digital" é a nova forma global de transmissão de conteúdos. Internet, redes móveis de alta velocidade, redes sociais ou smartphones vieram apresentar uma nova visão da "televisão", da imagem e da produção de conteúdos.  Considero que a RTP vai, no seu dia-a-dia, adaptando-se às novas realidades, mas sem nunca perder o seu cunho, a sua identidade.
 
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   ACQJFM.: O que é que o cativa, ou motiva, a ser Engenheiro Informático numa estação de televisão?
 
   N.C.: O que me motiva enquanto profissional é estar identificado com a marca/empresa/produto em que trabalho.  Sentir o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no exterior da organização é sinal de que estamos/estou a ser eficiente. O meu contributo é dar o meu melhor todos os dias para que a RTP continue a ser a marca globalmente conhecida, trazendo um reconhecimento acrescido ao que faço.
 
 
   ACQJFM.: Quais são as maiores dificuldades que enfrenta no dia-a-dia?
 
   N.C.: Todas as áreas de negócio possuem as suas prioridades e complexidades, seja a industria robotizada, seja a industria farmacêutica ou química, e ninguém poderá dizer que é mais ou menos critica que outra.
Uma das maiores dificuldades da RTP é a noção do tempo. Dez segundos sem emissão de televisão ou rádio é inaceitável, por isso, somos muitas vezes confrontados com adversidades e temos um espaço temporal muito curto para agir.
Para isso, é necessário capacidade de lidar com o stress, que é um desafio que me alicia pois faz-me estar completamente focado na resolução e que me permite desenvolver uma capacidade analítica acima da média.
 

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   ACQJFM.: É Presidente "Casa do Pessoal da RTP", na delegação do Porto. Que importância tem a Instituição para os funcionários e ex-funcionários?
 
   N.C.: A Casa do Pessoal da RTP é quase tão antiga como a própria RTP. Nasceu e cresceu numa época em que a RTP era uma família, literalmente, onde vários membros da famílias trabalhavam no mesmo espaço. 
Com o propósito de promover o desporto, a cultura e o convívio, sentimos as dificuldades que considero transversais a este tipo de associações. Existe um desinteresse generalizado por parte das pessoas em fazer parte, em estar presente, em contribuir. Existe também falta de apoios que nos permitam ser mais ousados nos projetos que idealizamos e nas ofertas que conseguimos para os nossos sócios. 
Por outro lado, a redução do número de funcionários e o aparecimento de mais colaboradores externos em outsourcing, restringe o universo dos nossos sócios e o alcance dos nossos projetos.
Mas as dificuldades não nos impedem de continuar a lutar, procurar oferecer propostas mais vantajosas, mais adaptadas aos tempos modernos, tentando fidelizar sócios mais antigos, e trazer para a nossa "casa" os mais novos.
Um desafio que muito me apraz abraçar.
 

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   ACQJFM.: Esteve de alguma forma ligado à final do "Festival da Canção 2018". Acredita que o evento foi um teste positivo para a receção da Eurovisão, pela primeira vez, em Portugal?
 
   N.C.: O "Festival da Canção de 2018" foi uma aposta ganha da RTP!
O publico em geral andava nos últimos anos afastado do "Festival da Canção". Com a vitória do Salvador Sobral, o ano passado, e com o facto de este ano se realizar em Portugal, o "Festival da Eurovisão" trouxe de volta muito telespectadores. A RTP soube aproveitar muito bem este facto e oferecer um espetáculo televisivo de grande nível, de realização e produção.
Munindo-se dos parceiros certos, o produto final arquitectado pela RTP, foi uma demonstração inequívoca da nossa capacidade de abraçar projetos ambiciosos e conseguir na sua totalidade supera-los, pois foi isso que aconteceu.
A final do "Festival da Canção", em Guimarães, foi um excelente ensaio para aquilo que nos espera em Maio, no Altice Arena.
Foram testadas soluções, parceiros e formas de trabalho. Foram "treinadas" pessoas e equipas para trabalhar juntas, em busca de um objectivo ambicioso.
 
 
   ACQJFM.: Através do conhecimento que possa ter sobre o assunto, Portugal será capaz de produzir um espetáculo igual ou superior ao dos últimos anos?
 
   N.C.: Tendo estado presente na final em Guimarães, acredito que a máquina está pronta para dar um espetáculo enorme e conseguir superar tudo o que foi realizado até então. 
 
 
   ACQJFM.: A televisão ainda é a "caixa mágica"?
 
   N.C.: A televisão continuará sempre a ser caixa mágica! Poderá sair do móvel da sala e mudar-se para o computador, o smartphone ou dispositivos que ainda vão ser inventados. Poderá configurar-se com tecnologias que permitam mais interacção, poderá dotar-se de 3D, realidade aumentada ou hologramas, mas será sempre a "televisão". 
Independente da forma ou dos conteúdos, independentemente dos novos canais e dos novos 'players', a televisão tradicional continua a definir as normas, os caminhos e as tendências. 

 
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